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 A paixão do capitão de gelo - Capitulo XXVII

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charlote-chan
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Personagem Favorito : Toushirou, Karin, Asuna, Kirito, Ichigo, Natsu, Lucy, Erza, Juvia, Gray, Shaoran, Sakura, Kurogane, Tomoyo, Rukia, Byakuya, Sesshouramu, Kagome e entre outros
Anime Preferido : Bleach, Fairy Tail, SAO, Sakura Card Captors, Tsubasa Chronicle (OVAs), InuYasha, Dragon Ball Z, Ao no Exorcist, Vampire Knight, Toradora e muitos outros (shonen e shoujo:3)
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MensagemAssunto: A paixão do capitão de gelo - Capitulo XXVII   Dom 16 Ago 2015 - 9:09

Notas da autora:

Oi gente, gomem, gomem mesmo meu desaparecimento. Me deu uma quebra de inspiração mas finalmente consegui voltar e escrevi (até planejei mais hehe)
Como demorei bastante fiz o capitulo maior que o anterior. Boa leitura
Ameaça Intangível


No Centro de Desenvolvimento Tecnológico, o terceiro oficial encarava o monitor do console num ar cansado. Ao lado do computador na mesa de madeira pilhas de relatórios sobre todos os grupos de missões nesse ultimo mês. A razão para sua fadiga mental? As missões eram oriundas da maioria dos esquadrões. Ofensivas, investigação, batimento. Não importava. Todos os soldados voltaram ou com ferimentos graves ou com um mínimo possível de reiraku.

Akon não entendia porque estava inventariando tudo. Isso era trabalho para outra hora. A reunião de mais cedo causou um desconforto por parte da maioria dos capitães da Brigada. A sensação de que estavam enfrentando um inimigo desconhecido era palpável demais. Seu capitão ao invés de preparar tudo para o acompanhamento da missão de reconhecimento havia sumido. Outra vez. Ultimamente nessas semanas Kurotsuchi Taichou raramente aparecia nos departamentos de pesquisa. Isso era muito estranho. E só podia significar uma coisa.

Suspirou esgotado. Depois se preocuparia com isso. Akon se concentrou no trabalho ao qual foi designado por enquanto. Dali à algumas horas dariam início à vigília sobre a investigação da área onde vieram mais missões falhas. A capitã Soi Fong estaria na sala de observação acompanhando. Fato peculiar, mas dado a situação foram ordens do próprio Yamamoto Genryuusai.

Sougou Kyuugo Tsumesho

KARIN POV

Sentada na cama, encarava a tigela de sopa e outra de arroz na bandeja. Reprimia o embrulho no estômago. Uma enfermeira havia me entregado fazia uns minutos e mesmo assim não conseguia comer. Minha fome tinha sumido enquanto eu olhava os pedaços de legumes boiando no caldo escuro da sopa. Pelo cheiro estava gostoso, quer dizer, eu acho, mas me arrepiava de repulsa só em pensar em tomar um gole. Quer saber? Desisto. Gemendo peguei a bandeja e coloquei em cima da mesinha ao lado da cama. Depois invento uma desculpa quando vierem buscar.

Eu sei que tenho que me alimentar direito. Não posso ficar doente ou algo do tipo. Mais cedo Rangiku me disse um pouco à respeito do meu estado (depois de muito a adular antes que ela fosse à uma reunião) e fiquei um pouco preocupada sobre isso. Segundo os oficiais que me atenderam, sendo dois os Capitães Hirako e Unohana, ela disse que minha gravidez é delicada, o que no meu entender a situação é de risco. As chances de hemorragias são altas a qualquer estress que eu passar. Não posso fazer atividades que exijam muito de esforço, podem provocar cólicas e por causa da minha idade existem outros problemas.

Que ótimo.

Soltei um suspiro vendo o céu escuro pela janela, os telhados de outros prédios ao longe. Esse lugar estava bem movimentado pelo barulho que chegava até mim através da janela e dos shinigamis que circulavam pelo corredor. E também fazia um calor esta noite. O quarto parecia abafado. De repente, tive uma idéia. Espiei o portal do cômodo, checando se não via ninguém, então devagar tirei o lençol que cobria minhas pernas e me virei as pondo para fora da cama. O movimento me incomodou um pouquinho, parecia que fiquei acamada por meses, mas não era nada demais. Segurando a cabeceira como apoio me levantei com cuidado, respirando fundo e quando pude me firmar quase ri de alivio.

Não estava tão fraca como achei. Posso ficar de pé. E ainda não sentia nenhuma dor no meu ventre. Que bom. Calma caminhei devagar até a janela perto da cama e me segurei no parapeito de madeira, encarando lá embaixo enquanto uma brisa soprava leve, refrescando o calor e me espantei. Caramba. Meu quarto ficava uns quatro andares acima do chão. As pessoas que andavam no pátio pareciam minúsculas. Falando nisso... Havia uma movimentação estranha.

De onde estava podia ver grupos de paramédicos correndo pela varanda do prédio à minha esquerda, carregando macas com pessoas nelas. Franzi a testa, se não estivesse tão longe podia jurar que estavam nervosos. Me estiquei um pouco sobre o beiral da janela, esse escuro não ajuda nada. E também eu não entendia direito do que diziam. Deve ser por causa do andar em que estou. Droga. Agora fiquei curiosa demais. Olhei de relance o quarto, sentindo mais tédio.

Rangiku está demorando demais. A reunião de tenentes deve ter um assunto importante mesmo. Bom, de todo modo ficar sozinha sem nada pra fazer num hospital era uma chatice. Me recostei no beiral à direita, abraçando levemente numa barriga e lembrei da nossa conversa mais cedo, risonha das suas queixas.

