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 A Paixão de Orihime

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Rukia-nee-san
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MensagemAssunto: A Paixão de Orihime   Qua 13 Ago 2014 - 1:44

Capítulo 4 - Destino- Sol e Lua



“Mas ambos sabiam que o fim daquele capítulo de suas vidas seria trágico. Ambos sabiam. Ambos lembravam.

– Eu sei que você se lembra, Ulqui-kun. Eu sei que você sabe o que eu sei. – Katheryn riu de sua própria confusão. – Se morrermos agora, temos a chance de sermos felizes no futuro. Nossas vidas já estão estragadas o suficiente, não conseguiríamos viver normalmente.

– Isso é insanidade, Katheryn. Morrer por um futuro incerto é insano.”

(Fanfic Aeternum de SellyBee, Capítulo 3, Solis Ortus)





Diz uma lenda que o Sol e a Lua sempre foram apaixonados um pelo outro, mas nunca puderam ficar juntos, pois a Lua só nascia ao pôr-do-Sol. Sendo assim Kami-sama na sua bondade infinita criou o eclipse como prova que no mundo não existe um amor impossível.





O Período Meiji era considerado a Era do regime iluminado, terminou com o sistema feudal de 256 anos dos Xogunato Tokugawa. O príncipe Mutsuhito (que passaria a ser conhecido como Imperador Meiji), sucedeu ao seu pai, o Imperador Kōmei dando início a uma nova era da história do Japão.

Os cidadãos estavam confiantes com este novo regime, acreditavam que suas vidas iriam ser iluminadas pela luz da esperança. Todos acreditavam nisso, menos uma mulher. Para uma determinada ruiva foi a consumação do seu pior pesadelo, o desmoronamento de seus sonhos.

Haruka Ichijo. Era uma jovem estonteante, encontrava-se na flor da puberdade. Uma borboleta recém-nascida. Cabelos longos e ruivos. Olhos cinza claro, duas pérolas vívidas que expressavam a maior fonte de alegria. Um sorriso cativante, capaz de desmoronar qualquer coração de gelo. Era uma combinação de um pouco de anjo, travessura e saudade. Encanto e ternura. Resumindo uma doce bandida. Esta jovem acreditava nos finais felizes, que ela se apaixonaria repetidamente por um misterioso espadachim, como era comum no período Edo, que este a protegeria até ao fim de sua vida. Mas o destino fora cruel com a pobre moça.

Seu pai a ofereceu em casamento com o imperador Meiji. Tudo por dinheiro. De facto sua família já não era tão bem avantajada financeiramente como antes, mas doar a sua própria filha? Nenhum dos seus familiares se atreveu a opor, afinal seu pai era o chefe de família e ninguém ousava questioná-lo, nem sua mãe ou irmãs. Pareceu até que elas ficaram encantadas com a notícia, os olhos cintilavam pela boa quantia de ouro que receberiam. O motivo para a odiarem? Inveja? Muito provavelmente. E os pais do noivo? Deslumbraram-se com sua beleza física e prontamente aceitaram.

Atrás da porta, ajoelhada, viu os sorrisos repugnantes dos dois homens a selarem o acordo com um brinde de saque. Teve vontade de chorar mas manteve-se firme. Analisou o seu futuro marido, era bonito, portador de um belo sorriso. Porém não a atraía e muito menos o amava e duvidava que isso fosse alguma vez acontecer. Não se podia forçar o coração de ninguém a amar. Ela poderia vir a ser uma grande amiga, mas amar não.

A jovem ergueu-se sem fazer nenhum ruído e dirigiu-se aos seus aposentos. Lá permitiu que suas fortalezas se desmoronassem, permitiu-se inundar pelo desgosto, que as lágrimas consumissem o brilho do seu encantador olhar.

Convulsava sofregamente pela sátira do destino. Porquê logo com ela? Porque ela teria de abdicar justo do amor e ter um casamento infeliz? Logo ela que sempre acreditou em finais felizes. A partir daquele momento deixou de confiar na felicidade e na justiça. Seria somente um manequim dos deuses.

