InícioPortalCalendárioGaleriaFAQBuscarMembrosGruposRegistrar-seConectar-se

Compartilhe | 
 

 A paixão do capitão de gelo - Capitulo XVI

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo 
AutorMensagem
charlote-chan
Rank: Cabo
Rank: Cabo
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 38
Personagem Favorito : Toushirou, Karin, Asuna, Kirito, Ichigo, Natsu, Lucy, Erza, Juvia, Gray, Shaoran, Sakura, Kurogane, Tomoyo, Rukia, Byakuya, Sesshouramu, Kagome e entre outros
Anime Preferido : Bleach, Fairy Tail, SAO, Sakura Card Captors, Tsubasa Chronicle (OVAs), InuYasha, Dragon Ball Z, Ao no Exorcist, Vampire Knight, Toradora e muitos outros (shonen e shoujo:3)
Localização : Pará
Data de inscrição : 31/05/2014

MensagemAssunto: A paixão do capitão de gelo - Capitulo XVI   Dom 31 Ago 2014 - 5:18

Jigoku no Togabito

Na loja de Urahara Kisuke pode-se encontrar uma variedade de produtos nada convencionais e que apenas certos clientes podem comprar. Clientes estes vindos principalmente de Soul Society. Shinigamis. Apesar da aparência um tanto curiosa (sandálias de madeira, kimono verde e chapéu listrado) Urahara era um excelente cientista, além de um ex-shinigami. Melhor dizendo, ele era um ex-capitão do Gotei 13.

Qualquer problema relacionado à Soul Society e Karakura chegava até ele e logo investigado pelo mesmo. No entanto, os dois Capitães que se encontravam em sua loja nessa noite não vieram fazer exatamente uma visita. Muito menos envolvia uma emergência a mando do Soutaichou. O assunto era mais pessoal.

Principalmente para o Taichou do 10º bantai. Hitsugaya Toushirou.

HITSUGAYA POV

- Shiba Taichou...

Repeti estarrecido, ainda sem fôlego. Enquanto isso, o louro debochado cuspiu o chá. A chuva da bebida passando pela mesa. Percebi vagamente que Urahara se inclinou pra longe enquanto que o shinigami encostado no batente levantou a sobrancelha, risonho.

- Hirako-san, o que está fazendo?

Hirako não respondeu. Tossiu mais um pouco e bateu sua caneca na mesa.

- Como assim? Você acabou de chamar a irmã de Ichigo de filha?!

O shinigami apenas olhou para Urahara com ar entediado.

- Pensei que tivesse dito pra ele, Urahara.

Olhei surpreso para este. O outro louro debochado ajeitou o chapéu listrado dando um sorrisinho sem graça.

- Não me culpe. Achei que todos da Brigada sabiam.

Então olhou para mim, divertido do meu choque. Isso me irritou. Nesse instante, Tessai entrou no cômodo carregando um pano. Sem dizer nada limpou a sujeira que Hirako fez e saiu. O silêncio constrangedor doía em meus ouvidos. Suspirando encarei o pai de Karin, me perguntando como não percebi algo tão óbvio.

- Faz sentido.

Sussurrei e tomei um pouco do chá. Já me refazendo do susto.

- O quê Toushirou?

O encarei de lado. Capitão Shiba me olhava curioso e pousei a caneca na mesa.

- A semelhança incrível de Kurosaki com seu sobrinho.

Ele quase riu.

- Ah, Kaien. Mas meu filho é muito mais explosivo – então olhou um pouco à minha esquerda – Algum problema, Hirako taichou? Parece entalado.

Me virei e realmente o louro debochado o encarava chocado. Seu olho tremendo e puxava o ar sufocado como se tentasse, mas não conseguisse dizer nada. Isso me aliviou um pouco. Saber que não fui o único nessa sala a ser pego de surpresa diminuiu mais meu choque. Ouvi um pigarro e encarei Urahara. Seu leque fechado numa mão e com uma máscara de seriedade retomou a conversa.

- Bem, como eu ia dizendo, por causa da conexão há uma troca de suas reiatsus. Isso não é algo por assim dizer... Preocupante.

Arregalei os olhos.

- Como não?! Karin acabou numa enfermaria em Shinourijutsuin. Depois foi levada ao 4º esquadrão – disse com certo azedume, mas continuei – O esgotamento da energia espiritual dela é mais que preocupante. Grave.

Urahara apenas me olhou calado e ouvi um suspiro pesado. Me virei na direção e Shiba me encarava sério, expressão essa rara pra ele.

- Isso aconteceu porque drenava o poder dela Toushirou.

Prendi o fôlego e desviei o olhar. Ouvir o próprio pai dela me dizer isso... Fez com que sentisse um aperto no peito, áspero e que me remoia.

- Tem razão.

Encarei a mesa e novamente o silêncio. Pela visão periférica vi Hirako se curvar me olhando solidário.

- Não se martirize. Você não sabia.

Mas isso não muda o fato que a deixei doente. Todos ficaram quietos até que escutei Urahara dizer.

- Ele gosta mesmo dela.

Levantei a cabeça, espantado. Hirako e ele sorriam para mim e pude sentir até o olhar do shinigami encostado no batente. Abrindo mais o sorrisinho divertido, Hirako pegou seu chá e me olhou de lado sobre a borda.

- De fato. Hitsugaya-kun, você está apaixonado pela garota, não é?

Um calor subiu pelo meu pescoço com a ênfase, tomando meu rosto. O sorriso de Hirako aumentou e estreitei os olhos, relanciando para Urahara. Esse escondia parte do rosto atrás do leque, mas era óbvio que também sorria. Suspirei me irritando. Louros debochados.

- Isso não é...

- Ah, mas só pela sua cara vermelha dá pra saber.

Encarei meu ex-capitão e o jeito como me observava me desconcertou mais. Meu pulso acelerou de mais vergonha. Era divertido e malicioso. Ele estreitou os olhos e se encostou mais no batente.

- Me diga uma coisa. Vocês já...?

Me entalei com a insinuação.

- Claro que não!

Que tipo de pai faz uma pergunta dessas?!

Ele acenou satisfeito. Sua expressão séria outra vez.

- Ainda bem. Os lábios virgens da minha filha são como um santuário, Toushirou. É bom saber que a respeita.

Não disse nada. Peguei minha caneca bebendo mais chá e tentei me acalmar. Então era disso que ele estava falando. Isso me aliviou, porem fiquei nervoso por um lado. Se Shiba soubesse que fiz mais além de beijá-la... Um sonoro pigarro interrompeu meu devaneio. Levantei os olhos pousando a caneca na mesa. Urahara não sorria e estava incrivelmente sério. Porem seus olhos mostravam o quanto ria por dentro.

- Retomando a explicação, não é grave sua situação com Karin-san, Hitsugaya. Pelo o que sei ela é bastante forte. Controlar a troca de reiatsu entre vocês não será problema. Você é o Mestre dela, não é?

- Hai.

Sorriu amistoso e entendi o que queria. Me tranquilizar. Como Shiba não comentou nada, apenas continuou quieto, supôs que ele já sabia disso. O que me levava a pensar no motivo de estar aqui.

- Então a doença deve ser porque o corpo dela está se acostumando.

Falei mais pra mim mesmo, pensativo.

- Hai. – ouvi o leque abrindo – em questão de dias logo ela ficará normal ou tão quanto num caso desses.

Franzi as sobrancelhas.