- Então Abarai me disse que estavam investigando algo em Karakura. Puxa, bem que o Taichou me mandasse pra lá. Sabe Karin-chan, desde que vocês casaram o capitão anda um tanto malvado. Ele me prende no escritório! Isso é chato...

Sorri sem graça do seu muxoxo. Quanto tempo ela já falava? Confesso que era engraçado.

- Mas o Toushirou tem as milícias Rangiku. Ele está bem ocupado.

- Pois é. Mas mesmo assim... bem que você podia melhorar o humor dele, né Karin-chan?

A malicia no seu tom me fez entender num estalo ao que se referia. Meu rosto queimou e ela riu de mim. Alto e me deixando mais sem graça.

- Pa..para com isso. Eu não vou seduzir ele pro seu proveito.

Encarei minhas mãos agarradas no lençol envergonhada. Ela não precisava falar assim! Ta certo que agora sou mulher casada e dizer e compartilhar coisas desse tipo era normal entre amigas. Mas... agora pensando bem... Quando eu seduzi o Toushirou? Eu... não lembro direito. Talvez naquele dia quando acordamos juntos no quarto do alojamento... Não, a coisa foi bem diferente. Acho que foi na nossa primeira vez. Tipo, ele tentou se segurar e em resposta agarrei as blusas dele soltando da calça. Quando elas abriram suspirei derretida ao ver...

- Hum... No que está pensando? Parece em algo muito bom.

- O..o que?

Pisquei voltando a mim e vi essa ruiva sorrindo discreta, os olhos cinzentos estreitados. Engoli em seco. Rangiku me encarava séria e pensativa. Parecia ler meus pensamentos!

- Em nada de especial. Só isso.

- Tem certeza?

Mordi o lábio, nervosa. Poxa, não insiste. Já me sinto imatura em ficar vermelha por pensar nessas coisas.

- Claro que sim.

- Se você diz, tudo bem. Mas voltando ao assunto, o capitão nunca mais me mandou em missão ao Mundo dos Vivos! Ele...


Tinha suspirado e me ajeitava contra a cabeceira deixando Rangiku falar. Na verdade, eu não prestava muita atenção no assunto, minha mente estava em outra linha de pensamento. Divagava em quanto tempo não vejo a Yuzu. Mundos dos Vivos... Às vezes me esqueço que morri. Remexendo os dedos num toque leve sobre minha barriga pensei um pouco sobre isso.

Teria que arranjar um jeito de visitar minha irmã e meu pai. Os shinigamis podiam fazer isso, eu podia até conseguir um corpo provisório para fazer uma visita decente à Yuzu. Aconteceu tanta coisa comigo em tão pouco tempo. Tinha muito o que contar, afinal sempre a ouvia sobre seu namoro com Jinta – o que ainda não acredito nisso. E também tinha uma grande novidade. Eu serei mãe. Yuzu ficaria feliz com o sobrinho ou sobrinha à caminho e pensando bem, nunca cogitei na possibilidade de isso acontecer. De que eu casasse primeiro, de que engravidasse antes dela.

Franzi a testa. Grávida...

Mesmo com o susto de quase perder o bebê, várias coisas me preocupavam. Não, para ser franca, eu estava muito insegura e por vários motivos.

O primeiro - Eu mal sei cuidar de uma casa.

Segundo - Como se cuida de um bebê?

Não estou rejeitando a criança, nada disso. Só que e se eu fazer algo errado? Como saberei o que cada chorinho significa? Não quero que o bebê sofra enquanto aprendo, nem que Toushirou se preocupe com isso. Se tem algo que aprendi estudando enquanto viva e com meu pai era: um parto normal significa melhor recuperação. Ou seja, posso cuidar do nosso filho sem que ele esteja por perto o tempo todo.

Toushirou não precisa abandonar suas obrigações pra cuidar de mim e do bebê. Ele era bem capaz de fazer isso. Eu posso cuidar da situação e também... Vai me ajudar a ser uma esposa melhor. É triste, mas tirando a tarde quente que passamos ontem sentia que ficamos um pouco estranhos um com outro, com tantas coisas acontecendo e que já foram. Grande parte é culpa minha. Droga, tenho que controlar mais meu gênio. Nesse casamento o único que está fazendo seu papel é Toushirou. Eu vou provar que posso lidar com isso, mesmo com todas essas responsabilidades.

Sim, é isso. Serei mais calma agora. Não vou brigar com ele quando me chatear. Se que bem Toushirou merece, ele é tão mandão. Acho que deve ser por que vamos ter um filho. Filho... Arfei animada de repente, um desejo novo e terno crescendo no meu peito. Olhando para baixo, acariciei minha barriga lisinha imaginando como seria. Uma menininha ou menino? Sem me controlar várias de imagens de bebês de cabelos brancos ou negros balbuciavam pra mim, cada um diferente nos meus braços. Abrindo os olhinhos verdes e sorrindo...

- Posso entrar?

Dei um pulo de susto. Estava tão concentrada que nem senti se aproximarem do quarto, muito menos reconheci direito a energia da pessoa. Ao girar sobre os calcanhares vi quem era e arregalei os olhos de surpresa. Uma garota loira e de pele pálida sorria sem graça para mim. Ela usava um quimono de seda salmão com flores vermelhas estampadas. O obi azul se destacava na roupa, mas ao reparar bem... Essa vestimenta era bem simples para ela. Quase ri aliviada e curiosa.

- Barbie.

Seus olhos azuis aumentaram um pouquinho e vi suas bochechas ganharem um tom de rosa escuro. Achei graça.

- Ainda me pergunto por que me chama assim. Meu nome é Yuuki.

- Eu sei. É só que me acostumei a dizer.

Ri leve e ela me acompanhou chegando mais perto da cama enquanto me sentei devagar nela. Foi então que notei seu nervosismo. Ela retorcia as mãos na sacola de tecido que segurava, além disso, respirava um tanto ofegante.

- Tudo bem?

