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 Não é preciso viver nas sombras

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MariLux
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MensagemAssunto: Não é preciso viver nas sombras   Qui 31 Jul 2014 - 0:11


[20 de Agosto de 2001; Segunda. 9:30, hora do recreio]

Uma pequena garota estava sentada no chão, encostada na parede da escola. O cabelo castanho estava solto, mal chegava aos ombros. A garotinha chorava, sentia-se sozinha e mal conseguia falar direito; as lagrimas salgadas e os soluços não a deixavam expressar palavras exatas.

— Por que está aí? — uma voz interveio sua onda de soluços, não era boa de se ouvir, mas tinha um som reconfortante e doce. — Por que está chorando? Qual seu nome? Me chamo Meiko!, Meiko Honma! — Meiko tinha cabelos grandes e esbranquiçados.

A morena ainda olhava para baixo; tinha parado de chorar alto, mas ainda se lamentava baixinho.

— Vamos, você consegue responder o seu nome, não? — Provocou Meiko. Não tentava nem deixar de lado que não estava feliz ao falar com a garota; ela dava pequenos pulos com os calcanhares sem tirar a ponta dos pés do chão.

A garota se segurou para não chorar ainda mais. Inspirou uma grande quantidade de ar, estufando seu peito pelo qual estava sendo pressionado contra os joelhos. — Me chamo Anjou.

A garota com os cabelos morenos revirou a cara, não gostava de seu nome de família, parecia tão... nada. Mas ainda era melhor que seu nome, Naruko, quem gostaria de ser amiga de uma garota chamada Naruko?

A garota de pele pálida deu um pequeno sorriso; — Gostei do seu nome, parece ‘Angel’ em inglês; você sabe o que significa ‘Angel’? significa algo como ‘anjo’, aprendi isso com meus pais, eles falam inglês fluente e tentam me ensinar o que eles sabem da língua, mas eu não consigo entender tudo, só consegui decorar essa palavra porque achei bonita e tem um significado mais bonito ainda. Não achou a palavra ou o que ela significa bonito? Não concorda comigo?

O turbilhão de palavras que a garota soltava da boca pra fora acalmava Anjou de uma maneira diferente e gostosa.

— Meu primeiro nome é Naruko... — a voz falha da morena interveio os pensamentos da outra.

— Posso te dar um apelido?! — os pulinhos de Meiko ficaram ainda mais rápidos. Um leve sorriso de canto esboçou nos lábios de Anjou. — Humm... Vou te chamar de Anaru! Uma mistura de Anjou e Naruko, peguei o ‘An’ de Anjou e juntei com o ‘Aru’ de Naruko, e ficaria que ‘An’ mais ‘Aru’ seria o mesmo que Anaru! Pode dizer que é um apelido legal, não é? E foi a incrível Meiko que pensou nele!

Anaru se policiou para apenas dar um risinho suave. Uma ideia bateu na cabeça da morena: — Posso te chamar de Menma?

Apenas com essa pequena frase, uma onda de excitação desceu a espinha de Meiko; nunca haviam lhe dado um apelido antes. Não foi preciso palavras para Naruko saber que ela tinha aceitado, os pulinhos de Menma aumentaram a velocidade.

— Então vamos ser amigas para sempre, não é, Anaru? Uuh!, vamos fazer um pacto! Um juramento de dedinhos! Para ficar jurado juradinho! — ainda pulando com os calcanhares, Menma aproximou seu mindinho para a garota sentada, isso a fez levantá-la para juntar os dedos.

— Claro, Menma; amigas para sempre. — com um movimento, as duas fizeram um pacto de amizade.

***

[16 de Setembro de 2007; Domingo. 13:28, algum lugar]

— Anaru, — a voz cortou os ouvidos da garota sentada numa mureta qualquer perto da escola, a garota apenas virou a cabeça para encarar quem queria falar com ela. Jintan. — qual seu problema com a Menma?