A luz da lua banhava sua face inundada pelas gotas de água que escorriam pelo seu rosto avermelhado. Haruko ergueu o olhar, observando a Lua, sua única companheira. Era a única que de facto a podia compreender, lá no alto ela estava rodeada de estrelas mas sempre estava tão sozinha. Como se tivesse sido abandonada, esquecida por todos. A Lua era encantadora, iluminava as frias noites, mas o brilho era uma farsa. O seu brilho consistia na luz alheia, uma prova da sua solidão. A jovem ruiva e a Lua estavam presas ao destino.

Ao contemplar o silencioso luar, imagens invadiram violentamente a cabeça da ruiva. Ela fora remetida a num mundo desértico, todo branco. Distinguia-se numa divisão, seus cabelos ruivos ressaltavam na dimensão ausente de cor. Tal como naquele momento ela observava a lua, com as mãos junto ao peito. Numa prece silenciosa.

A Imperatriz incrédula observou quando um homem adentrou na divisão e a sua outra identidade reagiu. Enxergava a conversa entre os dois mas não conseguia escutar ou decifrar a fisionomia masculina. Só conseguia definir os seus cabelos extremamente negros e suas duas esferas intensamente verdes.

Haruka estava incrédula. Como era possível enxergar-se a si própria mais jovem com outra pessoa completamente desconhecida, num mundo diferente. Focou-se nos lábios de ambos, tentando decifrar o que eles pronunciavam mas não obterá êxito. Até que paralisou quando ela viu a outra ruiva correr na direcção dele e com a sua mão, bater no pálido rosto do rapaz. A princesa de Meiji, com desgosto, calculou o sofrimento do rapaz, mesmo não o enxergando direito, viu nitidamente sua dor. Não era uma dor física, ia muito para além disso. E, para sua maior surpresa, constatou o seu próprio arrependimento, fora uma atitude impensada, instintiva. Não medira as suas consequências e arrependera-se amargamente, principalmente quando ele virou as costas e foi-se embora, assim a jovem ruiva entregou-se ao choro e ao desamparo da fria divisão.

Com um sorriso no rosto, Haruka concluiu que aqueles dois se amavam mas havia um muro entre eles. Orgulho, medo, O casal temia as adversidades daquele romance, as proporções que isso implicaria. Talvez até teriam de abdicar de algo. A Imperatriz não sabia porque eles não podiam ficar juntos, mas sabia que eles deveriam lutar contra isso. Como ela invejava aquele ser que aparentava ser ela, aquela jovem tinha a possibilidade de viver seu amor e ela nunca a teria.

Uma premonição do futuro. Aquela jovem seria a concretização do seu sonho, a consumação de seu amor. Haruka olhando a sua própria figura estendida no chão, pronunciou mesmo sabendo que sua voz não seria ouvida, quem sabe a Lua a ajudasse a alcança-la. Ignorando por completo como sabia aquele nome, simplesmente falou na expectativa que a outra lhe pudesse ouvir.

- Orihime Inoue não desistas dele. Não permitas que nosso coração morra sem saber o que é amar e ser amado.

Num piscar de olhos ela encontrava-se na sua divisão novamente e mais uma vez encarou a lua, agradecida. Mais confiante, mais determinada, a ruiva permitiu-se acreditar num futuro, mesmo que este seja longínquo, quase incansável.

- Quantas vezes terei de morrer para ser feliz? Quantas vidas viverei até poder estar finalmente ao lado do homem que amo? Até quando meu coração terá de sofrer a frieza da solidão?

Uma brisa fresca esvoaçou as madeixas ruivas, bagunçando-as. Um sorriso brotou nos lábios carnudos ao enxergar um novo amanhecer. Levantou-se majestosamente, e eliminou qualquer requisito que tinha chorado e andou calmamente até à sala onde saberia que receberia a “maravilhosa” notícia de seu casamento.