- Ah, sim, sim. Não se importe com isso. Vim apenas te entregar seus pertences.

Esticou os braços segurando a sacola e logo que peguei dei uma olhadinha me surpreendendo. Meu material escolar! Ao notar minha reação ela foi explicando um tanto afobada e jovial.

- Quando você passou mal na alameda fui correndo avisar Hitsugaya Taichou, lembra? Aproveitei para pegar suas coisas na sala também. Não se preocupe, sua zanpakutou deixei mais cedo aqui no hospital. Iria te entregar pessoalmente assim que soube que veio pra cá, mas não me deixaram entrar... Então...

A encarei muda e impressionada. A nobre olhava suas mãos no próprio colo onde girava e girava os dedos inquieta. Ela teve essa consideração comigo mais uma vez.... E veio me ver.

- Arigatou.

- De nada.

Erguendo a cabeça ela sorriu aliviada. Isso me deixou confusa e curiosa.

- Por que está fazendo isso?

- Como?

Me ajeitei sentando melhor na cama e abracei a sacola de tecido no colo. Estava com essa duvida há semanas.

- Sendo cordial comigo. Não estou reclamando. Acho até bom que a gente não discutiu mais e, além disso, você me ajudou muito naquele dia que desmaiei na sala de aula e parei na enfermaria.

Mal acabei de falar e a loira prendeu o fôlego. Para minha confusão seu rosto adquiriu um tom de rosa rubro. O que foi que eu disse?

- Ah... Bom, digamos que desde o dia que um nobre parvo foi surrado por um Capitão do Gotei, percebi o quanto fui manipulada e estúpida.

Hein? Levantei a sobrancelha. Com esse gesto ela ficou mais nervosa e entendi do que estava dizendo. Quando Toushirou deu uma surra em Sakai! Mas espere um pouco. Ela não podia estar toda vermelha por causa disso. Já ia abrir a boca e perguntar quando senti uma forte energia junto da porta. Uma que conhecia muito bem.

- Apresse-se logo. Seus guardas vão dar por sua falta se não é que já estão.

O que?! Virei o rosto na direção e vi um pedaço da feição da pessoa antes que ela voltasse a encarar o corredor. Meu espanto não podia ser maior. Renji! Renji estava vigiando a entrada do meu quarto para Barbie! A fitei chocada e vi que estava tremendo e arfando. O que foi que eu perdi?!

- H-hai. – ao se levantar da cadeira sorriu nervosa – Gomem Karin. Tenho que ir.

- Espera. Como assim?

E como assim o Renji estava ali com ela?! Me olhando animada e insegura a Barbie sussurrou.

- Queria muito te visitar e como não deixaram pedi ajuda pra ele. Abarai Fukutaichou foi muito bom me levando aqui num segundo... – seus olhos ficaram sem foco ao lembrar e então ela pestanejou – Quer dizer, eu não tinha permissão para entrar e vim escondida da minha família. Ele estava por perto e praticamente implorei.

Devo estar fazendo uma expressão estranha, pois ela se atrapalhou mais na conversa. Sacudia as mãos agitada para o alto. Gesto comum para “não é nada disso que está pensando”. Ela nem fazia idéia do que estava se passando pela minha cabeça agora.

- N-não foi bem assim. Ele só estava de passagem e praticamente me atirei nele.

Fiquei boquiaberta e rapidinho a garota apertou os lábios. Morta de vergonha por dito aquilo. Talvez por falta de paciência ou para livrá-la desse constrangimento, Renji entrou no quarto estalando a língua. Ele parecia um tanto irritado e nervoso.

- Vamos rápido. Elas estão quase aqui.

- Elas quem?

Os dois nesse instante me notaram pelo visto, mas não deu tempo. O tenente suspirou dando uma olhadinha verificando o corredor e segurou a Barbie pelo cotovelo a puxando para perto de si. Num segundo eles viraram borrão e entendi. Renji a trouxe aqui dentro com o shunpo. Assim ninguém iria vê-la. Mas agora minha curiosidade aumentou.

Como isso aconteceu?

Pelo o pouco que conheço de Renji ele não faria algo tão arriscado como isso. A Barbie, quer dizer, Yuuki era uma nobre. Ludibriar a guarda pessoal da herdeira de uma família importante iria complicá-lo além de trazer vários maus entendidos.

Não. Espera um pouco.

Ele não é assim. Afinal, é amigo do meu irmão. Os dois já quebraram muitas regras aqui em Soul Society.

De repente, escutei vozes femininas vindo do corredor, se aproximando da minha porta.

- Não acredito Nanao. Até você!

- Rangiku-san, não foi exatamente um trabalho. Apenas um favor.

- Kyouraku Taichou é bem razoável ao contrario do capitão.

Ouvi um suspiro paciente e então duas mulheres apareceram no beiral. Rangiku sorria alegre em me ver enquanto que a outra simplesmente ajeitou os óculos sobre o nariz. Ela era morena e segurava um livro grosso e enorme debaixo do braço. Parecia um tomo. Pela reiatsu que eu sentia se tratava de uma tenente.

- Oi Karin-chan. Pelo visto já sente melhor.

Abri a boca pra falar, mas a outra tenente me interrompeu.

- Isso é modo de se anunciar num quarto de enfermo Rangiku-san? E ela estivesse dormindo?

- Ah, o que tem? Afinal, ela está bem, certo?

Piscou pra mim e sorri sem graça. Não sei porque, mas ter as duas agora no meu quarto melhorou o ambiente, apesar de estar abafado aqui. Tinha a impressão que o calor aumentou com tanta gente no mesmo espaço. Isso me fez pensar na minha outra visita. Como será que o Renji e a Barbie estavam se virando? Aqueles dois tiveram algum problema?

- O que foi Karin-chan?

- Ahn?