- Como assim?

- Conectar a alma com outro espirito não é comum. A última ligação que se tem noticia foi há quase sessenta anos.

Me virei para Hirako, seu divertimento desaparecido. Se endireitando ele assumiu um ar mais sereno.

- A sua conexão com a garota é algo que espantou até o Comandante.

Pestanejei, surpreso.

- O Soutaichou...

- Sabe desde o dia do ataque. Unohana e eu contamos pra ele.

Tomou mais um pouco do chá, alheio ao meu espanto.

Deveria estar incomodado por tantas pessoas saberem antes de mim, mas tudo o que senti foi uma compreensão inquietante. Isto é sério. Algo realmente sério. Agora faz sentido, naquela reunião o Comandante me observava de modo analítico. Levantei o olhar, encontrando-o de Urahara. Ele abanava o leque me encarando impassível.

- O que houve com o casal?

Levantou as sobrancelhas, sorrindo disfarçado.

- Perdão?

- Disseram que há sessenta anos houve outra ligação. Suponho que isso aconteça entre casais.

- Correto. Bom, no caso deles foi... Digamos... Diferente.

Urahara sorriu mais afetado e olhou para o lado, escondendo o rosto atrás do leque. Fiquei desconfiado.

- De que modo?

- Etto...

- Ela morreu.

Arregalei os olhos (quantas vezes será que fiz isso hoje?) e me virei para pessoa. Shiba que até então se mantinha fora da conversa nos encarava mais sério e percebi que seu olhar se concentrava em mim. Levei uns segundos pra entender que não era receio, nem temor. Era condóido.

- O marido era um shinigami de elite. Com alto poder espiritual. Mas sua esposa não. Ela ficou muito debilitada e sua imunidade baixou. Uma simples doença e não resistiu.

O silêncio outra vez reinou naquele cômodo e de repente entendi. Ele os conhecia. Shiba Isshin os conhecia. Baixei o olhar, voltando a encarar a mesa e pensei no marido. Ele deve ter sentido uma dor horrível.

- Ah, mas não se preocupe Hitsugaya. Karin-san tem um grande poder espiritual, mesmo que não seja do nível de um capitão como o seu.

Não encarei Urahara, continuei pensando no que me contaram e planejando sobre minha situação.

- Eu sei. Só o fato de controlar parcialmente You Ou demonstra isso.

Outro silencio. Então me levantei.

- Obrigado.

Me virei para Hirako, reparando que ainda estava sentado.

- Vai ficar mais um pouco pelo visto.

Ele sorriu.

- Senão se importa ainda tenho alguns assuntos para discutir com Urahara.

Reparei no seu jeito. Com certeza.

- Como quiser.

Me virei indo até a porta de correr à direita. Antes de cruzar o beiral, porem, olhei para Shiba encostado no batente. Ele levantou as sobrancelhas, curioso.

- O que foi Toushirou?

- Posso conversar com o senhor?

Piscou mais curioso.

- Claro.

Saí no corredor e ele me seguiu fechando a porta atrás de si. Segui até uma porta que notei no final e saí na loja. Continuei andando e só parei quando estávamos do lado de fora. A brisa noturna soprou um pouco, me relaxando. Percebi que ele parou atrás de mim e a tensão me tomou.

- Então, o que queria falar comigo?

Suspirei encarando o vazio. Aproveitaria essa oportunidade. Me virei e o pai de Karin estava de braços cruzados, me olhando curioso e então resolvi ser direto.

- Quero namorar sua filha, senhor.

Ele nem pestanejou ou arregalou os olhos. Continuou me encarando calmo, mas curvou os lábios risonho. Confirmando minhas suspeitas. Então foi pra isso que ele veio.

- E...

- Poderia me dar sua permissão?

Falei bem devargar. Demonstrando o quanto estava levando a sério esse pedido. Em segundos o sorrisinho aumentou e ele estreitou os olhos. Divertido. Senti um leve incomodo, mas continuei sério.

- Porque?

Meu incomodo aumentou. Isso me fez lembrar do tempo que era seu 3º oficial. Matsumoto vivia o perseguindo pra trabalhar e despreocupado (além de hábil em se esconder) ele fugia dela o dia inteiro enquanto toda a burocracia do esquadrão ficava por minha conta. Vez ou outra fazia piadas e gracinhas, me torturando como agora.

- E então? Porque quer namorar Karin, Toushirou?

Engoli em seco e desviei o olhar. Sentindo o rubor me subir outra vez.

- Ela...

Ofeguei um pouco e apertei os punhos, nervoso. Meu pulso acelerava e meu peito doía. Vamos, diga! Era tão simples, palavras apenas. Mas não conseguia dizer. Toda vez que tentava minha língua travava, ressecando mais minha garganta com esse nervosismo. Ouvi um suspiro pesado e olhei para Shiba. Seu sorriso abriu mais divertido enquanto estreitava os olhos. Isso só aumentou meu incomodo.

- Se não falar minha resposta será não.

Me espantei.

- Comigo é diferente, rapaz. Não sou como Ichigo. Vai ter que me convencer.

Engoli em seco e suspirei. Por isso ele sabia que eu faria o pedido.

- Kurosaki te contou.

O sorriso se transformou numa risada. O que me irritou um pouco.

- Ichigo chegou em casa espumando e o obriguei a me contar.

Riu mais e imaginei como a notícia foi recebida. Shiba parou de rir e me encarou esperando. Segurei o impulso de bagunçar o cabelo, não que tivesse essa tendência, mas sentia vontade. Minha cabeça estava cheia de tudo em relação à Karin e isso me atordoava, me impedindo de pensar. Desviei o olhar e respirei fundo, tentando me acalmar.

- Senhor, sua filha...

- Hai?

O tom risonho me deixou mais nervoso. Acalme-se!

- ... Ela me faz sentir coisas que não consigo explicar.

Arregalei os olhos. Mas o que estou dizendo?! Olhei para ele e pela sobrancelha levantada, Shiba não entendeu nada do que quis dizer com essa frase cheia de sentidos. Gemi de desgosto e encarei o chão. Porque é tão difícil? Eu sei já faz um tempo e mesmo assim não consigo me expressar.

- Oe, você...

- Não gosto de vê-la sofrer.

O interrompi tentando de outra maneira e percebi que se interessou. Afinal, ele me conhece. Sabe o quanto era difícil pra mim o que estava fazendo.

- Mesmo que não seja do seu feitio chorar não quer dizer que não sofra. Karin é valente, como nunca vi igual, mas frágil também.

Estreitei os olhos para o vazio. Lembrando do dia que abri seu pulso e a fiz chorar. Me arrependo tanto disso. Ainda não esqueci seu grito me mandando ficar longe dela. Suas lágrimas derramando. Quando se afastou de mim e sumiu senti algo que nunca mais quero sentir outra vez. E até hoje me dói ao lembrar.

- Me preocupo com ela e às vezes surge uma raiva irracional quando outro se aproxima.

Fechei os olhos por um momento.

- Hoje senti ganas de surrar Abarai e tudo o que fez foi levá-la ao 4º esquadrão.

Voltei a encará-lo. Se estava surpreso não demonstrou. Continuou me olhando sério e escutando.

- O que estou tentando dizer que é sua filha é preciosa para mim. Tanto que não posso...

- Tudo bem, já entendi.

Ele me interrompeu revirando os olhos. Isso me irritou.