Menma... aquela nome já foi tão delicioso de ouvir-se aos ouvidos da garota de doze anos. Foi. Não é mais. Nem mesmo a própria Anaru conseguia ouvir. Até seu apelido era insuportável. Menma agora não era a mesma, não que ela tenha mudado a personalidade, não, pelo contrario, a garota continua com a mesma maneira avoada de ser, mas, agora, ela tinha conseguido mais amigos... é isso, Naruko não passa de uma ciumenta.

— Não tenho problema nenhum com ela. — rebateu Anjou. — Meu real problema é com você.

Aquilo foi uma navalha, tanto para a audição de Jintan quanto para as palavras saírem da boca da garota.

— Você nem perguntou isso pra saber sobre mim, — tudo o que era dito pela garota não era pensado, não mais. — Você só liga para a Menma. “Menma isso, Menma aquilo...”

— Pare de mentir! Eu me importo com todos. — retrucou.

Foi nesse momento que Meiko chegou atrás deles, apenas isso foi necessário para fazer Anjou sair dali.

— O que você fez pra ela, Jintan? — perguntou Menma, ao tempo que a amiga se afastava cada vez mais do casal.

Jintan ia responder, mas ficou aos ombros de Menma querer ouvir - o que ela não tinha vontade para aquele momento. A garota de cabelos esbranquiçados saiu correndo atrás de Naruko. Era óbvio que a albina não tinha muita especialidade em correr, mas tentava ao máximo ficar à par do passo da amiga.

— Anaru! Anaru! — ela gritava com todo o ar que seus pulmões conseguiam. — Anaru!, espere!


Não que Anjou quisesse ouvir a amiga que tanto chamava-a, mas ela sentia que não conseguia mais correr. A pausa que ela fizera para dar “boas-vindas” ao novo ar em seus pulmões, foi o tempo suficiente para Meiko alcançá-la.

— Anaru, eu sei que você é minha amiga. E sei que você me ama... — Começou Menma. Anaru não conseguia escutar o resto das palavras; Meiko sentia a tensão no ar aumentar enquanto ela estava ali, falando com a amiga. — Por isso você deve saber que meu aniversário é daqui a dois dias. Sabe o que eu quero muito de você? Uma carta, por favor, escreva uma carta sobre tudo o que você pensa de mim e do mundo. O lugar você já deve saber onde é, se não sabe, é só ir falar com a Tsuruko.

Ela esperava a amiga responder, mas ao receber apenas a respiração calma e pesada de Anaru como resposta, em pequenos passos ela começa a sair de perto dela. Foi o necessário para Anjou notar o afastamento da outra e correr em direção contraria à sua casa.


— Estúpida! — Naruko socava o próprio travesseiro enquanto se xingava em voz alta. — Estúpida!, idiota!, sem noção!

Ela ficou assim por vários minutos, não derramou nenhuma lágrima, apenas se xingava ao tempo que batia com força no travesseiro de plumas. “Se Menma quer uma carta, é uma carta que Menma vai ter.” pensou Anjou. Ela saiu de sua cama e foi sentar na cadeira de rodinhas da sua escrivaninha; um papel e uma caneta esferográfica roxa jaziam em cima da mesa, na frente de Naruko.

Mais vários minutos se passaram - se duvidar, pode ter levado até uma hora e meia - e tudo que a garota conseguia pensar foi um “Cara Menma,”.


— Naruko!, venha jantar! — gritou a mãe, interrompendo o cochilo da filha. Ela reponde com um simples “Já vou,” e voltou a olhar para a folha de papel sem linhas na sua frente. Não houvera mudanças nela, apenas que agora não era duas palavras, ela conseguiu ir mais à frente e ter escrito sete palavras.

Levantou-se da cadeira de rodinhas com um suspiro pesado e foi em direção à cozinha; o cheiro de comida era delicioso e cativante. A mãe dela tinha feito o seu prato favorito.

Ela chegou no ambiente, sua mãe estava de costas para a porta, virada de frente ao balcão e terminando de arrumar os preparativos para o jantar das duas. — Filha, hoje vai ter o seu favorito, como é que ele se chama, mesmo...? Ah é, lembro que você batizou a comida de macarrão especial da mamãe.

— Porque você fez ele? — resmungou Naruko, não estava irritada, apenas surpresa, normalmente sua mãe fazia esse prato em épocas especiais para a filha, ou seja, quando ela passava de ano sem recuperação era o mais normal. — Não fiz nada de especial, e eu fiquei de recuperação esse ano.

Não havia nada que pudesse esconder da mãe, ela já sabia que a filha tinha ficado de recuperação em japonês.

A mãe lhe deu um sorriso singelo antes de respondê-la: — Minha filha, você está crescendo; o que estava escrevendo no quarto que a deixou tão concentrada? Uma carta de amor para alguém especial? — Debochou a mãe para a filha, não podia perder a piada, afinal, poucas vezes via Naruko tão concentrada quanto naquela vez. A filha, por sua vez, sentiu o rosto arder em chamas. — brincadeira, apenas me deu vontade, não posso agradar minha única filha?

— Mãe! Isso não é normal! Não faça de novo! — irritou-se Anaru. Ela levantou da cadeira bruscamente, empurrando-a para trás, bufou na frente da mãe que se encontrava do outro lado da mesa e saiu da cozinha batendo o pé para voltar ao seu quarto.


Anjou olhava a folha em sua frente, já tinha conseguido preencher a folha parcialmente, não que fosse muita coisa. Ela releu o que estava escrito na carta para si mesma.

Querida Menma,
Nos conhecemos há sete anos, e eu nunca senti tanta felicidade quanto no dia que te conheci, você foi minha primeira amiga e eu fui a sua, era seu primeiro dia na escola, não?

Foi um dia muito feliz, fato, você me deu um apelido e eu te dei um. Foi feliz, não?

Talvez eu nunca te falei antes, mas o que eu realmente sinto por você é...
Eu não sei dizer, não consigo te responder

Anaru não sabia mais como preencher a folha, o pedaço de papel nem era tão grande e a garota havia parado de escrever na metade do pedaço. Mas era sempre assim, nunca iria conseguir fazer algo por completo em dois dias, nem que essa tarefa seja escrever uma simples carta falando sobre seus sentimentos mais profundos para uma amiga.

E ela foi dormir assim, com o peso na consciência de que nunca poderia fazer algo assim de novo ou terminar.

[18 de Setembro de 2007; Terça. 17:09, festa de Meiko]

O que uma pessoa conseguiria fazer em apenas dois dias? O que Anjou não conseguiu foi terminar a carta para Menma, mas também não precisava.

Naruko dava passos pequenos, ela estava em um salão de festa decorado, o tema desse ano seria flores. O balcão de presentes estava em sua frente, prosseguindo um pouco estava o bolo. Vagarosamente, Naruko ia se aproximando do bolo, era ali que iria botar sua carta incompleta.

A folha de papel não estava dentro de uma carta, estava apenas dobrada com a parte escrita para dentro. Por fora se lia um “Para Menma”, a folha estava um pouco amassada.

Perto do bolo foi onde Naruko deixou seu único presente para Meiko, na hora do parabéns, quem sabe, ela poderia notar a folha.

E foi assim que ela foi embora da festa. Sem dizer nem um “oi” para a aniversariante.


Menma estava feliz, chegara o tão esperado momento do parabéns. Ela estava em cima de um banquinho para alcançar a alta mesa que a Sra. Honma escolha para ficar o bolo, a mãe da garota tirava fotos enquanto o pai segurava o irmão mais novo dela no colo. Todos cantavam felizes, o primeiro pedaço de bolo, que por acaso foi a mãe que cortou, foi ao Jintan, mas era para ser direcionado inicialmente à Anaru. Todos aplaudiram felizes e começaram a deliciar-se com o bolo bem feito que a senhora Honma preparou para todos que acompanhariam o aniversário.

Com os olhos sedentos para procurar algo mais, ela acha um pequeno bilhete posto de qualquer maneira na mesa, ela reconhecia a caligrafia, Anaru. Ela havia feito como prometido, não apareceu como Menma tinha esperanças, mas escreveu que tinha pedido à ela. Deu um pequeno sorriso e guardou o cartão no bolso de sua calça.

***

[17 de Setembro de 2011; Sábado. 14:19, quarto de Meiko]

A garota de cabelos albinos estava arrumando suas coisas de menor para doar. Até que pega uma calça em seu guarda roupa, era uma calça jeans, a última vez que ela usou foi em seu aniversário de doze anos. Ela se lembra também que ela nunca deixou que sua mãe lavasse porque a calça tinha recordações maravilhosas. A calça ficava um pouco grande demais para ela na época, e Meiko nunca conseguiu usar quando tinha ficado perfeita.

Menma riu com o pensamento.um pedaço de folha saía do bolso esquerdo da calça, estava meio amarelado e um pouco amassado. Ela tira com suas mão tendo cuidado para não amassar.

Ela leu com cuidado cada palavra escrita, um aperto tomou conta de seu coração, queria saber como a carta acabava, teria a tinta acabado e borrado? Ou ela nunca escreveu? Não, seria a primeira opção, Anaru sempre se esforça o máximo para terminar algo que começara, mas precisava resolver isso. Iria até a casa de Anaru!


— Filha!, a Menma está te esperando aqui na porta! Ela quer ir brincar com você como nos velhos tempos! — a Sra. Anjou gritou para a filha, logo depois convidou Menma para entrar, dizendo que Anaru ainda estava dormindo e que iria demorar para terminar de se arrumar. — Filha! A Menma está te esperando! Vê se você se arruma rápido! Não tem ideia de como é horrível ter que esperar.

“Ah sim, e como tenho ideia”, pensou Naruko se levantando da cama e botando uma roupa qualquer de seu armário, uma blusa de malha solta branca com um shorts jeans.

Ela desceu as escadas terminando de amarrar seu cabelo agora ruivo, ela havia pintado fazia um tempo.

— Anaru!, preciso falar com você! Venha! — Meiko segurou o pulso esquerdo da amiga e levou-a para fora da casa, dizendo para a Sra. Anjou — obrigada, tia! Eu trago a Anaru de volta antes do jantar!


Elas foram para um campo, quando eram mais novas as duas iam ali e ficavam horas brincando juntas, apenas as duas. Naruko inspirou um pouco daquele ar puro, sentia a nostalgia voltando de quando eram apenas as duas amigas, mais ninguém para ter conflitos.

— Anaru, você se lembra daquela carta que você me deu quando tínhamos doze anos? — a ruiva assentiu, nunca iria se esquecer, até tinha uma copia em casa para quando ela conseguisse terminar de escrevê-la. — Você terminou aquela carta?

— Nunca terminei ela, nunca soube como termina-la, — Menma pareceu indignada com a resposta. — mas, acho que agora eu tenho uma noção de como eu a terminaria.

— Sério?! Me conta!

— Não, ainda não vou dizer. Vai ter que descobrir por si mesma.

Quando o sol
Brincar no outono
Sentirá no meu sorriso.

Naruko esperava algum barulho reprovador que viria de Menma, mas nada ouviu, não era do jeito dela. Aos poucos virou sua cabeça para encarar a amiga, nesse momento fora surpreendida com um beijo roubado.

E com um beijo roubado
Em segredo


Em primeira mão, Anaru arregalou os olhos, não esperava aquilo de Menma, aos poucos foi cedendo ao seu carinho.

Os lábios de Meiko eram macios e doces.

— Acho que agora eu sei o que você sente por mim. — disse a albina.

Saberás que eu te admiro

— É, acho que eu também já entendi o que eu sinto.

Anjou olhou para o céu azulado, o vento batia nos cabelos ruivos dela, a brisa tinha um aroma doce. Foi surpreendida com a Menma encarando-a sem dizer uma palavra.

— Eu te amo, Menma. — quebrou o silêncio, dando mais um beijo em Meiko.

Com amor...


Foi nesse dia que as palavras serpentearam a cabeça de Naruko. “Por que eu sempre senti tanto ciúmes do Jintan?”.

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