Rangiku me olhava pensativa e rápido sorri pondo a sacola no chão sob o olhar atento da outra.

- Não é nada. Como foi a reunião? Algo importante?

Elas mudaram por um instante. Na minha pergunta se empertigaram por um segundo e depois trocaram um olhar discreto. Isso me intrigou.

- Nada demais. Apenas rotina. Falando nisso, Karin-chan sabe alguma coisa de Abarai?

- Ahn?

Fiquei tonta com a mudança brusca de assunto. Segurando melhor o livro debaixo do braço a outra tenente se adiantou.

- Ele não pôde comparecer à reunião e soubemos pelo oficial Rikichi que Abarai-san havia ido para Sougou Kyuugo Tsumesho.

- Entendo. Eu não o vi hoje.

Procurei manter uma expressão neutra e confusa. Bem convincente para não notarem a mentira. Não queria prejudicar meus amigos (claro, perguntaria para Barbie quando saísse daqui). Elas franziram o cenho, estranhando minha resposta. Por favor, tomara que se convençam.

- Estranho...

Rangiku olhava para o vazio, pensativa.

- Eu jurava que Abarai faria uma visita pra você hoje.

Quase ri forçadamente de nervosismo. Chamando a atenção da tenente do oitavo esquadrão (só agora que me lembrei).

- Que isso. Por que ele veria até aqui?

Rangiku ia dizer alguma coisa quando senti um formigamento gelado na pele, instantes antes ouvir.

- É o que gostaria de saber.

As duas se voltaram para o portal encontrando o Taichou do 10º Bantai parado nele com cara de poucos amigos. Rangiku se manteve alheia a expressão séria dele enquanto que a Tenente Ise pigarreou de leve, empurrando os óculos sobre nariz num gesto nervoso. Eu simplesmente fiquei calada. Há quanto tempo Toushirou estava ali? Quanto ele ouviu da conversa? Engoli em seco. Rangiku sorriu calma ignorando os avisos silenciosos dele. Ai...

- Ah, Taichou! Viemos fazer uma visitinha para Karin-chan. Como Nanao-chan estava procurando Abarai achamos... que... ele...

A ruiva emudeceu sob o olhar irritadiço do nosso capitão. Toushirou era intimidante quando quer. Seus olhos estavam sérios e intensos. Demonstrando que a explicação que recebia de nada estava funcionando. Pela tensão no seu corpo, o leve estreitar dos olhos ele estava a ponto de as expulsar daqui.

Batendo as palmas nas pernas de súbito, Rangiku se levantou da cama, pigarreando e desviou o olhar ao soltar uma risadinha descontraída. Pelo visto ela entendeu o recado.

- Bem, acho que é melhor irmos. Esqueci de comprar uma coisa numa loja. Com sua licença, taichou.

- Com sua licença, Hitsugaya taichou.

As tenentes fizeram uma reverência rápida e depois atravessaram o portal, saindo logo do quarto sob o olhar atento de Toushirou. Aproveitei que ele tinha desviado sua atenção para o corredor e procurei me acalmar. Ele é atento demais comigo, sabia quando estava nervosa e sempre me perguntava o por que.

Por um momento, Toushirou não disse nada deixando o ambiente menos carregado um pouco e só quando não senti mais a reiatsu das duas por perto foi que ele se manifestou. Entrou no quarto sem olhar para mim, caminhando em direção à um lado do portal e puxou uma cordinha no alto do caixilho, soltando o tecido azul embolado no alto do beiral. O pano desembrulhou num farfalhar abafado fechando o quarto. Entendi no gesto que ele queria ficar sozinho comigo. Mas ainda não havia olhado pra mim. Isso estava me deixando nervosa de novo.

- Não sabia que podia receber visitas agora.

- Bom... Nem eu. Rangiku me pegou de surpresa.

Ri sem graça e retorci o lençol onde agarrava em nervosismo. Toushirou está muito esquisito. Pela linha corporal, principalmente de suas costas a tensão era grande. Agora por que? Era o que me deixava inquieta. Tinha uma leve suspeita. Antes que perguntasse ele se virou suspirando, relaxando num segundo e caminhou até mim. Sua expressão mais calma me confundiu. Ele não estava há um minuto irritado?

- Como se sente? Hirako me disse que estava melhor.

Parado perto da cama Toushirou se sentou devagar no colchão de frente para mim. Seu olhar analisava cada gesto meu, se concentrando no meu rosto e vi preocupação neles. A vontade de brigar por me esconder a gravidez sumiu. Já tinha me decidido não fazer isso, mas... O modo como se importava comigo... Amainou minha irritação. Sem querer minhas bochechas começaram a esquentar.

- Estou bem.

Baixando o olhar, sua mão esticou até espalmar minha barriga. Arfei com isso, mas Toushirou não se importou. Apenas continuava olhando nesse ponto enquanto acariciava leve descendo as pontas dos dedos até mais embaixo. Na linha onde o lençol branco cobria minhas pernas, onde ficava meu ventre.

- E ele?

Acordei do torpor com o sussurro e tímida cobri sua mão com a minha apertando. Ouvi um suspiro profundo, quase deliciado com minha atitude me deixando boba e entorpecida.

- Ele também.

- Que bom.

Ficamos em silêncio por um tempinho. Não faço ideia de quanto tempo enquanto olhávamos nossas mãos no meu ventre. O calor da palma dele não era estranho pra mim. O sentia familiar, seguro e terno. Me fez lembrar vagamente de um toque que eu sentia toda a noite. O afago simples e constante, que acalmava a cada giro das pontas de dedos na minha pele. Só de imaginar a cena meu peito inflou pesado e suave ao mesmo tempo. Tirando meu ar.

Ele queria muito essa criança. Não tinha nem um pouco de negação ou arrependimento.

- Consegue senti-lo?