- Mas..

- Toushirou, eu sei. Você se apaixonou.

Parei no mesmo minuto. O rubor que havia sumido tomando meu rosto. Ele quase riu disso e suspirei de raiva. Porque me fez passar por isso, então? Percebendo levantou uma mão, tentando segurar um risinho. Igual há vinte e cinco anos...

- Oe, oe. Calma. Eu só queria saber. Afinal de contas você ficou tão entalado e vermelho na sala de Urahara. Isso atiçou minha curiosidade de pai.

Riu um pouco mais e suspirei de raiva. Tentando me controlar apesar do calor de vergonha que me tomava. Respirando mais calmo, continuou.

- Karin nunca teve um namorado. Acredite, eu sei. Mas fico aliviado que o primeiro seja alguém que eu conheço. Filhas são como um tesouro. Não é fácil entregar pra qualquer um, mas como é você...

Deu os ombros como se não fosse preciso explicar. Segurei um arquejo.

- Então...

Ele sorriu.

- Você tem minha permissão. Mas Toushirou – seus olhos estreitaram – se fizer a Karin sofrer eu e Ichigo faremos picadinho de você.

Apesar do sorrisinho a ameaça era clara. Meu nervoso desapareceu.

- Não vai acontecer.

- Acho bom.

Me virei sacando minha espada e me concentrei um pouco. Quando a reiatsu fluiu para a zanpakutou apontei para frente e estiquei o braço, a lâmina sumindo no vazio. Torci o punho e uma luz multicolorida se retorceu. Puxei a lâmina, o som de stacatto ecoando e dando lugar para duas portas de correr se abrindo, um clarão branco apareceu e a borboleta do inferno saiu do portal. Guardei a zanpakutou na bainha e antes de entrar no Seikamon escutei.

- Ah, Toushirou. Você tem que dizer à ela.

Olhei sobre o ombro, confuso e Shiba sorriu de canto.

- As três palavras. Toda mulher adora ouvir.

Me entalei entendendo e rápido me virei entrando no portal, mas não sem antes ouvir uma risada. Enquanto corria no Dangai estalei a língua.

- Ainda o mesmo de sempre.

HITSUGAYA POF



Na loja de Urahara. Hirako e o anfitrião ainda estavam na sala, mas olhavam para o vazio, sem trocarem uma só palavra. Depois de uns minutos, Hirako suspirou.

- Eles já foram.

Se virou para Urahara, sério.

- Porque não disse à ele?

Ainda pensativo Urahara inclinou a cabeça, a sombra da aba do chapéu cobrindo um pouco seus olhos.

- Ainda é muito cedo e Hitsugaya duvidaria.

Hirako se irritou.

- Nós dois sabemos o quanto é perigoso mexer na estrutura de uma alma. Você viu como estava a reiatsu dele!

O outro nem pestanejou.

- Instável.

Pegando sua caneca bebericou o chá, agora quase morno e continuou.

- Contudo, conexão de almas é diferente de uma hollow-ficação. Não está forçando a alma dele à romper barreiras.

- Não, está misturando os poderes dele com os da menina.

Hirako bufou tomando seu chá também. Quando o abordou no pátio do 4º bantai quase não reconheceu o jovem Capitão.

- As emoções dele estão afetando seu controle de reiatsu.

Urahara pousou a caneca na mesa.

- Eu notei. É mesmo surpreendente que tenha tanta ainda jovem.

- Mas se esquece que Hitsugaya ainda não domina plenamente seus poderes.

Os dois se encaram.

- Essa é a questão.

- Exatamente.

A razão para que Hirako e Unohana contassem ao Comandante sobre a conexão era bem simples e ao mesmo tempo preocupante. Mesmo que tenha acontecido sem saberem, Toushirou e Karin se uniram de maneira irreversível. E já provaram o quanto podem fazer lutando juntos. O fato que nenhum do casal não domina por completo seus poderes espirituais inquietava. Imagine lidando com os do parceiro!

Urahara se calou preferindo esperar e observar. Afinal, pelo o que notou Hitsugaya ainda não teve contato com a entidade da zanpakutou de Karin.



KARIN POV

A primeira coisa que me tirou do torpor foi o cheiro de estéril no ar. Algo tão familiar pra mim que por um momento pensei que tivesse dormido numa das macas na clinica do meu pai. Mas então vozes abafadas chegavam aos meus ouvidos. Elas foram aumentando até que consegui entender.

- Tem certeza?

Um homem perguntou. Eu conhecia essa voz.

- Claro. A própria capitã Unohana me disse. Agora tudo o que ela precisa é de descanso.

- Arigatou.

A voz da mulher me era estranha. Ouvi passos se afastando e depois uma porta se abrindo. A cacofonia me trouxe um jorro de lembranças antes de ser abafada pela porta outra vez. Mal estar, tontura e ânsia. Pensei ter ouvido passos se aproximando. Isso me fez estranhar. A mulher que conversava com o homem estava saindo daqui. Alias, onde é aqui?

Tentei abrir os olhos (pareciam pesados) e consegui um pouco. As paredes verde menta embaçaram e doeram minha cabeça. Gemi fechando os olhos de novo e lembrei onde estava. No 4º esquadrão. Precisamente, deitada num leito no pronto socorro.

- Renji.

Chamei. Era ele o homem que falava com a mulher.

- O que foi Karin?

Franzi a testa. Pergunta estranha. E a voz dele parecia nervosa. Eu achei que tivesse me ouvido quando gemi de dor de cabeça e havia mais uma coisa. Pela pergunta, percebi que estava longe de mim.

- O que aconteceu?

Abri os olhos outra vez, lentamente e suspirando. Agora podia ver as paredes direito e ouvir as vozes abafadas no corredor. Como percebi estava deitada de lado e a minha frente alguns leitos vazios enfileirados até a porta.

- Sobre mais cedo?

Novamente a voz nervosa. Isso me deixou desconfiada, mas resolvi não perguntar.

- É.

- Ah... Você...

- Desmaiou enquanto andava no corredor em direção à saída.

Arregalei os olhos, prendendo o fôlego. Apoiei a mão no colchão e me ergui um pouco, virando para o pé do leito. Parado e de braços cruzados, Toushirou me encarava sério. Sei que devo estar pálida pelo mal estar, mas senti todo o sangue fugir do meu rosto. O modo como ele me olhava parecia que estava muito, muito irritado comigo. Engoli em seco e sentei direito, encostando na parede atrás de mim. Foi nesse instante que senti um leve latejar na têmpora.

- Itai!

Toquei o lugar e senti um pequeno curativo.

- Você bateu a cabeça quando caiu, mas não sofreu uma concussão. Relaxe.

O encarei outra vez e me espantei de novo. Toushirou suspirava mantendo uma aparência calma, mas seus olhos o delatavam. Ele se segurava, percebi pelos seus braços cruzados, apertados e tensos. Nesse instante, vi Renji um pouco mais atrás dele. Estava do outro lado do cômodo encostado numa das macas, suas mãos nos bolsos. Seu rosto era uma máscara, mas sua voz ao falar comigo era nervosa. Tentei sondar sua reiatsu confirmando se tinha algo errado quando me espantei. Ofeguei assustada e Renji percebeu.

- O que foi Karin?

- Eu, eu não consigo...

- Sentir a reiatsu dele?