A futura Imperatriz ruiva estava encantadora, com um kimono branco com sakuras bordadas pelo mesmo, seu cabelo apanhado numa majestosa trança de lado com alguns fios de cabelos soltos, dando um cariz de pura inocência à mulher. O palácio estava coberto de flores, numa decoração avermelhada que refletia o poderio da família imperial. Porém faltava algo fundamental para a decoração do mesmo, o sorriso da noiva. Mesmo que ao contrário da ruiva, o noivo não desmanchasse seu sorriso cativante, era como se sorriso pelos dois.

Ambos caminhavam sob um esplendorosa carpete avermelhada, de braços entrelaçados, Haruka caminhou para o seu maior sacrifício. O sacerdote falava, e seu noivo olhava eufórico para ela, contudo a ruiva parecia alheia a todas esses detalhes insignificantes. E com uma rudeza desconhecida até para ela, pronunciou aquela que seria sua maior sentença.

- Aceito.

Ninguém reparou na amargura daquela palavra, ninguém se importou com isso. Todos sorriam mas não era pela felicidade dela, isso lhes era insignificante. A festa decorreu normalmente, e sem que ninguém reparasse o imperador aproximou-se de sua esposa, beijando-lhe delicadamente a palma da mão, guiou-a para algum local mais reservado, longe de olhos e ouvidos curiosos.

O imperador permitiu a passagem à princesa ruiva e adentrou no compartimento que ambos iriam partilhar a partir daquele momento. Aproximando-se sorrateiramente por trás da ruiva, ele deslizou suavemente o kimono branco, revelando o pescoço e o ombro direito da jovem, roçando de leve os lábios no local. A princesa tomando conta dos pensamentos perversos do homem afastou-se rudemente, olhando-o cortantemente.

- Imperador Meiji, tudo isto não passou de um acordo entre nossas famílias. A minha obrigação está cumprida, eu casei consigo. Peço-lhe agora que se retire dos meus aposentos alteza.

- O que dizes minha Hime? Se eu fizer isso todos saberão que nós não consumamos nosso amor! Como ficaria a minha reputação?

- Amor? Não, nossa relação não teve e não tem como base um sentimento tão puro. Tudo o que importa é o dinheiro. E não penso mudar isso.

Haruka suspirou profundamente, erguendo seu olhar opaco em direcção do seu esposo, vendo pela primeira vez que o conheceu, indícios de frustração em seu rosto.

- Porém compreendo o que quer dizer, temos de manter a aparência apesar de tudo. Peço que se deite o mais longe possível de mim. Se o senhor ousar tocar-me, expulso-o daqui imediatamente e faço o maior escândalo que alguma vez viu.

- Pode ficar descansada, Hime. Irei comportar-me.

- Assim espero.

Dormiram completamente afastados um do outro. Como se o calor de seus corpos, os repudiasse e os expulsasse de tal aproximação. E essa cena repetiu-se durante dias, semanas meses, sem que ninguém desconfiasse de nada.



Numa noite calorosa, Haruka revirava-se na cama sem conseguir achar uma posição confortável para dormir. Suspirava frustrada, e quando ia voltar a rebolar na cama, ouve gritos agoniantes ecoarem por todo o palácio, alarmada a Imperatriz levanta-se de supetão e vai averiguar o que acontecera para haver tanto alarido.

Saí de seu quarto e vê chamas a devorarem uma parte considerável do palácio. Uma invasão? Ia confirmar suas suspeitas mas algo impede o seu trajeto, alguém lhe agarrou firmemente o braço. A ruiva, temerosa, olhou por cima de seu ombro e viu um elegante homem de armadura, um moreno de olhos verdes. A ruiva perdeu-se na penumbra de seus cabelos negros, estranhamente lhe eram familiares mesmo não sabendo onde os poderia ter visto antes… Contudo o mais charmoso naquele guerreiro eram seus intensos olhos verdes, que fizeram não só arrepiaram o corpo da Imperatriz, como a estremeceu a alma dela.