Soltei sem perceber. Era uma ideia tola. Mas já que nós dois somos shinigamis então nosso bebê tinha algum poder, certo? Emanava alguma energia. Piscando Toushirou tombou a cabeça para o lado. Mais concentrado. No movimento umas mechas que sempre caíam em seus olhos balançaram. Meu coração acelerou um pouquinho, estranhamente a vontade. Depois de uns segundos seu rosto relaxou, decepcionado.

- Não. Ainda é muito cedo. Você só está com um mês e uns dias.

Nossa. Ele até contou o tempo. Então Toushirou sabia quando foi a concepção. Involuntariamente lembrei desse dia. Não sei por que, mas não me sentia nem um pouco insegura agora muito menos arrependida. Era como se fosse natural ter acontecido e além do mais, se caso me dessem a opção de escolher era óbvio que o pai do meu filho seria ele. Sempre e sem sombra de dúvidas.

- Como se sente em relação a isso?

- Nani?

Olhei confusa para seu rosto, não encontrando seu olhar. Toushirou ainda continuava com os olhos fixos no meu ventre e pasma, notei o leve tremor em sua mão. Ele estava ansioso com minha reação... Talvez... Aflito. Rápido, lembrei do ataque que tive ao ver alianças em nossos dedos e meu peito se apertou. Apesar da neutralidade em seu rosto, essa calma era um disfarce.

- Eu...

- Não se preocupe, vamos ficar bem. Eu... – ao hesitar franziu o rosto, mostrando mais seu nervosismo – ...Sei que devia ter contado. Assim que vim te ver depois da reunião com o Soutaichou sobre a invasão ao Inferno, Unohana me contou da gravidez. Confesso que fiquei chocado, mas depois não importava. Já havia me decidido casar com você. Uma criança nossa, parecida tão comigo e você era... Algo... Que já desejava.

Estremeci emocionada, minha garganta travando com a força do que sentia ao ouvir isso. Antes que percebesse a umidade nos meus olhos transbordou e derramou. Toushirou percebeu meu estado quando funguei. Levantou o olhar surpreso ao me ver chorar. Pra completar soluços subiam me deixando mais patética. Droga. Por que eu tinha que estragar esse momento?! Por quê?!

- Karin.

Rápido, desviei o olhar fungando e segurando soluços. Ele vai pensar que estou chorando pelo motivo errado.

- Olhe para mim

Segurando minha bochecha, num roçar seu polegar enxugou as lágrimas idiotas e então ele virou meu rosto para si devagar. O encarei tentando acalmar essa crise de choro. Os olhos verdes faziam uma pergunta muda sobre meu estado. Não tinha como eu negar e também precisava explicar. Mesmo que soluçasse no processo.

- Eu... Não estou triste... É ao contrário... Confesso... Que fiquei com m..m..muita raiva d..d..de você... Devia ter m..me cont..tado... Todo mundo sabia... Até a Hinamori a...ad..vinhou... Sou muito burra... Nem notei que est..tava atrasada...

Respirei fundo dando uma pausa nos soluços. Mal vi um sorriso discreto nos lábios dele, como se estivesse se segurando. Ao notar me senti mais patética por chorar desse jeito.

- N...n..não ria de mim.

- Não estou rindo.

Mas ao terminar de falar arfou rindo leve de alivio. Idiota! Baixei o rosto, apertando os olhos e agarrei com as duas mãos seu haori e o puxei. Toushirou havia me puxado também nesse instante. Como um encaixe ele enlaçou o braço livre na minha cintura ao mesmo tempo em que me aproximei dele. Apertando na inspiração do suspiro que soltamos e estranho ou não, senti um cheiro curioso nesse abraço.

Refrescante e agridoce, como menta e chocolate.

Ele ainda ria abafado com a confissão melosa, me irritando um pouquinho, mas aninhada como estava em seu peito ignorei isso. Senti toda aquela estranheza desde que começamos a morar juntos desaparecida. Voltando ao clima que havia antes. Segredos são ruins mesmo. Ainda mais para alguém desconfiada como eu e aposto que à ele também.

- Toushirou.

- Hum?

Ele segurou o riso. Bem para não me ofender mais. Entendi o esforço, mas queria que parecesse, poxa. Suspirando, apertei mais o tecido do manto branco entre os dedos.

- Por que nossa casa está em obras?

Tinha uma forte desconfiança agora. Com o cessar do divertimento ele inclinou o rosto, na direção da minha orelha e senti a respiração morna profunda. Me arrepiei sem querer.

- O quarto do bebê.

Quase ri e ele também.

- Pensou em tudo não foi?

Alisando meus cabelos ele suspirou, demonstrando no gesto o quanto estava aliviado. Bom, eu também. Éramos muito novos para começar uma família agora, mesmo que ele fosse mais velho em termos de anos, contudo, se fôssemos humanos eu estaria no primeiro ano do colegial e ele no ultimo. Adolescentes enfrentando essa grande responsabilidade.

- Ela precisa de um lugar confortável depois que nascer. Claro que por enquanto ficará conosco no nosso quarto até você parar de amamentar ou ela precisar de cuidados e atenção. Soube que nos primeiros meses ela deve acordar muito de madrugada. O quarto será perto do nosso de todo modo. A obra é por que farão uma remodelagem da casa. Outro dia a levo para ver.

Franzi o cenho. Gostei do que ouvi e até imaginei a cena de quando já morássemos lá, mas... Será que entendi bem? Toushirou se referiu ao bebê como ela. E várias vezes.

- Você quer uma menina?

Mera curiosidade, mas foi o suficiente para ele pestanejar. Seu corpo ficou tenso ao meu redor. Minha confusão aumentou quando suave, mas fluido ele se afastou de mim rompendo o abraço. Toushirou segurou minha mão, de repente a achando bem interessante enquanto brincava com meus dedos. Mesmo que tenha abaixado a cabeça vi pela luz branca no teto um corado forte colorir suas orelhas! Podia apostar que tinha manchas também desse vermelho no seu rosto!