Encarei meu capitão. Agora tenho certeza. Toushirou estava bravo. Eu deveria sentir pela sua reiatsu, mas como Renji também não consegui. De olhos baixos ele piscou inclinando a cabeça.

- Não consegue por causa da sua condição. Mas não se preocupe. É temporário.

- Que, que condição? Descobriram que eu tenho?

Olhei de um para outro, mas tanto Renji como Toushirou ficaram calados. Encarei o tenente. Ele estava conversando com alguém.

- Renji, ainda pouco tinha uma mulher aqui. O que ela disse?

Ele me olhou confuso e já me responder quando ouvi um suspiro pesado, irritado.

- Até quando vai me ignorar, Kurosaki?

Me entalei. E detesto admitir estremeci de medo. Com seu tom me virei para ele e entendi a expressão “soltando faíscas pelos olhos”. Toushirou me encarava com uma raiva, mas como vi se segurava e também ele me chamou de Kurosaki.

- Etto... vou sair um pouco. Tomar um ar.

Encarei Renji indo mais que rápido até a saída. Covarde! Vai me deixar sozinha com a fera!

- Hei.

- Deixe.

Parei no mesmo minuto. Engolindo em seco. A porta abriu deixando o som da cacofonia no corredor entrar e depois se fechou, com um baque que ecoou nesse cômodo enorme. Olhei para minhas mãos, cruzadas no colo enquanto criava coragem para encará-lo. Mas estava difícil. O clima pesado e seu silêncio não ajudavam em nada. Além do mais, seu olhar estava cravado em mim. Pigarreei, começando essa conversa tensa.

- Daijubou-ka?

- Por quê?

Reprimi um gemido. Pelo visto vai demorar.

- Parece tenso.

- Tive um dia estressante, Karin.

Respirei de alivio. Pensei que voltaria a me chamar pelo sobrenome.

- Porque me chamou de Kurosaki ?

- Você me obrigou.

Levantei a cabeça. Toushirou estava mais sério, sua raiva aparecendo mais. Franzi as sobrancelhas me indignando.

- Como foi que eu fiz isso?

- Desde que acordou evita me encarar.

Minha indignação sumiu. Era verdade mesmo. Seus olhos se estreitaram.

- Por quê?

Encolhi meus ombros e resolvi ser franca.

- É essa sua raiva. Alias, posso saber o motivo?

Cobrei começando a me irritar também. Ele não podia negar. Estava evidente demais. Suspirando meio contrariado, Toushirou cedeu um pouco.

- Porque pediu que Abarai te buscasse na Academia?

Pisquei.

- O que?

- Não me responda com outra pergunta.

Agora sim me irritei.

- Você começou.

Sua tensão voltou. O verde de seus olhos endurecendo de raiva.

- Responda Karin.

Ofeguei mal acreditando. Minha primeira discussão com o namorado! Ou será que era a terceira? Ah, tanto faz.

- Eu não podia ficar lá. A enfermeira disse que alguém devia me buscar e levar até aqui.

Toushirou me encarou mais desconfiado.

- E de imediato pensou em Abarai?

Realmente não tou acreditando nisso. Soltei as mãos e bati no colchão me inclinando para frente. Que insistência!

- Eu pedi que chamassem a Rukia, mas ela foi ao Mundo dos Vivos com Ichi nii. A pessoa mais próxima que tinha era o Renji. Sinceramente, qual é o seu problema?

O encarei confusa e irritada, mas Toushirou ficou calado. No silêncio do cômodo amplo a resposta me veio, sem precisar ele me explicar. Arregalei os olhos aos poucos e vendo Toushirou estreitou os dele estremecendo e virou o rosto, mas era claro o leve vermelho que subia por ele. Tomando.

- Ai, meu...

Ofeguei e o vermelho aumentou de tom. Calei a boca. Piscando surpresa e engolindo em seco. Encarando minha calça vermelha senti o constrangimento que ele estava sentindo. Por isso o nervoso de Renji, a raiva e as perguntas.

Ele estava com ciúmes!

Pensei que teria um ataque de risos quando visse, mas não sabia nem o que dizer. Toushirou é tão seguro de si. Ver esse lado vulnerável e ainda por minha causa me fez sentir um incomodo. Se vi bem, ele estava se contendo. O silêncio antes carregado ficou constrangedor. Pigarreei, retomando a conversa agora estranha.

- A primeira pessoa em que pensei foi em você. Mas com ataque das quimeras à cidade, a semana toda...

- Eu sei. Hoje fiquei o dia inteiro no esquadrão. Não havia como você saber.

- Ah.

Silêncio de novo. Então lembrei do motivo que me fez levantar do leito mais cedo. A razão porque estava no corredor quando desmaiei outra vez.

- Toushirou.

- Hum.

Ele me encarou mais calmo. Sua reiatsu emanando tranquila sem aqueles picos de raiva. Então pestanejei. Reparando, ele soltou os braços e andou até o lado direito. Ficando mais perto de mim.

- O que foi?

- Posso sentir de novo.

Piscou entendendo.

- Reiatsu?

- É. – suspirei aliviada sentindo a minha própria aumentar, voltando ao normal – Que bom. Já tava preocupada.

- Eu disse que seria temporário.

Olhei pra direita e arfei de leve. Ele estava mais perto de mim do que pensei. Sentada na maca ficava apenas alguns centímetros maior que ele. Toushirou cresceu mais nesses anos do que pensei. Lembrei de ontem. De quando estávamos na área verde, mas pela expressão calma ele não ia me beijar. Fiquei um pouco amuada.

- O que ia me perguntar?

Ah, tinha me esquecido. Desci as pernas e me sentei de frente pra ele. Toushirou se afastou um pouco, mas continuou perto de mim.

- Você veio aqui mais cedo, não foi? Senti sua reiatsu.

Levantou as sobrancelhas.

- Ah.

Abaixou a cabeça me confundindo. Já ia perguntar o que houve quando suas mãos pegaram as minhas, tirando do colchão. Arfei sem querer. Dando um passo ele se aproximou mais a ponto que tive de afastar minhas pernas, deixando que ficasse entre elas. Ofeguei nervosa e confesso, acalorada. Claro que eu não estava sentada bem na beirada, portanto Toushirou não estava colado em mim... Como naquele dia. Puxa, foi no começo da semana, mas parecia há tanto tempo. Olhei de relance para a porta, sentindo seus polegares roçarem nos meus pulsos, indo e voltando...

- Toushirou, alguém pode ver a gente.

- Ninguém vai entrar aqui.

Olhei pra as mechas brancas, pois continuava de cabeça baixa.

- Como você sabe?

Levantou o rosto um pouco e curvando os lábios convencido umas mechas caíram nos seus olhos. Prendi o fôlego. Desde quando ele tem tanto charme assim? E porque estava jogando agora em mim?

- Enquanto andava pelo prédio procurando onde estava, um shinigami me abordou dizendo que minha namorada descansava aqui.

O brilho no seu olhar aumentou quando disse “namorada”.

Meu rosto esquentou. Baka! Baixei o olhar querendo encarar meus joelhos, mas o que vi foi o laço branco da faixa que segurava sua calça. O calor aumentou e antes que levantasse a cabeça, Toushirou se inclinou apoiando a testa na minha. Fechei os olhos soltando o ar. Sentindo algo me inundar. Era morno, terno e me estremeceu levemente. Um tremor ecoou o meu e o cheiro gelado de menta me relaxou mais. De tão perto assim, nossas respirações se encontravam, banhando nossos rostos.