- Quem és tu?

- Perdoai meu atrevimento Imperatriz. Meu nome é Ulquiorra Schiffer, chefe dos exércitos de sua Majestade, o Imperado Meiji. O palácio está a ser atacado e não posso permitir que prossiga seu caminho. Minha função é protege-la de todo o perigo.

- És um samurai?

- Sim senhora. Peço que me siga, irei levá-la a um sítio seguro.

- Sim… Mas e o resto das pessoas?

- O Imperador viajou em negócios e não se encontra no palácio. Quanto ao restante da família real está protegida pelos guardas.

- Não deverias estar junto dos teus subordinados?

- Minha prioridade é proteger a senhora.

Mesmo sabendo que não havia motivos para tal, a princesa ruborizou. Cobriu sua face com seus longos cabelos, ofuscando o róseo excessivo que floresceu em suas maçãs. Seguia fielmente o misterioso espadachim, não entendia, mas confiara nele sua vida. Afinal, ele podia ser um impostor… Porém algo lhe dizia que não, o seu coração rendera-se aos encantos de um samurai. De um belo samurai, a propósito.

- Isto hmmm… Como eu nunca te vi pelo palácio?

- Minha obrigação é proteger o Senhor, e por isso eu sempre o acompanho, como a senhora raramente se encontra ao lado dele, nunca se cruzou comigo.

As palavras dele transformaram-se em flechas pontiagudas contra seu espírito. Como ela poderia ser tão ilusa? Entregava-se ao momento, crucificava-se em pensamentos e delirava em fantasias com aquela inesperada atracção… Ela esquecera-se de um detalhe fundamental: era casada. Recusava-se a acompanhar seu marido, não fazia nada com ele fora do essencial, estar ao lado daquele individuo causava-lhe náuseas e por um breve momento sentiu uma forte tontura ao lembrar-se de seu sorriso cínico. Quis mudar rapidamente de assunto, e obviamente esses sintomas não passaram despercebidos ao líder Schiffer, mas quem era ele para se meter em assuntos pessoais de seus senhores?

- Compreendo. Onde estamos?

- Um refúgio secreto. Uma última medida de segurança caso o palácio seja atacado.

Haruko estava dentro de uma cave, não era confortável ou acolhedora. A falta de luminosidade do local, tornava-o sombrio. A ruiva não se sentiu incomodada de todo, não desgostava da escuridão e apesar de não ser o melhor sítio, tendo em conta as circunstâncias era perfeito. Até porque Ulquiorra pensou em tudo e tratou de arranjar comida e uma cama confortável. Certamente para ela, pois desde que chegaram ele não se alimentou ou sentou. Estava encostado na parede, olhando um ponto fixo no vazio daquela divisão. Instintivamente, Haruka comparou-os, e sem reparar disse-o em voz alta.

- Pareces a Lua, Ulquiorra.

- O que quer dizer?

- Sinto uma enorme solidão emanar de ti. Sabes, eu sempre me considerei o Sol, feliz e sorridente. Agora vejo o quão estava enganada… Não passamos de duas luas, Ulquiorra.

- Impossível, só há uma lua no céu senhora.

- Então, tu és a lua e eu as estrelas. Assim sempre faremos companhia um ao outro nas noites tenebrosas.

A ruiva não evitou dar uma sonora gargalhada pelo diálogo que ela própria começara. Podia parecer um disparate, mas era intenso. Eles de certa forma estavam a desabafar um com o outro, usando metaforicamente os astros. E com grande gosto viu a expressão enrugada, surpresa, de Ulquiorra pela sua última fala. Riu mais quando o ouviu pronunciar-se novamente, poderia considerar um insulto mas para ela soou um elogio.

- A senhora é estranha.

- Senhora nada! Somos amigos Ulquiorra, trata-me por Haruka. H-A-R-U-K-A!