Apesar de engraçado não consegui rir. Quer dizer, só fiz uma pergunta boba. Por que ele ficou tão envergonhado?

- Você quer... não é?

Silêncio. Isso estava me deixando mais curiosa. Instiguei-o mais.

- Por quê?

Para minha surpresa ele quase riu, soltando o fôlego que não percebi que havia prendido. As mechas alvas em sua testa cobriram seus olhos, não me deixando ver, mas desconfiava do que mostrariam. Uma confusão de sentimentos.

- Toush...

- Quando nascer e se for uma menina... Lhe digo por que.

Levantou o olhar entre as mechas, perverso e risonho ao ver minha cara de decepção.

Não! Isso é muito injusto! Ainda faltam oito meses para isso! Então me lembrei uma coisa... O pré-natal! (ou seja lá como chamam aqui em Soul Society). No quarto mês farei uma ultrassom e então...

- Não adianta.

O tom rouco e convencido de sua voz quebrou meu devaneio. O olhei emburrada encontrando um ar divertido em seus olhos. Ele percebeu minha pergunta muda e se inclinou sobre mim. Fechei os olhos arfando, entontecida com seu hálito soprando meu rosto. Toushirou se inclinou mais e roçando os lábios nos meus quase não entendi o que disse.

- Mesmo que saiba o sexo do bebê, não direi até que nasça.

Estremeci entorpecida. O ouvi rindo abafado e como entreabri a boca sem ar, seus lábios se apossaram dela, num anseio e sôfrego. Seu braço enlaçou minha cintura ao me puxar num aperto, soltando um suspiro misturado com ronrono quando enrosquei os dedos em seus cabelos, me segurando em sua nuca.

Isso é loucura. Tinha gente andando no corredor! Pude ouvir através do zumbido nos ouvidos. Toushirou pelo visto esqueceu isso. Ele me puxou mais para si, me levantando do colchão uns bons centímetros e puxou com a mão livre o lençol pra longe das minhas pernas. Ele me trouxe sentando de lado em seu colo e mudou o enlace que fazia na minha cintura. Trocando de braço sem, no entanto, parar de me beijar.

Ele parecia tão impaciente como eu. Estava devolvendo arfante, ouvindo-o suspirar envolvido me dando uma sensação grande de orgulho e prazer. Então num ondular de seu rosto, a língua quente invadiu minha boca, sinuosa e atrevida. Explorando cada canto, roçando na minha e lambendo. Perdi o ar e o puxei pela nuca o arranhando sem querer, ouvindo um barulho que me arrepiou toda.

Um rosnado abafado e faminto.

Ele jogou o pescoço para trás, quebrando o beijo. Ofegando entreabri os olhos vi outro par verde e denso. Estremeci mais lânguida. Toushirou parecia possuído. Tudo que enxerguei foi lascívia, luxuria e uma dose de paixão refreada a força.

Ai... caramba!

- Desculpa.

Ele sorriu arfando e molhou os lábios, ato que repeti inconsciente. Seu corpo estava tremendo e senti de repente, muita vergonha. A razão era que sentia nitidamente um volume rígido dentro da calça dele pressionando minhas coxas, quase no fim das minhas nádegas. Risonho disso, Toushirou colou a testa na minha suspirando tremulo. Me senti mais culpada.

- É uma pena que não estejamos em casa.

Corei feito um tomate e ele riu. RIU! Imbecil! Perdi a sensação de culpa e dei um soco no seu peito, mas só aumentei seu ar malicioso e carinhoso (como ele conseguiu não faço idéia). Nesse instante, Toushirou reparou no meu jantar a essa altura frio e me tirou do seu colo. Ao me sentar na cama, levantou e se dirigiu até o tecido azul que fechava o quarto.

Tive um momento de coragem e verifiquei mais... abaixo nele e não sei se fiquei aliviada ou decepcionada. Não tinha mais nenhum sinal comprometedor que nos daria vergonha. (afinal ninguém precisa saber da nossa intimidade) Contudo, ele tinha tanto controle sobre si assim?!

- Karin.

- Ahn?

Pestanejei com o chamado e Toushirou segurou um sorriso. Quis morrer. Ele reparou que estava reparando nele. Não consegui dizer nada de tanta vergonha.

- Acabei de pedir outra refeição. Amanhã quando tiver alta venho te buscar.

Curvou os lábios e relaxei um pouquinho, mesmo que tenha de ficar mais umas horas aqui.

- Tudo bem. Aonde vai?

Toushirou ficou de repente sério e desviou o olhar. Não para mentir, era cauteloso sobre alguma coisa.

- Daqui a pouco haverá uma missão de reconhecimento monitorada pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico. Um grupo de Omitsu Kidou fará e participarei da vigília com Kyouraku e Hirako.

Isso me deixou pensativa. Lembrei da conversa que tive hoje com a Barbie na Academia, antes de Hinamori aparecer. Seria sobre o que me disse?

- Onde será?

- Dangai.

Seu olhar para mim foi sério e austero. Entendi. Ele não me contaria mais nada. De qualquer modo gostei que ao menos me revelou uma parte. Acho que agora nosso casamento correria bem.

- Espero que descubram algo.

- Eu também.

Dito isso, ele me olhou mais uma vez terno e aliviado e então afastou o tecido azul entrando no corredor. Suspirei me recostando na cabeceira de madeira. Essa noite vai ser longa.

KARIN POF

Uma hora depois

HITSUGAYA POV

- Por aqui.

Akon, terceiro oficial do 12º Bantai nos recebeu à porta de entrada do setor de observação. No corredor longínquo estavam esperando eu e Kyouraku. Havíamos acordado com Hirako chegar meia hora antes. Estava atrasado claro, havia gastado um tempo com Karin no hospital e quase me arrependi de ter proposto essa vigília. Era necessário, mas deixou um tanto irritado e frustrado. Queria ter ficado mais tempo com ela. Finalmente tínhamos nos entendido dissipando a estranheza da nossa situação desde que casamos. Manter fatos importantes em segredos estava me esgotando.

Apesar da situação infeliz em que a fez parar no hospital ela soube que está gravida. Reprimi um sorriso baixando o olhar, mal notando a olhada atenta de Kyouraku sobre mim. Karin está feliz.. Carregar nossa criança a deixou feliz.. Ela está preocupada com o depois, quem sabe com a rotina que mudará, mas embora ainda não saiba descobri por um conhecido meu em Shinourijutsuin que ela já estava quase formada. Não queria prejudicar a educação dela nas Artes Espirituais. A prova de combate que iria fazer seria promissora para suas notas, eu sei, e com certeza ela passaria. Contudo, não havia problema em não fazer. Karin por já ser combatente do Gotei 13 provou seu valor como shinigami. O exame prático seria apenas mera formalidade.

Em três meses seria graduada e como é integrante do 10º esquadrão um posto de oficial já estava garantido. Nada de favoritismos, ela merece. Até porque quem a escalou foi o Comandante Genryuusai. Sorri orgulhoso, não consegui evitar. Minha mulher era incrível.

- Hum... Algo bom Hitsugaya Taichou?

Saí do devaneio, apagando o sorriso. Por dentro estava me xingando por deixar transparecer. Kyouraku era excelente observador. Sorte que não estava acompanhado também do louro debochado. Ele seria mais indiscreto.

- Nada importante.

- Hum... Talvez seja. Soube que um oficial de alta patente terá um acréscimo inesperado no sentido familiar, se é que me entende.

Me entalei. Entendendo nas entrelinhas. Como ele soube disso?! Me mantive calado. Não cairia na indireta. Karin e eu não precisamos já de muita gente aturdida com a gravidez. Basta a atenção indesejada desde aquela noticia no jornal. Ninguém precisa saber de nossa vida.

Kyouraku grunhiu risonho. Acho que transpareci minha irritação com o assunto.

- Chegamos.

Levantei o olhar, em tempo de Akon digitar a senha na trava de segurança, abrindo a porta para nós. A placa de aço deslizou num zumbido e logo entramos num vestíbulo formado por uma passarela de madeira vermelha, o gradil de aço. As paredes brancas refletiam forte a luz no teto que se acendia enquanto avançávamos. Logo adiante, uma entrada dava acesso pelo eco chegando até nós à sala de observação. Ao irrompemos entramos num recinto amplo e oval. A passarela se estendia até o console onde já nos esperavam Kurotsuchi, Hirako e Soi Fong. O louro debochado se virou, sorrindo largo com nossa chegada.

- Oh, Hitsugaya-kun. Achamos que já não vinha.

Estreitei o olhar. Louro debochado... Não se atreva a dizer mais nada. Meu bom humor já estava estragado o suficiente pela indireta do outro capitão. Sorrindo ele entendeu e cruzou os braços por dentro das mangas de seu haori. Ouvi um estalo de língua irritadiço e olhamos para Kurotsuchi. Ele claramente detestou nessa presença.

- Humpf. Já que fizeram o favor de interromper a vigilância em Dangai, calem-se e deixe os que sabem trabalhar.

O que há com ele? Parece mais intragável que o normal. Caminhei até o console parando um pouco atrás de Soi Fong. Ela que lideraria a ofensiva. Dando um olhadinha sobre o ombro, a mulher estreitou o olhar em repreensão pelo atraso. E depois dirigiu até Hirako, ficando mais ferino. Isso me fez levantar a sobrancelha. O que aconteceu antes de chegarmos?

- Já começaram?

Interrompi a troca de olhares deles (Hirako encarava a capitã num ar debochado) e Akon, felizmente se pronunciou.

- O grupo já está atravessando Dangai. Em trinta segundos infiltrará na região 30-08.

Todos calaram encarando o telão de cristal diante de nós. O som dos técnicos predominou o recinto, o tom anasalado do líder do grupo reportando o avanço.

- 10 segundos para a infiltração.

O aviso causou tensão e suspirei observando os oito soldados de Omitsu Kidou correrem por Dangai. No ultimo segundo, de repente, a imagem tremulou e então saiu de foco. Isso não é normal. Soi Fong se virou para o Akon, indignada.

- O que está acontecendo?!

- Verifique o nível de espectro em Dangai agora!

Akon se virou para dois técnicos à nossa direita. O nervosismo se espalhando em todos mediante a respostas deles.

- Nada, senhor.

- Também nada!

- O canal de áudio ainda está funcionando.

Aqui virou um verdadeiro caos. Kurotsuchi estava além de irritado.

- Encontrem o problema seus incompetentes!

- Akira o que está havendo?

Soi Fong berrou autoritária, calando meia dúzia dos técnicos medrosos. Ao meu lado ouvi um risinho. Hirako...

- Ainda não chegamos, taichou. Algo...

Um berro interrompeu a mensagem. O tom enrregelou o ambiente.

- Oie.

O tom surpreso e confuso do loiro debochado imitou o meu próprio.

- O que está acontecendo?

Mais gritos. Eram tão horrendos mesmo com distorção de transmissão de áudio. Soi Fong se apoiou na grade de proteção da passarela, estremecendo irritada. Não tiro sua razão, perdemos por completo o controle da investigação. Encarando um shinigami vestido no jaleco branco, praticamente cuspiu as palavras.

- Me dê logo as imagens! Como vou saber o que estavam fazendo?

Um berro coletivo ecoou pelo canal distorcido de áudio. Todos arfaram de espanto. A minha esquerda Hirako sussurrou incrédulo.

- Estão sendo massacrados!

Franzi o cenho. Embaixo dos ruídos e chiados pude ouvir tinires de aços. Múltiplos e sucessivos.

- É um ataque em massa.

Hirako estalou a língua irritado com a verdade no meu sussurro e notei Kyouraku respirando fundo. Preocupado. As costas da Capitã em nossa frente estavam tensas. Seus punhos fechados e trêmulos de raiva na barra de aço. Ela não aceitou desde o começo não participar pessoalmente da missão, agora ouvia seus soldados morrerem.

De repente, um dos técnicos gritou.

- Conexão restabelecida. Contato em cinco, quatro, três, dois...

No ultimo segundo o telão voltou a exibir a imagem da passagem escura em Dangai. Não havia um sinal de vida. O silencio foi ensurdecedor. Todos pararam de trabalhar, encarando a imagem do Mundo Divisor vazia. Estava quase me deixando levar pelo fracasso quando vi uma nesga de luz, quase escapando.

- Ali. Aproximem daquele ponto.

- Entendido!

Um dos shinigamis que estavam no console frontal logo se prontificou. Um burburinho se iniciou, aumentando enquanto a imagem no telão seguia até o final do túnel espaço-temporal.

- Eles conseguiram chegar ao destino, pelo visto

Hirako e eu demos uma olhada atravessada para Kurotsuchi, calmo nessa crise. Ele sequer aparenta irritado com o defeito das imagens.

- Estranho.

Kyouraku tirou-me a atenção e segui a direção do seu olhar. Na tela de cristal uma planície escura se estendia sem fim. Construções rústicas de pedra apareciam espalhadas e erguiam-se para o alto. Outro ponto escuro. Isso me fez pensar que se tratava de um lugar ao subterrâneo. A vegetação escassa e cinzenta concretizou essa opinião.

- Me parece que o grupo de reconhecimento sumiu misteriosamente após o ataque.

Esse louco estava me dando nos nervos. Quase ria do resultado da missão. No entanto, Soi Fong que mirava a frente tocou no comunicador em sua orelha. Concentrada. Parecia ouvir algo. Então apontou para a tela.

- Adiante, para detrás daquelas arvores.

- Entendido!

Ouvi um grunhido de desgosto e mirei na direção. Kurotsuchi havia fechado o semblante, finalmente contrariado. Sente uma satisfação ao vê-lo assim. Hirako não se manteve calado e soprou num murmúrio audível para a Capitã.

- Ainda bem que exigiu um contato mais direto Soi Fong. Esse aparelho veio a calhar.

O engasgo de Kurotsuchi aumentou. Ele arregalava os olhos, incrédulo para a orelha esquerda da Taichou do 2º Bantai, finalmente vendo entre os cabelos um tom prateado. Soi Fong apenas o olhou séria de esguelha e voltou a encarar o telão. A imagem das arvores se aproxima corrida e acelerada num borrão. De repente, Kyouraku gritou.

- Pare!

Toda a sala de observação entrou novamente em silencio, tornando possível ouvir claramente dois soldados Omitsu Kidou numa clareira. Entre as arvores víamos um deles ajoelhado no chão, de olhos arregalados para o nada enquanto uma cauda sinuosa e alaranjada puxava sua wakisaki para cima, estripando o soldado. O horror mudo aqui dentro dessa sala foi palpável demais. Ele sequer berrou e caiu na própria poça de vísceras e sangue.

O outro soldado estava suspenso no ar pela mesma cauda que matou o outro, seu corpo em arco para trás enquanto convulsionava. O tentáculo do monstro se recolheu de repente para o alto, deixando ao sair do corpo do homem chamas azuis em seu redor. Como se... como se queimasse algo... dentro dele.

O soldado caiu na clareira, pálido e morto. Depois disso a imagem foi cortada.

- Per..perdemos o sinal.

Mas o que foi aquilo?!

Girei para os outros capitães e estavam tão confusos como eu. Hirako franziu o cenho, pensativo.

- Ele fez mesmo o que nós vimos certo?

Ele? Aquele tentáculo não tinha sequer semelhança com uma pessoa.

Se voltando para nós Kurotsuchi acenou dramático e bufando. Seus olhos pareciam entediados.

- A Arte do assassinato é severa para os clãs que ingressam no Esquadrão das Forças Secretas. Certo, Capitã?

Soi Fong ficou quieta por um momento e se virou para nós. Mesmo que aparentasse um pouco confusa, a seriedade dela foi imperturbável.

- Cometer Seppuku é um ritual de restaurar a honra.

Nani?

Ao meu lado Kyouraku cruzou os braços.

- O que me leva a pensar: qual razão levou este homem a se matar?

Estremeci por dentro, chocado e confuso. Eles... Realmente não virão o que vi? Observei discretamente em volta e todos os técnicos pareciam confusos e aturdidos com a cena. Acreditavam piamente que o homem se matou. E nem sequer comentavam do segundo! Os soldados não morreram em suicídio. Algo... Aquilo os matou.

Mas ninguém exceto eu vi.

HITSUGAYA POF

Enquanto isso, dentro da área do 4º esquadrão, precisamente num corredor do quarto andar do Posto Médico Geral. O líder do 7º pelotão de paramédicos encarava o nada, sentindo cada vez sua energia minguar, a medida que um fogo infernal o incinerava por dentro. A sensação que tinha ao enxergar as paredes esverdeadas mais turvas, o piso polido de madeira.

Num ponto em sua mente, sabia estava morrendo, mas não via o atacante, muito menos a forma de ataque. Algo intangível incinerava todas as suas energias e sua alma extinguindo-as pouco a pouco. A bandeja de comida escorregou de suas mãos e ouviu um movimento a frente, do quarto onde devia entregar a comida.

Com o resto de suas forças, sussurrou para a menina shinigami parada no corredor.

- Corra.


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