Soltei um suspiro.

- Isso é bom.

- Mas isso é melhor.

Sua testa se inclinou e senti seu rosto roçando no meu, devagar. Suspirei de deleite pelo carinho. Demorei a perceber seu fôlego pairando na minha boca e abri os lábios. Ao levantar um pouco o rosto eles se roçaram nos seus, entreabertos. Devia ser tentador, mas era gostoso também. O mínimo toque com a respiração dele entrando e saindo da minha boca. Toushirou inclinou mais o rosto e prendeu meu lábio inferior entre os dele. Soltando e fazendo a mesma coisa com o outro. Quando me mordiscou fechei os lábios, encaixando nos dele.

Eu derreti e ele gemeu rouco.

Ficamos uns minutos assim. Mordiscando e trocando um leve beijo. Quem diria que assim seria bom também. A sensação morna apenas aumentava. Tudo o que eu escutava eram os estalos dos nossos lábios se prendendo e soltando. Puxando nessa doce provocação. Porque ele queria me provocar. Como eu fazia também. No entanto, estava perdendo. Minhas palmas formigaram e puxei os pulsos. Toushirou me segurou e tentei me soltar outra vez, mas seu aperto aumentou. Resmunguei e o ouvi sorrir antes que me beijasse de novo e se afastasse. Seus olhos estavam risonhos enquanto os meus, frustrados.

- Não.

- Porque? Não vou bagunçar.

Minha voz saiu dengosa? Não acredito. Olhei desejosa seus cabelos, eram tão macios. Puxei os pulsos e ele me segurou.

- Desista Karin.

O encarei emburrada.

- Quando rouba minhas fitas não tem problema, mas se quero segurar seus cabelos não deixa.

Ele quase riu e se afastou mais. Finalmente soltando meus pulsos.

- Não vai segurar apenas.

- Não entendi.

Franzi a testa e ele suspirou. Seu ar era quase risonho, mas havia um quê de constrangimento também.

- Na última vez você me arranhou. Kyouraku e Hirako viram e fizeram questão de me dizer.

Arregalei os olhos. O desejo esquecido quando pensei na vergonha que ele passou.

- Ai. Eu, eu não queria. Então naquela reunião que a Rangiku te chamou... Espera, eles disseram que fui eu?

Fiquei horrorizada, mas Toushirou negou com a cabeça.

- Não foi preciso. Hirako estava aqui quando Unohana tratou de sua perna. Ele me viu te levando embora no colo. Quanto ao Kyouraku...

Deixou a frase no ar e gemi de remorso. Que vergonha. Toushirou me encarou calmo, mas se divertia. Agora. Mas eu tenho certeza que na hora tudo o que ele queria era sumir. Porque se fosse comigo também queria.

- Gomem. Prometo que não faço mais isso.

- Porque?

Fiquei confusa.

- Você não quer mais, não é?

Ele se aproximou de novo e me espantei quando suas mãos foram direto aos meus quadris. Minhas pernas ainda estavam afastadas e ele ficou entre elas. A malícia no seu rosto me fez lembrar numa explosão daquele dia. Ele me beijando, depois me abraçando e em seguida, me jogando contra parede fazendo... Tocando... Meu rosto queimou.

Vendo, ele quase riu e me agarrou, me puxando devagar. Quase gritei e empurrei seu peito.

- Não. Ficou louco?

Ele não riu, nem sorriu. Só curvou os lábios e estendeu mais os braços, chegando mais perto e cruzando as mãos nas minhas costas. Com essa proximidade segurei o fôlego. Afinal, o seu cheiro é gostoso, além de que meus braços ficaram presos contra seu peito e estávamos numa posição constrangedora. Ainda lembrava do pânico da Rangiku quase nos pegando.

- Me solta.

- Ninguém vai entrar aqui, Karin.

O encarei atravessada, parando de me mexer.

- Ah, sei.

Ele quase riu.

- Como é cética. – cruzando as mãos nas minhas costas ele afrouxou o aperto – Voltando ao assunto eu estive sim.

Fiquei confusa.

- Do que você tá falando?

- Você me perguntou se vim aqui mais cedo e sim, eu vim. Só que... Não era em boa hora.

Ele piscou e vi vergonha em seus olhos, junto com preocupação. Isso me inquietou.

- Por quê?

- Disse que sentiu minha reiatsu de longe, não foi?

Acenei e ele suspirou abaixando o olhar. Seus dedos começaram a fazer um carinho na base da minha coluna.

- Mais cedo, Hinamori foi ao meu gabinete. Perguntando a respeito de nós. Ela não aceitou quando confirmei e me disse que você chamou Abarai para te trazer aqui.

Eu não acredito! Aquela vaca!

- Senti uma raiva sem palavras e tentei me acalmar. No entanto, minutos seguintes corria pra cá transtornado de ira.

Ciúmes. Mas fiquei quieta.

Levantou a cabeça e me espantando com a emoção que tentava segurar. Angústia.

- Karin, você desmaiou por minha causa.

Olhei bem pra ele e vi que acreditava piamente nisso. Sacudi a cabeça.

- Não. Escuta, você não pode se culpar pelo o que aquela sua amiga...

- Estou falando sério.

Me cortou agoniado e parei. Então se controlou.

- Diga se estou mentindo, mas durante esses dias sentiu-se cansada e fraca. Seu poder espiritual sugado como se fosse te arrancar as estranhas.

Ofeguei. Eu não tinha contado pra ninguém.

- C..como sabe?

Ele suspirou agoniado. Me deixando agoniada.

- Estavam certos.

- Quem estava certo?

Me agitei no seu abraço e ele me apertou. Agora entendi porque fez isso. Não foi pra me provocar. Foi pra me segurar. Eu sentia uma histéria vindo, subindo devagar e ele ainda nem me disse tudo.

Se controlando Toushirou assumiu uma expressão determinada, igual quando foi me dizer que faríamos a barricada no quartel do 12º bantai.

- Unohana. Hirako e Urahara. Eles disseram que nós dois fizemos algo sem saber e agora estamos sentindo os efeitos.

Estremeci ofegando e ele me estreitou mais entre seus braços ternamente.

- Ligamos nossas almas.

- O que?

Minha voz saiu sem fôlego?

- Entrelaçamos nossas almas, Karin. Para sempre. Agora minha reiatsu flui até a você e a mesma coisa para mim. Sempre vamos saber onde o outro estará e caso estiver em perigo vou ouvir você e irei te socorrer. Aonde for.

Parecia uma promessa, um juramento e entendi assombrada que dizia a mais pura verdade.

- Combinar nossos poderes pra lutar naquele dia resultou nisso e eu sinceramente, nem sei o que pensar.

Estremeci encarando o vazio e ele esperou, me deixando digerir o assunto. Mas mesmo assim...

- Isso, isso é...

Seus braços me estreitaram mais.

- Eu sei.

Olhei para ele e sua calma me irritou.

- Sabe mesmo?

Piscou confuso.

- Como assim?

- Parece muito tranquilo, como se tivesse aceitado muito bem.

Pelo seu olhar percebi que se irritou.

- Só porque pareço calmo não quer dizer que não me fiquei abalado. Acha mesmo que gostei de saber que drenava sua energia nos últimos dias e quase te matei duas vezes?!

Fiquei muda. Então seus braços me soltaram.

- Não. Você não sabe.