- O único laço que nos une é o da hierarquia.

- Então teremos de mudar isso, não achas Ulqui-kun?

Silêncio. Essa fora a resposta dada pelo moreno. A Imperatriz poderia ter ficado ofendida pela ausência de resposta, em vez disso ficou animada. Ele não rejeitou, não negou com palavras, ou seja ela cogitava a ideia não é? Mesmo sabendo que era errado, que iria magoar-se futuramente, ela não pararia… Tudo era tão aprazível. O silêncio pairava, mas de longe era incómodo. Seus olhares cruzaram-se, numa batalha mortífera, nenhum ousava desviar a atenção do outro… Até que a porta é aberta de supetão, saindo um soldado por ela. Gritando e comemorando eufórico.

- Ulquiorra-sama! Todos os intrusos foram presos. O Imperador encontra-se a caminho e deseja falar consigo.

- Certo, irei imediatamente. Venha Imperatriz, vou conduzi-la aos seus aposentos.

Haruka obedeceu rapidamente e dirigiu saltitona até seu quarto, cantarolando baixinho. Quem a via pensava que ela comemorava pela vitória, na realidade a ruiva nem se lembrava disso. A sua felicidade provinha daquele que a escoltava até seus aposentos. Talvez, só talvez, ela devesse acompanhar mais seu marido.

- Obrigada Ulquiorra!

- Não fiz nada mais que a minha função, com sua permissão irei retirar-me.

- Gostei de te conhecer Ulqui-kun.

Erguendo seu corpo esbelto e curvilíneo sob a pontinha dos pés, a princesa deu um singelo beijo na bochecha pálida do samurai, que ficou petrificado com a ação repentina. E com um belo sorriso no rosto, e um acenar de mão, ela despediu-se rapidamente, entrando no seu quarto. Encostada na parede, foi escorregando lentamente até o chão com a mão de seus lábios, sorrindo bobamente.

- Tão quente…

Ulquiorra não mexera um músculo desde o contacto imprevisível. Sentiu a textura dos lábios carnudos, tão inocentes. Ceticamente não conseguia acreditar que aquela boca avermelhada fora provada pelo seu senhor. Mas isso era impossível de não ter acontecido. Eles eram casados, e ela uma divindade de mulher, o Imperador com certeza não ignoraria esse facto. Maldizeu por ter conhecido aquele mulher milagrosa, porém não cederia aos seus encantos. Aquela atracção seria desastrosa. O maior pecado que ele poderia cometer.

- Uma mulher peculiar.





Com o passar do tempo, Ulquiorra e Haruka encontravam-se mais vezes. Não que fosse planejado, muito pelo contrário. Parecia que o primeiro encontro deles foi um deselence para todas estas eventualidades.

Frequentemente a ruiva estava distraída, perdida em pensamentos, mais concretamente num moreno de olhos verdes, e esbarrava nele, ficando extremamente corada. Ulquiorra, por sua vez, andava sem olhar por onde realmente ia até que entrava no seu campo de visão os cabelos ruivos que tanto amava secretamente caminharem na sua direcção, e como entrando num transe deixava-se de mover até que o corpo dela acabava por ir de encontro contra o dele. E com prazer via ela ruborizar timidamente. Haruka, pela primeira vez num desses encontros, olhou determinada para as esferas verdes, determinada a obter a sua resposta.

- Ulqui-kun… Amar é pecado?

- Depende da circunstância Senhora, por vezes amar a pessoa errada pode significar ruína.

- Então, o amor não é errado. São as outras pessoas que podem não aceitar esse amor e tornam esse sentimento ruim.

A ruiva comentou para si, num leve consolo. Ulquiorra observava os olhos acinzentados lacrimejarem, enquanto seu coração diminuía consideravelmente pela sua incapacidade de mudar a fatalidade do destino. Queria ter esse poder, socorrer quem amava. Uma lágrima abandonou a esfera cintilante, contornando a face da mulher. Impensadamente, o moreno ergueu sua mão limpando aquela pequena demonstração da tristeza da alma intocável.

- Ulquiorra…

- Não chores Hime, não suporto vê-la nesse estado…

As finas lágrimas foram trocadas por um encantador sorriso, e espontaneamente a ruiva abraçou-o fortemente, declarando contra o peito do moreno, a confissão de seu pecado.

- Amo-te Ulqui-kun… Amo demais para ignorar…

Ulquiorra não parecia surpreso com a declaração, contudo não evitou um discreto sorriso ao escutar a confissão da jovem. Agarrou firmemente nos ombros dela, afastando o rosto feminino de seu peito, num pedido silencioso para que ela o encarasse.

Haruka entendia aquele olhar, o espadachim parecia vazio, um eco sem emoções. Mas naquele momento seu olhar refletia tudo o que ele sentia. Na dimensão verde enxergou o que sempre quis encontrar no seu marido: amor. Algo intocável, mas para a ruiva não. Cada célula do seu corpo sentia aquela emoção profunda tocar e abusar de seu corpo.

Aquele silêncio que antecedia o beijo, pairou sobre o casal apaixonado. E sem que ambos se apercebessem, foram-se aproximando. Ulquiorra segurou levemente o pescoço tentador da mulher e puxou-a pela nuca. Os rostos estavam quase colados e uma brincadeira sutil de encostar o nariz no do outro, com sorrisos trémulos no canto da boca de ambos, imaginavam o próximo passo.

Olhavam-se, respirando confundidos, as bocas encontram-se finalmente e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. As mãos da princesa procuram afogar-se nas madeixas negras, acariciar lentamente a profundidade do cabelo do samurai, enquanto se beijavam como se tivessem a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. Mordiam seus lábios, a dor é doce; e se afogavam num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já só existia uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e ambos sentiam o outro tremular contra seu corpo, como uma lua na água.

O moreno ergue Haruka e levou-a de novo até sua divisão. Entrando lá, ele desmanchou o majestoso coque que prendiam as madeixas ruivas, caindo em seguida como castanhas pelas costas, agora ligeiramente descobertas.

Ele fitou-a profundamente e tocou em seu lábio superior, contornou sua boca, desenhando-a. Como se ela fosse um desenho de sua autoria. Seus lábios carnudos pareciam um esboço feito pelas mãos do moreno, como se fosse a primeira vez que ela entreabrisse os lábios, e bastava fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Com seus gestos, nascia paixão, e enquanto aquele momento perdurou, eles esqueceram-se de todas as dúvidas e incertezas. Ele a desejava, como um homem deseja a uma mulher, queria tocar cada parte do corpo dela e beijá-la. Amava-a e não era apenas carnal, a necessidade de tê-la ia além de instintos sexuais, precisava unir sua alma a dela e ao olhar no fundo dos olhos dela, percebeu que ela sentia a mesma coisa. Os olhos dela transbordavam de desejo e paixão, e naquele momento, por mais que fosse errado, ela o queria.

Eles não poderiam prever sua própria queda, não podiam perceber o abismo em que tinham entrado por culpa daquele sentimento que os unia.



- Mais força Senhorita!

- Estou a fazer… Ahhhh!

Com um último esforço, Haruka conseguiu findar seu sofrimento que se prolongara durante horas. Queria fechar os olhos e dormir, mas abandonou rapidamente essa ideia ao encarar o fruto do seu amor, e de sua maldição.

- Tão lindo.

A ruiva pegou carinhosamente seu filho no colo, balançava-o de leve, sorria boba ao ver seu filho chuchar no próprio dedo. A mulher sentia-se realizada, acreditava que alcançara o limite da felicidade. Seu filho estava com ela nos seus braços, mesmo depois de todas as provações que teve de passar.

Ainda se lembrava do desespero quando descobrira sua gravidez. Temeu por seu bem, e pelo próprio Ulquiorra. Cogitou deitar-se com seu marido, protegendo assim sua família. Porém o moreno não aceitou. Ele ficou radiante por poder ser pai, e não iria abdicar dessa experiência. Eles uniram forças e afrontaram o seu marido. Estranhamente amigável, o Imperador aceitou a situação, mas queria manter as aparências e por isso fingiria que o filho era seu… Então, no dia do parte, ele simularia que fatalmente sua esposa e seu filho morreram, e assim na realidade poderiam escapar com Ulquiorra, que supostamente morrera em combate. Um plano perfeito. O único incoveniente é que a princesa teria de ir até à clareira a norte encontrar-se com o seu amado sem ser vista e muito menos reconhecida.

No palácio comemoravam o nascimento de herdeiro, e sob os festejos da festa, aconteceu o inevitável. A execução do pecado do casal. O Imperador admirava e amava sua esposa, por isso a enganou. Fazendo parecer que eles podiam fugir para o seu conto de fadas quando na realidade armou uma cilada para eles. Não iria perdoar a traição de Ulquiorra.

O Imperador informou a Haruka que esta deveria-se encontrar com o moreno numa determinada clareira. Contudo, a informação foi distorcida para o espadachim. Ele mandara seu súbito aguardar por ele, no jardim reservado à família real. E nas sombras da noite, mandou executarem o crime. Na penumbra o corpo inerte de Ulquiorra caiu, vendo o seu corpo esvair-se em sangue. E pela primeira vez, sentiu seus olhos lacrimejarem. Não por sua dor, mas pela vida que sua família teria de arcar, tudo porque fora ingénuo e não preveu uma traição do homem despeitado.

Quando soou o choro da criança, soou o grito de dor de Ulquiorra. No mesmo momento que o filho nasceu, o pai morreu. Sem poderem conhecer-se, nunca conhecendo o toque um do outro. Filhos são a esperança de um casal. Mas será que no meio de todo aquele sangue férreo havia ainda salvação?

A ruiva mandou todas as serviçais retirarem-se de seus aposentos, argumentando que precisava de privacidade. Estranhou, quando ouviu pela janela da sua divisão que havia um espadachim morto no relvado. Algo estava errado e finalmente a mulher percebeu, com horror, quem era o homem condenado. Não demorou um segundo sequer para dirigir-se ao local, agarrando fortemente seu filho perto de seu coração, que batia descompasso.

Haruka observa o corpo do moreno a esfriar no gramado suave. Sangue que pingava a relva e flores ao redor. Lágrimas jorravam por seus olhos, gritou sonoramente como se por esse acto evaporasse a agoniante dor que consumia seu espírito.

Corre na sua direcção, agachando-se ao lado do corpo, abraçando-o enquanto ouvia seu coração bater cada vez mais devagar e pausadamente. Ela sabia perfeitamente o que tinha acontecido. Mas nunca esperou que seu marido fosse tão longe, expulsar Ulquiorra do palácio até compreenderia e aceitava se o fizesse. Na altura, ela ignorou por seu marido não o ter feito mas pensou que era pelo seu enorme coração. Não, fora a felicidade que a cegara para as evidências.

- Ulqui-kun… Por favor não morras… Eu preciso de ti, nós precisamos de ti…



O chão era inundado por uma poça de sangue. Seu tom avermelhado estendia-se pelo homem mergulhado no chão, embrulhado no seu próprio sangue. Uma ruiva, abraçava o corpo pálido quase morto, com um bebé coberto por uma manta azul, no seu colo. Ela chorava amarguradamente.



- Perdoai-me Hime, por não vos proteger. Prometo-te que um dia nos reencontraremos, em outra vida.



- Por favor não! Ulquiorra!

Numa dolorosa recordação, por fim a ruiva reconheceu o homem estendido no chão. Era o mesmo indivíduo vestido de branco que a sua outra personalidade iria se apaixonar no futuro. Ela apaixonara-se pelo mesmo homem duas vezes. Como alguém conseguia roubar assim seu coração?

Os guardas aproximaram-se por causa dos gritos. E em frente deles surgiu o Imperador, sorrindo triunfante que agora tinha o caminho livre para reconquistar a sua esposa.

A Imperatriz percebeu o motivo de seu sorriso e teve nojo como nunca teve. Quando o seu marido estendeu a sua mão para ela o tocar, Haruka não o viu a ele, mas a Ulquiorra que se desfazia em pó à sua frente, seus olhos esbugalharam-se ao ver aquela cena, ao vê-lo morrer outra vez.

E quando ergueu a mão para tocar na mão pálida do moreno, a sua imagem desapareceu ressurgindo a de seu marido com um sorriso macabro. A mão dela quando estava prestes a tocar de seu esposo recuou, arrancando um olhar surpreso do mesmo. A ruiva olhou para o seu filho percebendo como ele estava frio, morreu. Seu bebé morreu como o pai. Não havia explicação para a sua morte, talvez fosse a tragédia daquele dia. Os olhos acinzentados voltaram a encarar a mão estendida. Pousou seu filho ao lado do verdadeiro pai e embainhou a espada de Ulquiorra com uma de suas mãos, e com a mão livre agarrou com força numa das mãos pálidas do seu falecido amado.

- Um dia, em outra vida, nossas mãos se encontrarão e nossos dedos se entrelaçarão assim como nossos destinos.

Lágrimas corriam na face ruiva, mas não eram de tristeza. Ela estava feliz porque teria uma outra oportunidade para serem felizes. E sob gritos e lágrimas ela empunhou a espada, perfurando seu coração com um sorriso no rosto. Caindo lentamente contra o corpo do homem que amou e que sempre amaria, ao lado do seu filho. Pareciam que os três sorriam, como um verdadeiro quadro familiar. Se não fosse o sangue, diriam que estavam todos felizes a dormir.





Um moreno acordou de supetão, suado e respirando ofegantemente. Fez menção de levantar-se mas uma mão travou seu movimento. Ulquiorra viu um shinigami loiro à sua esquerda e a ruiva ao seu lado direito olhando-o preocupada.

- Não te mexas, o Urahara-san vai cuidar de ti. Não te preocupes Ulqui-kun.

O espada parecia alheio à realidade, só encarava seus olhos acinzentados. E sentiu um perfurar na cabeça. Permitindo-se sussurrar entre gemidos dolorosos.

- Eu te encontrei… Mulher.


Notas Finais

Nota: Sobre a lenda de Sol e da Lua é verdade. Para mais detalhes está aqui o link: http://www.meu.cantinho.nom.br/mensagens/sol_e_a_lua.asp
Imaginem que o Sol é a Orihime e o Ulquiorra a Lua ^^ Achei que esta lenda encaixava aqui na perfeição.
Baseei-me para este capítulo alguns pormenores da história medieval do Japão e alguns pormenores mais visuais adaptei do anime Samurai X.
Quanto aos nomes das personagens, excepto o de Ulquiorra, são todos de personagens verídicas. O mais interessante é o de Haruka que significa "muito longe", como até referi no capítulo anterior.
Também peço que não fiquem chateados com o discurso formal entre a Haruka e o Imperador (e no início o Ulquiorra, não esquecer que ele é muito formal com os seus superiores, lembrem-se do Aizen, né?). Afinal ela mesmo sendo sua esposa, tinha que ser submissa. E como eram de classe alta, a formalidade vai ao extremo.
Outra coisa (sei as notas hoje estão enormes): Houve certos momentos que eu passei por alto como a gravidez por exemplo. Quem quiser algum momento mais detalhado peça que eu faço mais para a frente, como um capítulo especial.

AVISO: A última fala do Ulquiorra não foi da minha autoria! É da fic da Selly-chan! Digamos como uma homenagem kkkk

Beijinhos, Sayonara.

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