Toushirou se afastou me dando as costas, mas eu consegui ver o quanto ficou magoado com o que disse. Mas poxa, meus nervos estavam em frangalhos. Ligação de almas? É uma ideia difícil de acreditar. No entanto lembrei da sensação do frio enquanto me refazia dos desmaios. Congelante igual a sua zanpakutou. Não podia ser coincidência. Ouvi um barulho e olhei na sua direção. Toushirou estava do outro lado do cômodo, à sua frente uma mesa comprida e forrada num lençol e em cima dela estava minha mochila. Ele havia pegado minha zanpakutou e passou a correia pelo pescoço pendurando-a atravessada em suas costas ao lado da sua.

Com a outra mão pegou minha mochila e se virou caminhando até mim. Pelo olhar baixo e expressão séria ainda estava chateado. Eu não ia dizer nada também.

- Vamos.

Me entregou a mochila e peguei de má vontade.

- Aonde?

Ficando ao meu lado senti seu braço dando a volta nas minhas costas, me puxando pra ele.

- Ao esquadrão. Unohana já te deu alta e não, não pode ir pra casa.

Me encarou sério, bem no instante que ia protestar. Fechei a boca e emburrei. Satisfeito por que fiquei calada ele se abaixou e passou o braço na dobra dos meus joelhos, me erguendo e tirando da maca. Arregalei os olhos e comecei a me agitar enquanto andava.

- O que está fazendo?!

- Pensei que fosse obvio.

Ele sequer me olhou. Me irritei e esperneei com mais força a ponto dele não conseguir me segurar direito e me por no chão.

- Pare com isso, Karin.

Me virou pra si irritado, suas mãos me dando apoio nas costas, mas não liguei. Espumava de raiva por vários motivos. Seus ciúmes, os desmaios e esse seu jeito mandão!

- Não precisa me carregar. Posso muito bem ir andando.

Sua sobrancelha levantou, cética.

- Mesmo?

- Claro que sim!

Então empurrei seus braços de mim. No instante que se afastaram minhas pernas amoleceram e pendi pro lado. Rápido sua mão pousou na base da minha coluna. Ofeguei segurando seu braço e ouvi um suspiro.

- Deixe de ser teimosa.

- Por que não consigo ficar de pé?

- Sua reiatsu está normalizando, mas será aos poucos. Agora nem está na metade.

Franzi testa. Podia senti-la crescer, mas era devagar. Gradativamente. Contudo...

- Eu não posso ficar aqui?

O encarei e Toushirou me olhou desconfiado. Gemi internamente. Por favor.

- Não.

- Mas Toushirou...

- Qual é o problema?

Mordi o lábio e desviei o olhar.

- Todo mundo vai ver – engoli em seco - Você me levando no colo.

- E...

O encarei agoniada e suas sobrancelhas levantaram. Entendendo. Seu rosto ficou sério.

- Já te carreguei duas vezes e todas em público. Não tem porque sentir vergonha.

- Mas era diferente. Eu tava desmaiada.

- Estava também quando Abarai te trouxe aqui?

Ofeguei chocada. Toushirou apertava os olhos e percebi que se irritava.

- Isso não tem nada haver!

- Então não vejo diferença eu te levar, até porque seu namorado sou eu.

Seu braço deu a volta nas minhas costas me puxando enquanto ele ignorava meu ultraje. O empurrei irritada e Toushirou parou por um momento. No minuto seguinte seu braço me puxou de uma vez e bati no seu peito que suspirava de raiva enquanto me apertava.

- Chega Karin. Assim vai desmaiar outra vez.

- Então pare de mandar em mim!

Ele ficou calado, mas um músculo saltava na sua bochecha. Suspirei irritada também. O que custa ele entender? Tá certo que ficou bem claro que não posso sair andando sem cair, mas ele podia ao menos entender que não agüento uma multidão me olhando insistente? Ficamos nos encarando até que ele suspirou.

- Não estou falando como seu Capitão.

Quase ri.

- Não vi diferença nenhuma.

Toushirou se entalou e então estreitou os olhos. O verde brilhando de raiva. Fiquei com um pouco de medo, mas não cedi.

- Não me provoque ou vou te dar motivos pra sentir vergonha.

- Tipo o quê? Vai me arrastar pelos cabelos?

Ele estremeceu e percebi que fui longe demais. Sem dizer nada, afastou o braço de mim me soltando. Não percebi o que ia fazer.

De repente suas mãos me agarraram pela cintura, me apertando com força e então sem esforço Toushirou me levantou. Arregalei os olhos, chiando de susto. Enquanto ainda encarava o chão do alto ele me jogou no seu ombro onde não estavam os punhos das espadas, sem cuidado nenhum e tirando meu fôlego. Puxei o ar e comecei a tremer. Me levantei um pouco, mas ele me ajeitou no lugar e bati nas suas costas. Dando meia volta seguiu direto pra porta!

- Não! Por favor! Por favor! Por favor!!!

Ouvi um risinho quando parou. Ofeguei encarando os catres vazios, os colchãos brancos.

- Toushirou!

Tentei espernear, mas não consegui. Ofeguei em pânico. Podia ouvir as vozes no corredor. Cheio de gente!

- Toushirou, por favor!

Gemi implorando, mas tudo o que tive foi um sussurro quase perverso.

- Quieta ou vou acabar te derrubando.

Arfei. Quem era esse cara?! E o que fez com o Capitão certinho?! A porta se abriu e o pânico me tomou. Toushirou cruzou o beiral ignorando meu escândalo e o choque nos shinigamis.

KARIN POF

No dia seguinte.

HITSUGAYA POV

A reconstrução do quartel do 12º esquadrão estava bem adiantada. Não parecia que foi apenas há oito dias que houve uma batalha. Os shinigamis transitavam no grande pátio de entrada atarefados e alguns correndo. Ao longe vários prédios estavam erguidos e quase acabados. Franzi a testa, parando perto da escadaria do prédio principal. Salvo engano foi aqui que aquela quimera me jogou...

- Hitsugaya taichou.

Me virei para o chamado. Hirako vinha sorrindo junto de Kyouraku. Este mantinha uma expressão risonha. Fiquei desconfiado quanto a isso.

- Chegou cedo.

Hirako parou ao meu lado e suspirei, me virando para a escadaria.

- Tenho afazeres mais tarde.

- Ah, claro.

Seu sorriso foi cheio de subentendidos. Subi os degraus logo entrando no corredor longiquo de paredes verdes e piso vermelho. Atrás de mim, os dois me seguiram. Enquanto seguimos, Kyouraku cruzou os braços por dentro das mangas.

- O que acha que é?

Estreitei os olhos.

- Provavelmente descobriu a origem daquele pano.

- O que Abarai e Ichigo encontraram na rede de esgotos tem ligação com o ataque pelo visto.

Hirako comentou e um grupo de shinigamis passou por nós. Quando dobramos uma curva, entrando num corredor menos movimentado Kyouraku inclinou a cabeça, sua expressão séria.

- Resta agora descobrir como.

Não dissemos mais nada. Na última reunião, quando Akon nos deu aquela conturbada noticia Kyouraku, eu e Hirako nos afastamos e discutimos nossas suspeitas. Contei o fato do ataque do shinigami do 3º bantai e mais tarde, Abarai me contou o que ele e Kurosaki encontraram na rede de esgotos. Levamos para Kurotsuchi (que reassumiu o cargo) e agora estávamos aqui. Convocados para uma reunião pelo mesmo.

O fato dele nos chamar antes de informar ao 1º esquadrão me preocupava.

HITSUGAYA POF

KARIN POV

No dia seguinte me senti bem o suficiente para ir à Academia. Toushirou mandou que Rangiku dormisse comigo num quarto do alojamento, para que não ficasse sozinha. Aos olhos dos outros eu estava doente. No entanto, enquanto ela tentava melhorar meu humor (depois que trouxe mudas de roupas pra mim, ordens do Toushirou) eu fingia que escutava. Concordando vez ou outra, mas por dentro eu espumava de raiva.

A cena que ele provocou me carregando no ombro como uma criança birrenta... Como, como um saco de farinha me humilhou demais! Como ele pôde fazer isso comigo?! Meus olhos ardiam com a lembrança.

Andei mais um pouco no corredor e entrei na minha sala. Seguindo até minha fileira e subi os degraus sentando logo no meu lugar. Mal reparei em Sagashi quando me deu passagem e me olhava preocupado. Coloquei minhas coisas no chão e baixei a cabeça na mesa, escondendo o rosto nos meus braços cruzados.

Suspirei e depois gemi de desgosto. Ainda podia ouvir os risos, as gargalhadas. Um babaca tinha se levantado de uma maca quando Toushirou cruzou uma ala pôs-tratamento, as macas todas ocupadas. O sujeito ria divertido, seus olhos arregalados com meu esperneio e se controlou o bastante pra dizer

- É isso aí, Capitão! Mostre quem manda!


O resto dos seus colegas enfaixados caíram na risada e assobiaram me deixando vermelha e entalada de vergonha. Toushirou fingiu que não escutou e seguiu caminho. Desse instante em diante eu berrava para que me pusesse no chão, socando e batendo nas suas costas com a mochila. Ele nem se abalou.

Gemi outra vez.

Toushirou saiu como o bonzão carregando sua namorada escandalosa no ombro. Humpf! Uma ova que eu era! Pelo o que sei ele nem me perguntou se eu queria e depois dessa estava considerando com muita dúvida se queria mesmo. Minha raiva ainda não tinha passado. Eu não preguei o olho a noite toda e minhas mãos formigavam, querendo bater em alguma coisa. O estranho disso foi que minha reiatsu voltou ao normal e se estabilizou. Todo meu mal estar sumiu ficando uma raiva...

Ainda lembro dele me perguntando hoje mais cedo.

- Tem certeza de que está bem?

O encarei apática. Rangiku que estava perto dos sofás assistia risonha.

- Sim, Taichou.

Toushirou me olhou com duvida.

- Ainda acho que devia...

- Descansar? Não precisa Capitão. Graças a sua ajuda ontem me recuperei por completo.


Ele se entalou e lhe dei as costas. Se tivesse ficado mais teria desacatado ele. Apesar de todo mundo saber de nós eu não ia trata-lo com tanta intimidade na frente dos outros. Mesmo que seja a Rangiku e até porque senti minha vontade oscilando entre encher de tapas sua cara e ignorá-lo. Preferi ignorá-lo. Assim atingia ele bem no seu ego. Uma vingança melhor do que me rebaixar.

Suspirei outra vez. Escutando a cacofonia de vozes e cadeiras se arrastando. Que dia horrível. E ainda estava começando.

///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

Na aula do professor Igarashi interromperam batendo na porta. O som tinha ecoado tamanho o silêncio que fazíamos (ele exigia isso). Ao atender conversou um pouco com a pessoa e depois se virou para a turma. Seu semblante fechado.

- Kurosaki!

Arregalei os olhos.

- Hai?

- O reitor está chamando-a no gabinete.

Ofeguei. De novo?

Levantei da cadeira e desci os degraus seguindo direto à porta. Os alunos de olhos cravados em mim. Engolindo em seco saí da sala e no corredor a secretária que me acompanhou naquele dia. Mil coisas passavam pela minha cabeça, mas não encontrei um motivo para que me chamassem.

Ao chegar no gabinete do Reitor pedi licença e entrei. Ele estava sentado em sua mesa de madeira negra e polida. Nas paredes estantes de livros. Retorci as mãos nervosa, parada no meio do cômodo.

- O que senhor queria falar comigo?

Ele sequer me olhou, remexendo nuns papeis.

- Sente-se.

- Hai.

Cruzei a sala e me acomodei humildemente na cadeira em frente a sua mesa. Encarei-o tentando me acalmar. Minhas palmas suando. Pousando uma folha em cima de uma pasta ele se inclinou para frente e me encarou por cima dos óculos.

- Vou direto ao ponto. Um shinigami do 10º bantai me entregou uma ordem ao seu respeito, mocinha.

Prendi o fôlego. Será que é sobre o relatório do meu desempenho?

Pegando um papel mais amarelado deu uma olhada rápida e me encarou outra vez. Minhas palmas suaram mais.

- Por ordens médicas e do seu Capitão está dispensada duas semanas das aulas.

Arregalei os olhos. Um silêncio pairou pesado e engoli em seco.

- N..n..nani?!

Suspirando cansado se inclinou mais na mesa. Sua expressão irritada.

- Isso mesmo que ouviu. Como está perto do intervalo pode sair como sempre e volte apenas final do mês. Fui claro?

Pisquei de novo. Surpresa e não consegui dizer nada. O Reitor suspirou outra vez.

- Está dispensada.

Nesse instante, o intervalo soou.

KARIN POF

HITSUGAYA POV

- Entrem.

A porta de aço se abriu num zunido para o lado. Kurotsuchi ia a frente com um quê desdenhoso e ouvi um suspiro coletivo. Kyouraku, Hirako e eu estávamos cansados do passeio desnecessário que esse demente nos fez passar. Quando chegamos à sala ele nos olhou sorridente e satisfeito da sua cadeira. Sua tenente como sempre, postada quieta e em pé ao seu lado.

Kurotsuchi taichou primeiro discursou como seu quartel foi destruído na batalha e que sentia muita pena pelos laboratórios perdidos e arquivos. Estreitei o olhar com seu tom desdenhoso. O seu laboratório particular ficou intacto e era aonde nos levaria para contar a respeito do que descobriu. No caminho todo ficou comentando sobre a sabotagem que ninguém percebeu, os Vastor Lordes que nunca examinou e que eu fiz questão de destruir com a irmã do substituto. Nessa parte foi o que mais me esgotou. Ele viu a batalha toda pelas câmeras de vigilância e se divertiu. Era claro isso.

A sala por onde entramos era comprida e cheias de equipamentos. Computadores e máquinas separavam em alas o lugar e bem à nossa frente um mostruário de vidro retangular sob um pedestal de aço. Ao nos aproximarmos ele parou dando meia volta e sorrindo. O rosto branco e preto saboreando nossa curiosidade.

- Preparados para uma grande surpresa?

O encarei sério. E o louro debochado suspirou.

- O que encontrou Kurotsuchi?

Não respondeu de imediato e se virou para sua tenente.

- Nemu!

- Hai, Mayuri-sama.

Com um controle numa das mãos ela apertou um botão e a mesa no mostruario brilhou em branco. O tecido preto estava nele e apertando outro botão do controle o ar dentro do espaço do vidro vibrou fazendo o tecido levantar flutuando.

- O material do objeto possui uma camada de invisibilidade. Algo como um bloqueio para encobrir tudo o que envolver.

Franzi a testa e olhei bem para o pano flutuando. Ao meu lado, Kyouraku levantou a sobrancelha.

- Ao meu ver posso muito bem enxerga-lo.

Kurotsuchi levantou o queixo.

- Humpf. A questão não é essa Capitão. Esse tecido faz parte de uma indumentária que não existe em Soul Society nem em qualquer lugar conhecidos por nós.

- O que ele encobre?

O louco se virou para mim. O sorriso empolgado.

- Pergunta sábia, Hitsugaya taichou. Pelo visto tem mais percepção que esses dois.

O encarei de lado enquanto ouvi um estalo de língua à minha esquerda. Hirako havia cruzado os braços, incomodado pelo comentário. Se virou outra vez para sua tenente.

- Nemu!

- Hai.

Ela apertou um ultimo botão e uma luz fosca substituiu a branca do painel. Arquejei com o que vi e ao meu lado os dois capitães. Kurotsuchi sorriu inclinando a cabeça, divertido do nosso choque.

- O que é isso?

Kyouraku ofegou. E olhando para ele, Kurotsuchi abriu mais um sorriso.

- Chamas de Jigoku.

O encarei espantado.

- Jigoku? Está dizendo que...

- Exato. Esse tecido faz parte da vestimenta de um Pecador do Inferno.

Encarei outra vez o tecido flutuando. As chamas azuis faiscavam ao redor dele. Resquícios de reiatsu.

- Isso é algum tipo de brincadeira?

Hirako praticamente gritou.

- Claro que não. Como eu disse nenhum de nós reconheceu a energia que esta coisa emanava. Quem a criou fez muito bem. – então inclinou o rosto – presumo que agora saibam para que isto serve.

- Ele engana os Kushanada.

Falei lembrando do caso de cinco anos atrás. Apareceram Jigoku no Togabitos em Karakura e o relatório de Kuchiki e Abarai...

- É impossível, Kurotsuchi. Togabitos são proibidos de entrar em Soul Society. Suas almas são acorrentadas ao Inferno. Está dizendo que um Pecador entrou no Lar das Almas?

Hirako cobrou o olhando duvidoso e irritado, porem tão espantado como nós. Kyouraku continuou calado. Ele olhava sério para o tecido flutuante em chamas. Descartando com uma mão o Taichou do 12º bantai o olhou entediado.

- Eu não sei. Quem sabe agora não descobriram uma forma para isso?

Hirako se entalou descrente e outra vez Kurotsuchi se virou para a tenente.

- Nemu!

- Hai, Mayuri-sama.

Usando o controle outra vez desligou o painel do mostruário e tecido caiu, as chamas azuis desapareceram. Cruzando os braços Kyouraku finalmente falou.

- Como descobriu que esse objeto pertence à Jigoku?

Bufando Mayuri se aproximou do mostruário.

- Fiz vários testes de acordo com meu bancos de dados. A última opção foi criar um miasma parecido com que há Jigoku. Então as chamas apareceram. Senão me engano não é a primeira vez que um Pecador aparece fora do Inferno.

Sorriu para nós e apertou um botão na lateral do painel. O vidro desceu para mesa de aço sendo recolhido no piso. No instante que isso aconteceu um arrepio varreu minha espinha.

- Viram? A energia residual mesmo com o miasma que criei quase é imperceptível.

- Hum, por isso que Kurosaki e Abarai não notaram.

Kyouraku esfregou o queixo e Hirako olhou para Mayuri. Eu não tirava a atenção do tecido negro, os arrepios aumentando.

- Deve contar ao Comandante.

- Não me diga o que fazer, Capitão Hirako.

- Algum problema Hitsugaya Taichou?

Um deles me perguntou. Acho que foi Kyouraku, mas não consegui dizer nada. Um choque me tomava enquanto sentia a energia do tecido e me lembrava sem ar. Há dois dias senti uma reiatsu igual. No quartel do meu esquadrão.

- Hitsugaya-kun?

Não respondi. Continuei olhando o pano descrente. Meus punhos se apertando com a ideia. Será... Será que é possível? Então para confirmar um calafrio varreu minha espinha. Um calafrio que aprendi há pouco tempo o que significava.

- Hitsugaya, você...

- Tenho que ir.

- O que?!

Já estava saindo da sala quando respondi, correndo no shumpo. Os Taichous provavelmente ficaram chocados com minha atitude, mas pouco me importei. Enquanto cruzava os corredores, procurando a saída mais próxima do prédio ofegava agoniado. A presença que me espiava naquele dia com Karin era um Pecador.

E agora estava atrás dela!

HITSUGAYA POF



À quilômetros dali, um homem de cabelo azul e olhos verdes observava empolgado uma garota de kimono negro sair de uma casa estranha. A entrada do imovel tinha as estatuas de pedra mais esquisitas que já viu e arrancou risos de seus subordinados, protegidos pelos mantos negros e as máscaras brancas. Parados no ar. Distantes o suficiente para ela não notar o homem suspirou, antecipando o prazer.

- Shuren-sama. A garota está voltando para Seireitei.

Shuren sorriu torto.

- Não tem problema. A tiramos do caminho antes de chegar à Rukongai.

Seu sorriso abriu mais. Ela sequer o reconheceu quando se trombaram no quartel, mas não havia problema. Escolheu seus melhores subordinados para isso e com certeza Gunjou e Garogai cuidariam do serviço. Suspirou enquanto a via correr pelo campo com uma sacola nas costas e lembrou de há cinco anos quando invadiu sua casa, para capturá-la com a irmã.

Você cresceu menina.
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Nyu-chan
1º Tenente
1º Tenente
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 609
Personagem Favorito : Nyu
Anime Preferido : Madoka Magica
Localização : Atrás de você
Idade : 18
Data de inscrição : 22/06/2014

MensagemAssunto: Re: A paixão do capitão de gelo - Capitulo XVI   Dom 31 Ago 2014 - 9:51

Prevejo tretas à frente...
Só acho que esse Toushirou merecia levar uma surra por ter feito aquilo com a Karin... ou não.
Simplesmente amei o capítulo!
Espero ansiosa pelo próximo.

_________________
Três palavras: agora são cinco

Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Lidi_Nalu
2º Tenente
2º Tenente
avatar

Feminino
Número de Mensagens : 395
Personagem Favorito : Nastu,Lucy,N
Anime Preferido : Naruto Shippuuden, F
Localização : Em Algum Lugar... ^^
Idade : 19
Data de inscrição : 23/06/2014

MensagemAssunto: Re: A paixão do capitão de gelo - Capitulo XVI   Dom 31 Ago 2014 - 12:23

kkkk.. Que vergonha Karin... merecia um gelo! kkkk' se é que é possivel!
Prevejo altas batalhas pela frente!!
Cadê o pedido, toushirou?
To animada... *o* Amandoooo *-*

_________________
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Conteúdo patrocinado




MensagemAssunto: Re: A paixão do capitão de gelo - Capitulo XVI   

Voltar ao Topo Ir em baixo
 
A paixão do capitão de gelo - Capitulo XVI
Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo 
Página 1 de 1
 Tópicos similares
-
» A Dama de Gelo || Capítulo 08
» Gigantes de Gelo
» Cosplay
» Criocinese
» Capitão da FEB 1945 (1/8) Mauro Miniatures.

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Anime Neo :: -- ÁREA FANFIC' ! -- :: FanFic's-
Ir para: