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 Os Sentimentos de Ulquiorra

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Rukia-nee-san
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MensagemAssunto: Os Sentimentos de Ulquiorra   Seg 21 Jul 2014 - 18:28

Capítulo 21- A Paixão do Capitão de Gelo


Mais um dia. Era assim que um capitão de cabelos grisalhos pensava desde que elapartira. Respirar, alimentar-se, dormir… Fazia isso tudo de forma mecânica. Rotina. Não passava disso. Não se dava ao trabalho de repreender a sua tenente ou de chamar a atenção quando a Hinamori o chamava pelo apelido “Shiro-chan”. Nada mais importava. O mais importante era ela. E isso ele não tinha. O resto não importava. Era secundário.

Ele todas as manhãs tratava da papelada e na tarde ia procurar Karin. Mas nada. Já faziam três dias e nem uma pista dela.

A família também estava destroçada. Lembrava-se da expressão de cada rosto dos Kurosaki. Isso só piorou a sua culpa. Como era possível existir um sentimento tão ruim? Ele só vivia porque tinha esperanças de a encontrar. Mas ele sabia se um dia essa esperança apagasse, ele iria junto.

Como ele cogitou viver sem ela? Não estar próximo dela? Nem sentir a sua pele macia ou o seu cheiro a chocolate? Não sentir as batidas aceleradas do seu coração contra o seu peito... Foi um doido em pensar nisso e agora estava a pagar pelo seu pecado.

Já estava a anoitecer. Ele nem notara o tempo a passar. Ultimamente isso tem acontecido frequentemente. Andava desligado, alheio a tudo o que acontecia à sua volta e isso nunca lhe tinha acontecido.

Por vezes falava com Hyourinmaru e via que o dragão de gelo também não se encontrava bem. O seu mundo interior estava a destruir-se, a sua casa estava inabitável. Ele sabia que só o poderia ajudar quando achasse a Karin. Nem queria pensar na possibilidade de não a achar. Ele precisava dessa certeza. Não eram meras esperanças que o iam salvar daquela escuridão.

Cada passo que dava de regresso ao seu esquadrão, era uma batida a menos que o seu coração dava. Não estava a suportar. Qualquer dia desabaria perante a dor. E só passaram três dias! Dizem que o tempo cura tudo, mas o tempo só está a piorar. Cada segundo aquela maldita dor aumentava. Quanto mais pensava que era impossível a dor crescer mais ela crescia. O que ele poderia fazer?

– Por favor Karin, volta. – A frase escapou da sua boca sem o mesmo se dar conta. Quando percebeu ficou na dúvida se realmente chegou a dizer algo ou se não passara de um pensamento.

Olhou para o céu e várias memórias preencheram a sua mente. Todas elas de Karin. Lembrou-se de como conheceram, de como se tornaram “amigos”, as visitas à vovó Haru, as suas brincadeiras, os jogos de futebol… Que droga! Tudo, tudo lhe levava a ela. Mesmo que não tivesse nada haver uma coisa com a outra, ele sempre arranjava um meio para isso. Nestas alturas ser um prodígio era uma maldição!

A sua cabeça doía. Levou a mão até à testa e apertou, num acto desesperado de esquecer aquele vazio no seu peito. Parecia que tinha perdido seu coração, como um hollow. Ele deixou de ouvir seu coração, nunca mais ele bateu rapidamente. Nem mesmo com o esforço físico. O seu kokoro limitava-se às funções essenciais, assim como ele,: bombear sangue e nada mais. Não sabia o que era mais estar corado, furioso ou feliz. Ele antes omitia essas sensações, agora simplesmente não as sentia. A razão para isso desapareceu.

– TAICHOOOO! – Ouviu o grito de Matsumoto mas nem dignou-se a olhá-la ou responder. Simplesmente passou por ela e trancou-se no seu quarto. Não queria conversar com ninguém. Não queria ser atrapalhado. Queria apenas ficar sozinho, no seu canto.

E eram assim os seus dias. Por enquanto.

– Ei menina! Devolve isso! – O vendedor tentou pegar a jovem que roubara uma maçã mas esta fora mais rápida. Ela escondeu-se num beco e comeu calmamente, apesar de estar esfomeada.

Quando acabou de comer fora teletransportada para o seu mundo interior. Era praia belíssima. As águas eram cristalinas e tranparantes dando para ver o fundo do mar. O céu era límpido, de um azul lindo. Mas esta praia tinha uma característica própria: era sempre de noite. A lua cheia brilhava sempre intensamente no céu. Não era de admirar, a shinigami apreciava mais a luz misteriosa da lua do que a luz ardente do sol. Odiava Verões e calor excessivo. Preferia o Inverno com toda a sua neve e gelo.

– Porque me trouxeste para aqui Kamikaze? – A voz soara um pouco mais autoritária do que era preciso, mas não gostara da atitude ousada da sua zanpakutou.

Uma mulher bela surgiu sobre as ondas do mar. Cabelos brancos sedosos como a neve apanhados num glorioso rabo-de-cavalo, olhos claros que pareciam duas safiras. Corpo invejável. A sua pele era tão branca quão seus cabelos. Usava um vestido justo até à altura das coxas, de um azul tão claro que chegava a ser transparente. O vestido destacava as suas pernas torneadas que estavam descobertas. O vestido não tinha tecido nas costas, destacando a pele suave da albina. Esta tinha uma lua crescente púrpura na sua testa. A sua postura altiva dava-lhe um ar adocicado, de uma deusa caída dos céus. Não tinha uma expressão dócil mas era serena na mesma.

– Está na hora de recuperares as memórias, Karin. – Ela ignorara o tom mal humorado da sua mestre de há pouco.- Eu admito que nunca esperei que conseguisses me ouvir e activar a tua shikai em apenas três dias. Tu já estás preparada para saber a verdade.

– O que me interessa recuperar as memórias? Nada muda o facto de me sentir abandonada… Talvez seja melhor assim mesmo.- Ela sentia uma angustia quando pensava no que teria acontecido para morrer. Ela tinha medo do que poderia vir a descobrir.

– Kurosaki Karin. Tens assuntos para resolver. Assuntos com um determinado capitão… Assuntos esses que ficaram pendentes. – Ela olhou para ela decidida e viu que ela apesar de contragosto, concordou.

– Boa sorte Karin. – Com isto uma luz obrigou a shinigami a fechar os olhos com força e quando abriu estava no mesmo beco de antes. Teve uma ligeira tontura e caiu no chão, desmaiou.

Muitas imagens passaram pela sua mente, como um voluto. E lembrou-se. Da sua família, amigos, da sua morte… Dele.

Acordou toda suada. Como era possível ela esquecer o albino que tanto amava? Agora entendia o sentimento de rejeição que sentia, aquele medo de se lembrar… Era a dor de não ser correspondida. Ela levantou-se e caminhou pelas ruas da Seireitei. O que faria agora? Iria procurar o Toushirou? Afinal ele era um capitão, saberia como ajudá-la mas o medo de ser um incómodo voltou e decidiu virar-se por conta própria.

Começou a ouvir gritos e foi na direção deles. Qual não foi a sua surpresa ao ver um hollow semelhante àquele que a matou. Sentiu o sangue ferver. As imagens da sua morte não saiam da sua cabeça e com isso pegou no cabo da sua zanpakutou pronta para a desembainhar.

– Hitsugaya-taichou! – Um oficial corria na direcção do grisalho que ia para o seu escritório.

– Nani? – Perguntou desinteressado. Não estava com humor para gritarias.

– O senhor tem de ir a Seireitei imediatamente, há um hollow a causar problemas e não há outro capitão que esteja disponível. – O shinigami falou essa parte num sussurro, tinha medo da reacção do seu capitão. Ele não andava bem disposto desde que voltou e teria receio de ele descarregar a sua ira em si.

– Tsk. Que hei-de fazer? Ordens são ordens.– Com o shunpo desapareceu e foi para o local destinado. Queria despachar-se o mais rápido possível e voltar para finalizar os relatórios por preencher.

Ele estava próximo do lugar quando sentira uma modificação nos ventos. Estavam mais densos e fortes. O que era aquilo? Avistou o hollow e ia na direcção dele para o atacar quando ouviu uma voz familiar. Ele conhecia aquela voz.

– Habatakinasai ("Abra Suas Asas e Voe Alto") Kamikaze (“Deusa do vento”)!

O kimono e os cabelos negros de Karin balançavam com o vento que a rodeava. A sua espada ficara completamente branca, com a excepção do cabo que ficara roxo.

– Lamenta no outro mundo, tu seres tão parecido com aquele monstro que me matou… E por eu ter a zanpakutou mais forte do vento.

A shinigami controlava os ventos sem fazer nada. Fúria estava escrito nos olhos da moça. E com um ataque derrotou o inimigo. Voltou a guardar a espada e caminhou lentamente para a aldeia de cabeça baixa. Quando choca contra algo ou melhor alguém.

Praguejava baixinho por quem se tinha metido no seu caminho. Quando olhou para quem chocou, ficou incrédula. Pensava estar a ver uma alucinação.

– Tou…shi… Quer dizer, Hitsugaya-san! O que faz aqui, se me permite saber? – Karin quase cometeu um deslize pela surpresa mas logo recompôs-se. Não iria fraquejar outra vez. Ser sempre rebaixada também cansa. Ela desviou o olhar do dele. Não poderia falhar, e isso iria acontecer se fosse pega nas armadilhas daqueles olhos turquesa. Viu o espanto no seu olhar efelicidade? Não, era da sua cabeça de certeza. Porque ficaria feliz por vê-la? Não passava de uma humana ou melhor uma shinigami fraca.

Foi como se lhe dessem um balde de água fria. Estava radiante por a ter encontrado, por a ver lutar e que poder! Aquele hollow não era tão fraco como parecia. Mas as suas palavras mexeram com ele. Ela tinha as memórias. Mas estava amargurada, não parecia a mesma. A prova disso foi como ela o tratou, cordialmente. Os seus olhos estavam sem brilho, pareciam os mesmo olhos quando ele a encontrou no chão, morta. Susteu a respiração ao relembrar-se nisso.

– Chamaram-me para eliminar o hollow. Mas pelos vistos os meus serviços não são necessários. Tu foste mais rápida. – Não era bem isso que queria dizer, mas a coragem faltava-lhe. Ser tratado com tanta frieza doía mais do que pensava. Então era assim que ela se sentia? Toda a vez que falavam e ele a tratava com desprezo ela ficava assim? Como ela aguentou tanto tempo?

– Não fiz nada que qualquer outro shinigami não conseguisse. – Encolheu os ombros desinteressadamente.

Toushirou ficou surpreso pela fala dela. Ela não tinha auto-estima nenhuma? Ela não teria consciência dos seus poderes? Os seus pensamentos foram interrompidos quando notara ela afastar-se.

– Onde vais Kurosaki?

– Nem eu sei, andar por aí. Não tenho mesmo para onde voltar. – Ele pode sentir a tristeza dela e quis abraça-la, cuidar dela, não permitir que ela voltasse a sofrer por nada deste mundo.

– Vem para o décimo esquadrão comigo. Estou a precisar de novos recrutas.– Ele conteve um sorriso ao imaginar ver a Karin todos os dias. Essa possibilidade iluminou o seu dia.

– Não preciso de compaixão alheia, Hitsugaya taicho.– Ela gostara da sua proposta mas tinha ainda algum orgulho e dignidade. Não queria que os outros tivessem dó de si. Sentiu o seu braço ser puxado com um pouco de força a mais e viu aqueles olhos verdes furiosos. Sentiu um ligeiro arrepio na espinha pelo olhar penetrante dele.

– Não é compaixão Kurosaki, eu se fiz a proposta é porque reconheço o teu potencial para o meu esquadrão! – Ele estava irritado. Como ela só pensava em disparates? Bem, talvez ele tivesse uma certa responsabilidade por isso.

– Não venhas com mentiras para cima de mim Toushirou! – Ela já gritava, e ele ficou estupefacto por ela ter o tratado de novo pelo nome, mas muito feliz.- Eu sempre fui um atrapalho na tua vida como humana… Mesmo sendo shinigami isso não muda. Há coisas que nunca mudam Toushirou!

Ele não esperava por isso. Ela nunca o atrapalhou em nada, pelo contrário alegrava os seus dias com o seu costumeiro sorriso. Só agora viu que ela já estava a morrer aos poucospor causa dele. Ele era o responsável do seu sofrimento. Como pode ser tão egoísta?

– Karin…– Ela estranhou o facto de ele a tratar pelo nome e não pelo apelido e assustou-se como o pronunciara, estava atencioso?- … Tu tens razão não é por isso que quero que venhas comigo. Tu poderias ser a shinigami mais fraca de toda a Soul Society que mesmo assim eu iria querer-te levar. E não o és, só para teres a certeza disso. – Ela ia puxar o seu braço de novo, sabia que ele sentia-se culpado pela sua morte, que ele queria um alivio para a consciência e por isso queria levá-la consigo. Só que as suas próximas palavras a travaram.-Eu preciso de ti ao meu lado. Não tens noção do que senti nestes dias sem ti. Aliás, eu não senti… O que sentia era sofrimento. Sinto-me culpado por ter-te feito sofrer todo este tempo quando podia estar ao teu lado ver-te sorrir, senti-me mal por não poder proteger a mulher que amava, e era horrível saber que em vez de afastar-te de mim com palavras duras podia ter-te mantido ao meu lado com palavras doces. Nunca quis assumir o quão importante eras, porque isso violaria as leis. Eu, um capitão, com uma humana. Era uma relação proibida e complicada. Viveriamos em mundos diferentes. Por isso neguei com todas as forças. Só percebi que estava errado quando ao tentar proteger ambos deste sentimento, não pude proteger a tua vida. Em vez disso preparei-te o caminho para a morte. – Toushirou tinha os olhos marejados, já Karin não se mexia com a surpresa. Ele estava a declarar-se?- Perdoa-me Karin, eu não sei viver sem ti. E eu percebi isso da pior maneira possível: pensando que jamais te voltaria a ver. A vida pode ser minha mas o meu kokoro está contigo, o sorriso é meu mas o motivo é e sempre serás tu, Kurosaki Karin. Aishiteru. – Ele disse as últimas palavras a olhar fixamente nos olhos ónix. Analisava as suas expressões, como tentando prever a sua próxima atitude.

Ela estava em transe. Não acreditava que aquilo estava a acontecer. Era impossível.

Deixa de ser louca Karin e joga-te nos braços desse deus grego! Ouviu Kamikaze nos seus pensamentos a resmungar. E teve de lhe dar razão. Estava à espera do que para oabraçar? Era apaixonada por ele há muito tempo. Sempre sonhou com este momento e agora estava parada feito uma estátua.

Sorriu. Um sorriso encantador, acompanhado de uma linda mulher. Ela não esperou por mais nada. Ela capturou os seus lábios num beijo intenso, encaixando na perfeição os lábios de ambos. Quem os visse, ninguém diria que aquele era o primeiro beijo de ambos. Hitsugaya tinha os braços envolta da cintura dela, agarrava-a possessivamente, sugando os lábios finos e róseos. A morena tinha as mãos nos ombros do seu capitão, encontrando assim o seu apoio. As suas pernas estavam bambas e se o largasse certamente cairia.

Era curiosa a simetria do beijo deles. Para eles aquele beijo representava mais que amor. Um amor acumulado há tempos, mas nem um pouco frio. Sentiam-se livres, que não havia mais nada a esconder. Tudo estava dito naquele momento. E o tempo, a duração do beijo, era o fator mais insignificante. O que eles queriam eram apagar aquele fogo dentro de si. Aquela chama que os consumia.

Ele nem acreditara na iniciativa dela! Ele já sabia que ela era impulsiva mas não esperava algo assim. Muito menos um beijo daqueles. Ela andara a praticar por acaso? Sentia o corpo dela a roçar no dele e isso o levava à loucura. Estava a tentar conter-se mas ela não ajudava com as leves mordidas no seu lábio inferior. Agarrava a sua anca mais fortemente, tentando não fazer algo que não devia.

Apesar de Karin estar nos braços dele, Toushirou ainda não acreditava nisso, e temia que aquele sonho acabasse de novo, de modo não resolvido, como tinha acontecido tantas vezes no passado e lhe causara tanta dor e agonia.

Ela queria decorar como se sentia totalmente presa por ele, a ele. Queria lembrar o cheiro a menta e a textura dos lábios dele. Karin o abraçava implorando pelo calor do corpo do shinigami. As mãos e os braços dele, agarravam sua cintura. Lembravam-se do quanto esperavam por isso, o quanto sonharam com cenas e ocasiões diversas em que algo assim pudesse acontecer.

Os pulmões de ambos imploraram por ar e eles interromperam o acto para acalmar as respirações descompassas. Continuavam abraçados, com as bocas entreabertas e os lábios inchados. Abriram os olhos lentamente, olhando um para o outro. Ambos estavam levemente corados mas não se importaram em esconder o seu rubor. Só queriam aproveitar a sensação de estarem tão próximos um do outro.

– Aishiteru moo Toushirou. – Ele abriu um grande sorriso diante das palavras dela, sentia-se plenamente feliz por tudo o que aconteceu.- Néé taichoo, acho que agora vamos nos ver todos os dias não é? – Ela falava manhosamente no seu ouvido. O pobre capitão sentiu vários arrepios pelo seu corpo mas não deixou de responder à altura.

– E receberás ordens todos os dias do teu capitão, ele nem um dia vai esquecer disso.- - Olhava maliciosamente para ela que não desviara o olhar, antes lho retribuíra.

Eles voltaram para o esquadrão tinham de avisar sobre o retorno dela para os amigos e familiares. Mas ao entrar no seu escritório deparou-se com uma Matsumoto caída no chão, podre de bêbeda. Garrafas de saquê espalhadas por todo o lado. O cheiro a álcool era nítido e insuportável.

– MATSUMOTOOOOOO!

É tudo tinha voltado à normalidade. Ou nem tudo.





Capítulo 22- Final Feliz?

Soul Society

A notícia de que Karin estava bem, e a namorar um Taichou (e não um taichou qualquer), espalhou-se rapidamente. Todos estavam felizes por eles. Bem, nem todos. Um certo ruivo, teve alguns ataques de ciúmes de irmão mais velho. Instinto protector. Ainda perseguiu algum tempo o albino mas após tantos socos da sua irmã e futura esposa acabou por deixar esse assunto de lado. Não completamente. Sempre olhava de canto para o capitão do décimo do esquadrão e lançava-lhe provações sobre o seu tamanho, começando uma briga entre os dois.

O dia estava uma correria. Todos estavam a preparar os preparativos para o casamento de um membro da família Kuchiki. Até os espadas estavam a ajudar, alguns contrariados como era o caso de Ulquiorra e Grimmjow. Mas Nelliel e Orihime faziam-nos entram logo nos eixos. Todos estavam ansiosos pelo dia da grande festa, principalmente os noivos.

Finalmente chega o dia do casamento. A cerimónia realizou-se no sexto bantai. O esquadrão estava repleto de flores lilases e laranjas (porque será?) que combinavam na perfeição. Pétalas de rosas brancas eram espalhadas no chão, traçando o trajecto da noiva.

Ichigo vestia um terno preto com uma rosa vermelha no bolso (Ideia da sua irmã Yuzu, ao início ele contestou mas acabou por render-se perante o olhar ameaçador da mesma), tinha os seus cabelos ruivos bagunçados, dando-lhe um ar mais charmoso. Ao seu lado, estavam Ulquiorra e Toushirou. Tal como o noivo, estavam vestidos classicamente mas nada tão elegante. Karin e Toushirou também foram convidados para padrinhos pela Rukia e eles –lê-se a Karin- prontamente aceitaram.

Como Ulquiorra preveu, Ichigo estava nervoso e irrequieto. Não parava quieto nem um segundo. Andava constantemente de um lado para o outro, a remexer nos seus cabelos. Suava frio. A sua testa estava toda transpirada, molhando levemente a sua franja. Como uma mulher tão pequena demorava tanto tempo para vestir-se?

– Mas ela ainda vai demorar muito tempo?– O noivo estava cada vez mais impaciente, mais um pouco e iria buscá-la. – Será que ela desistiu? – O pavor tomou conta dele. Ela poderia ter arrependido-se.

– Sorte para ela. Azar para nós que estamos aqui. – Ulquiorra como sempre era encorajador nos seus comentários….

– Tu não estás a ajudar. – Ichigo fuzilava com o olhar o espada que mantinha-se imparcial

– A ideia não era ajudar. Eu já sabia que isto ia acontecer. – O tédio era claro na cara e voz do moreno

Hitsugaya limitava-se a suspirar. Tinha de dar razão ao espada. Se ele tivesse que aguentar o ruivo mais um segundo ele próprio iria buscar a noiva.

– Tu falas assim porque não casas-te com a Inoue! E se fosses tu no meu lugar? Já não pensavas assim…– Ichigo provocou o espada para esquecer a sua própria ansiedade. Sorriu triunfante.

– Não precisamos de algo fútil como assinar o papel para mostrar que pertencemos um ao outro. E eu já tive no teu lugar Kurosaki, esperei semanas, sem mesmo saber se ela voltaria, na forma de arrancar. E não fazia essas figuras tristes como tu. Não te preocupes não tens de esperar tanto, se ela desistiu ainda hoje saberemos. Não que seja algo inesperado, só mostra que ainda tinha alguma sanidade em si. – Atingiu em cheio no orgulho do shinigami. Sabia que estava a ser infantil pela demora da noiva. Mesmo sabendo que isso era algo tradicional. Maldito espada! Tinha sempre uma resposta debaixo da língua!

Toushirou teve de conter uma leve risada para não humilhar ainda mais o pobre substituto de shinigami. Ele via como Ichigo estava furioso e se as provocações continuassem certamente iria começar uma briga feia. Suspirou outra vez. Quanto mais tempo elas pretendiam fazê-los esperar?

As meninas estavam todas à volta da noiva. Rukia usava um vestido, à medida, branco muito elegante. Tinha mangas compridas, feito de cetim e rendas das mais caras. No vestido de Rukia o pormenor da renda vai nos punhos e nas costas, levando cerca de vinte botões em cada manga e duzentos usados para fechar nas costas - coitado do noivo que teria de abrir aquilo!. Para combinar usava sapatos com detalhes brilhantes. Os seus cabelos estavam soltos com uma fivela no meio. Tinha uma leve maquilhagem prateada realçando a cor dos seus olhos. Perfeita. O seu vestido transmitia inocência, mistério, fantasia e romance. Parecia um anjo caído.

Orihime encontrava-se ao seu lado a tratar do cabelo de Rukia. A princesa de Las Noches tinha uma elegante trança apanhada de lado, destacando o seu perfeito perfeito e tentador pescoço. Usava um vestido vermelho até ao joelho com um decote generoso. O vestido condizia na perfeição com seus cabelos ruivos. Uma beleza embriagante.

Karin ajudava no vestido. Ela tinha os seus cabelos tipicamente apanhados num rabo-de-cavalo com um vestido preto justo. Suas costas, pernas e coxas estavam totalmente descobertas. Uma palavra: provocadora.

Nelliel também estava a ajudar no vestido. Tinha os seus cabelos soltos, que pareciam uma cascata. Usava um vestido azul claro até os pés, com um corte lateral que ia da nádega até o fim do vestido, revelando a sua bela perna torneada. Estonteante.

Todas conversavam animadamente. Mas tiveram que despachar-se porque já passara algum tempo da hora e estavam atrasadíssimas.

Orihime, Karin e Nelliel entraram na igreja atraindo vários olharem de luxúria dos homens. Todas tomaram os seus lugares. Nelliel foi para o lado de Grimmjow que estava com o pescoço levemente inclinado para ter um campo de visão mais alargado da perna à mostra. Nelliel quando reparou deu-lhe uma cotovelada no meio da cara. Chamando-o de tarado.

A ruiva e a morena foram para o lado dos seus companheiros. Eles não estavam menos fascinados que o sexto espada. Valeu a pena esperar. Olhavam mais discretamente que o homem de cabelos azuis, mas não com melhores intenções. Mas como padrinhos tinham de manter a compostura.

Logo a música começa a tocar e a noiva aparece. Todos os convidados se ergueram estupefactos com a beleza da mesma. Ela estava levemente corada com um braço dado em seu irmão, Kuchiki Byakuya. Eles caminhavam lentamente na direcção de Ichigo.

O ruivo não pensava em mais nada a não ser em como tinha a noiva mais linda dos três mundos. Convencido. Ele sorriu quando ela chegou ao pé dele e ele estendeu-lhe a mão que ela rapidamente aceitou. Antes de virar-se pode ver um aviso silencioso do Kuchiki mais velho. Desgraçado de ti se magoares a minha irmã. Tremeu só de pensar, engolindo a seco, pensando no que ele lhe poderia fazer.

Sentiu uma descarga eléctrica ao tocar na mão pequenina e macia. Sentia-se nervoso por estar perante uma mulher tão bonita. Nossa, será que ele ia para o Inferno por desejar tanto aquela mulher? Parecia um pecado tocar-lhe, sorriu consigo mesmo quando se lembrou do seu primeiro beijo com ela. Em como os lábios virgens dela se moviam contra os dele sob a chuva, sentiu-se poderoso. Dono do coração dela, assim com ela era do seu.

No amor nunca há vencedores, ambos são vencidos. Estão subjugados pelo mesmo sentimento. Ambos se rendem aos encantos do seu parceiro. Agora reparou que ela não andava devagar porque estava nervosa ou por ser coisa de noiva mas porque ela não conseguia andar em sapato alto! Quase gargalhou com isso.

O Comandante fazia o papel de padre. Estava a falar mas nenhum dos dois o ouvia. Eram só eles. Parecia mágico aquele momento.

– Aceita Kuchiki Rukia como sua esposa? Amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na pobreza e na riqueza? Até ao fim da sua vida? – Ele olhou intensamente para ela e não evitou um sorriso de canto.

– Se eu soubesse que iria ter uma mulher destas na minha frente antes, tinha decidido morrer mais cedo. Quem diria que não é só a vida que tem coisas boas. – Risos ecoavam pela sala- Aceito.

– Aceita Kurosaki Ichigo como seu esposo? Amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na pobreza e na riqueza? Até ao fim da sua vida?– Rukia não desviou o olhar nem um segundo do dele.

– Aceito, seu babaca. – Ichigo iria xingá-la se não estivessem a ser observados por quase toda a Soul Society! Mas que raio, ninguém trabalhava, não? E aliás, quem ofende o noivo, er... marido no próprio casamento!? Bufou irritado.

Yachiru chegou saltitante com uma cesta nas mãos e entregou as alianças. Ichigo quis tratar dessa parte pessoalmente, não queria que fosse a família Kuchiki. Eram umas alianças simples, só de ouro, sem aquelas pedras preciosas e quando ele colocou o dedo no anel nela, ela reparou numas letras dentro da aliança. Forçou a visão e leu. Sentiu os olhos marejarem mas controlou-se para não borrar a maquilhagem. Ichigo Kurosaki. Assim como quando ela colocou a aliança nele viu que também tinha duas palavras. Rukia Kurosaki. Sorriu. Aquele ruivinho era uma caixa de surpresas.

Ele aproximou-se dela, enquanto fechava os olhos lentamente, à medida que se aproximava dela. Um beijo tímido. Quase não passou de um roçar de lábios, mas foi o suficiente para o casal ficar envergonhado.

– Os beijos safados eu deixo para mais tarde. – Ichigo sussurrava, piscou o olho direito para ela, que morria de vergonha! Idiota! Karin e Orihime estavam boquiabertas com um leve rosado nas bochechas, reprovando a fala dele. Os padrinhos não evitaram rir baixinho do comentário mas logo também foram repreendidos pelas suas namoradas.

– Eu ouvi isso capitão Kurosaki! – Era visível uma feia na testa do Comandante. O ruivo limitou-se a revirar os olhos desinteressado. Já era mulher dele mesmo.

A cerimónia correu dentro da normalidade. Agora era a festa particular. Só os amigos mais íntimos se encontravam lá. Começaram por entregar as prendas e nesse momento Rukia entregou a dela a Ichigo que ficou confuso. Ficou meio encavacado em aceitar, pois ele não comprou nada. Não sabia que o noivo também dava prendas. Baka. Rukia sorriu já esperava isso mesmo vindo dele.

Ichigo quando abriu a prenda ficou confuso. Era um par de sapatinho, um dos sapatos era azul e outro rosa. Continuava sem perceber. Seria aquilo alguma brincadeira? Rukia vendo a sua confusão logo tentou esclarecer.

– Estou grávida de um mês Ichigo. Não sei se é um menino ou uma menina por isso comprei um sapatinho de cada cor. Vais ser pai! – Rukia estava feliz e todos os amigos estavam eufóricos. Esperavam, ansiosos por alguma atitude do ruivo.

– P..a..i? – Ichigo não sabia o que sentia. Estava feliz e muito. Mas não esperava por essa. Foi apanhado totalmente desprevenido. Começou a ver um burrão e logo tudo se apagou, caindo da cadeira.

– ICHIGO!!!! – Rukia ficou preocupada com ele. Logo tentou acordá-lo mais Karin e Orihime.

Mas logo sentiram uma leve brisa tomar conta do local. Como era possível? Estavam num lugar fechado. Foi aí que se lembrou. Nem todos gostariam de saber que ela estava grávida antes mesmo de casar…

– Vou matar esse insolente! Como se atreve a tocar na minha irmã antes da cerimónia sagrada? Esse substituto não passa de hoje mesmo!– Byakuya preparava-se para usar a sua shikai se não fosse por Renji e outros shinigamis a impedirem o capitão furioso. Não podiam permitir que Ruiva ficasse viúva ainda sem gozar alguns momentos de casada.

Havia passado uma semana desde o casamento. E tirando alguns incidentes tudo estava calmo na Soul Society. E era na hora dos arrancars retomarem ao seu lar.

Hueco Mundo

Quando Orihime chegou a Las Noches nem queria acreditar que estava finalmente em casa!

Ela tirou aquele dia para descansar, uma vez que no dia seguinte teria muito trabalho pela frente. Ao deitar na sua cama sentiu a falta de um corpo. Ele não estava com ela. Tinha assuntos urgentes a tratar do Hueco Mundo. Afinal o Rei ausentara-se quase um mês. Não era de estranhar que ele andasse com trabalho até as paredes. Sentia saudades de ter alguma privacidade com ele. No ex mundo dela e na S.S. eles não tinham tido contacto maior porque eram sempre interrompidos. Amava os amigos mas naquela hora só lhe apetecia lançar-lhes um ciero.

Fechou os olhos com força, e com o cansaço acabou por adormecer, abraçando-se a si mesma imaginando que seriam os braços do espada de olhos verdes. E só com isso, dormiu descansada.

No dia seguinte Orihime começou o seu trabalho de ressuscitar os espadas e fraccíons. Esteve durante horas no laboratório de Aporro até que finalmente conseguiu o que pretendia. Viu os espadas a abrirem os olhos calmamente. Por estes terem um poder espiritual maior, acordaram primeiro que os fraccíons.

O Coyote Starrk e a Tia Harribel não fizeram grande alarido por terem sido ressuscitados por uma ex humana. Até aceitaram bem a situação. Pareceu que não, mas eles lhe estavam gratos. Tinham uma outra chance de viver, mas desta vez ao seu modo, sem Aizen. Uma vida tranquila. Ela simplesmente contou tudo o que aconteceu e eles aceitaram tanto Ulquiorra na liderança, como a paz com os shinigamis. Não queriam mais lutar desnecessariamente.

Passado pouco tempo os fraccíons (Lilynette Gingerback, Emilou Apacci, Franceska Mila Rose, Cyan Sung-Sun, e uma arrancar de cabelos pretos e olhos rosa mais uma outra arrancar que sempre acompanhava a anterior, loira de olhos verdes) também acordaram e estes apesar de estranharem a atitude da ruiva, até a aceitaram. Menos as duas últimas que a tinham atacado em outros tempos que estivera cativa, principalmente a morena. Ao inicio não acreditavam no que viam e depois não compreendiam o motivo de tê-las ressuscitado. A ruiva sorriu levemente e descontraidamente. Não queria guardar rancores e acima de tudo não se esquecera que elas o ajudarão com o décimo espada, Yammi. Estavas-lhes agradecida.

– És estranha, diferente... Continuo sem te compreender, princesinha. – A morena de olhos rosa não evitou um sorriso debochado, não conseguia perceber aquela mulher. Mesmo agora sendo igual a ela, ou melhor uma espada! Continuava sem entender as atitudes da mulher de olhos acinzentados.

– Por vezes mais vale ser diferente dos outros e ser feliz, do que ser igual a todo o mundo e ser pateticamente infeliz.


Capítulo 23- Retorno do Vilão

Soul Society

– Pensam que me derrotaram… Na realidade, as coisas começaram agora mesmo. – Uma aura negra cobriu todo o lugar. Uma risada diabólica ecoava por todo o local. Quem a ouvisse aterrorizava-se de medo. Era como ouvir a própria morte.

Hueco Mundo

– Jowjow-kun! – Nell abraçava Grimmjow contra o seu peito, deixando o espada extremamente corado.

– Larga-me mulher estúpida! Comporta-te! – Grimmjow lutava para fugir dos braços dela. Enquanto isso os dois eram observados pelas fraccíons do primeiro e terceiro espada, com uma gota na cabeça.

Lilynette que estava farta de observar aquela cena, irritou-se e deu um chute bem forte na cabeça azulada, fazendo o mesmo voar longe.

– Mas tu endoideces-te piralha?– Grimmjow tinha um olho negro, e estava pronto para atacar a menina quando esta lhe volta a bater.

– Eu é que pergunto isso! Deves mais respeito sexto, ela é a terceira!

– Ex terceira queres tu dizer!

A menina de cabelos verdes ficou ainda mais furiosa com a resposta dele. Como ele se atrevia a corrigi-la?

–Olha como falas comigo verme, eu sou a fraccíon do primeiro!

– Exacto, uma fraccíon! E eu um espada! Mete-te na linha miúda!- O sexto espada sorriu presunçoso. Mas seu sorriso não durou muito tempo. Logo ele viu um punhal em sua direcção e se não tivesse mexido um milímetro a cabeça, a esta hora não teria um olho. Inclusive, alguns fios azuis do seu cabelo estavam no punhal cravado na parede. Ele teve vontade de matar aquela piralha maluca mas a Nelliel agiu em defesa dela. Tsk, mulheres. Nem se conhecem mas protegem-se com unhas e garras umas às outras.

Ulquiorra apareceu no sonido e mandou todos se calarem. Ordenou que todos fossem ao Grande Salão e que avisassem os outros, tinha uma notícia urgente.

Apache e Sunsun foram a correr avisar os restantes membros da repentina reunião, e que parecia ser muito séria. Orihime quando foi avisada, sentiu um aperto do peito. Não gostou daquela sensação, estava com um mau pressentimento. Como se fosse um sexto sentido.

Quando todos estavam reunidos, o Rei de Hueco Mundo deixou os rodeios e foi directo ao assunto. Aquele assunto não poderia ser mais prolongado.

– Já sei quem estava por trás do ataque de Hollows do outro dia. E tal como se suspeitava, o alvo éramos nós. A Soul Society mandou-me a informação agora e precisa de auxílio, eles estão a ser atacados. Ele quer vingança. Aizen voltou!

O espanto foi geral. Ninguém suporia que o shinigami traidor retomasse um dia.

– Mas como? Como ele pode atacar os shinigamis sem súbditos? Isso é impossível! – Grimmjow estava alterado. Não gostara nem um pouco da notícia. No fundo, o sexto espada fez a pergunta que martelava na cabeça de todos os presentes.

– Ele tem um exército. Tal como fez connosco ele criou arrankars mas estes não estão no nível tão elevado como o nosso. Ele pretendia quantidade… Não exactamente poder. Até porque isso poderia virar um problema para ele. A sua autoridade podia ser contestada, como alguns dos nossos fizeram e pagaram caro por isso.

A explicação de Ulquiorra calou a todos. Ele olhava de relance para Orihime e via que ela estava calada, até demais. Olhava para um ponto fixo, com uma cara séria, parecia até indiferente ao ocorrido. Mas ele sabia que isso era a última coisa que ela estaria. Ela estava preocupada e muito. Compreendia o seu temor. Afinal esta luta parecia não ter fim.

Ulquiorra abriu uma garganta sobre o olhar curioso de cada um. A ruiva olhou para o gesto do espada e sabia o que ele ia fazer. Andou calmamente na sua direcção e deu-lhe um pequeno sorriso, feliz com a sua acção. Sem mais entrou na garganta, não olhou para trás nem disse uma única palavra. Todos ficaram sem perceber o que se passava.

– Eu não vou obrigar ninguém a lutar ao lado dos shinigamis. Quem quiser vir venha, quem não quer simplesmente não venha. Não vou dar lições de moral e repreensões. Tenho mais com o que me preocupar. – O quarto espada fechou os olhos quando acabou de falar, e com as mãos nos bolsos ele seguiu o mesmo caminho da onna.

Os espadas e fraccíons que ficaram olhavam entre si. Nelliel ia correr segui-los mas viu o sexto quieto e isso a preocupou. Ele não iria? Bem, Ulquiorra deu-lhes a escolher.

– Mas o que nós estamos aqui a fazer parados? Bora lá ter com eles! Eles sem nós não vão conseguir fazer nada! – Grimmmjow do nada gritou eufórico, e com um sorriso de canto completou- Eu nunca recuso uma luta, principalmente uma deste calibre. O Aizen vai ter troco por nos ter usado! – Nelliel sorriu com as palavras do espada, no fundo ela sabia que ele ia para ajudar os shinigamis. O sexto espada correu em direcção à garganta com a ex espada atrás dele.

Como se de repente tivessem tomado a consciência, os restantes deram discretos sorrisos, como concordando com as palavras pronunciadas anteriormente. E com isso todos foram em direcção à Soul Society. A garganta fechou-se. A luta iria começar.

Soul Society

O dia estaria tranquilo se não tivessem sido invadidos pelo ex capitão do quinto bantai. Quando menos se esperava foi quando tudo aconteceu. O céu por onde uma vez o substituto de shinigami mais o seu grupo, entrou para invadir para salvar Rukia, estava coberto de gargantas, por onde o exército de arrankars saía. Eram incontáveis.

Shinigamis que entraram no Senkaimon repararam que o portal não voltava a abrir e viam centenas de olhos no escuro. Nunca se soube mais nada deles.

A Seireitei estava em estado de emergência. Enquanto os treze esquadrões se preparavam para a luta, as propriedades das famílias nobres eram devastadas. Em simultâneo, Rukongai era atacada. Casas eram destruídas, enquanto os arrankars alimentavam-se das almas e matavam quem se metesse no seu caminho.

Ceifavam vidas.

O sítio esta em mísero estado. Ninguém acreditava em salvação depois do que acontecia. Nem um filme de terror era comparável àquela situação. As almas estavam aterrorizadas, choravam sem vergonha. Só queriam que aquilo acabasse como um pesadelo. As pessoas desesperadas tentavam acordar, como se estivessem presas em algum feitiço.

Quando a garganta abriu e os espadas saíram não evitaram a surpresa nas suas expressões. Aquilo estava um caos. Orihime e Nelliel sentiam pequenas lágrimas a escorrerem pelos seus olhos. Havia muitos feridos e mortos. Até os outros espadas ficaram chocados com a brutalidade dos arrankares. Não era comum esta violência. Provavelmente foram alterados pelo Aizen, mais um dos seus jogos psicológicos. Ele queria que as pessoas desejassem a morte. E estava a conseguir. Eles sentiam-se enjoados só de ver.

Orihime foi socorrer o quarto esquadrão com os seus poderes de cura e quando a situação “estagnou” foi para o ataque.

A situação estava complicada. Aizen estava muito poderoso… Ninguém sabia de onde foi buscar tanto poder. Sem contar que o exército dele era enorme. Os shinigamis não estavam a dar conta do recado.

O capitão do décimo esquadrão encontrou o traidor no quinto esquadrão. Ele compreendeu: Hinamori! Ele iria fazer um dos seus truques e manipulá-la! Se isso acontecesse, ela seria dada como traidora. Toushirou activou a sua bankai e atacou Aizen, que estava imóvel a ver os seus ataques do albino não terem algum efeito. Tinha um sorriso cínico no rosto que só irritava mais o pequeno capitão.

Karin estava preocupada com ele. Ela não estava muito longe. Sabia como ele era e sabia coisas suficientes do inimigo para saber que Toushirou perderia. Hitsugaya estava de cabeça quente, não pensava, e isso poderia ser muito mau. Como da outra vez, sede por vingança, ele atacou Hinamori em vez de Aizen. Ele não podia lutar pela vingança, mas para proteger.

– Oh, poderosas palavras dos seres superiores, oh entidades divinas que tudo sabem que tudo vêem, mostrem a dor aos descrestes, o poder infinito da alma… HADOU Nº1, SHOU!

Num acto de loucura, Karin acerta com um kidou no albino. O ataque não o magoaria muito, mas o afastaria do oponente.

Toushirou olha incrédulo para ela. Porque ela o atacou? Seria obra de Aizen? Quando ele ia exigir explicações. Sente ela com os braços agarrá-lo pelos ombros a tirá-lo do campo de batalha com o shunpo.

– Menina sensata… Diferente do irmão… Ela salvou-te Capitão Hisugaya. – Aizen divertia-se a ver aquela confusão. A cada minuto o seu sorriso se alastrava mais.

Ele tentava afastar-se mas não conseguia, o pequeno ferimento não permitia. Ele ia mandá-la parar mas vê o olhar determinado da rapariga, por um momento assustou-se, e ficou orgulhoso. Mas continuava sem perceber.

– Karin…

– Toushirou o que estavas a fazer? – Ele ia responder mas fora violentamente interrumpido- Nada! Só estavas a lançar-te para a morte certa! Achas que é assim que o vences? Não lutes por conta própria! Todos estamos a lutar juntos… Esquece as mágoa do passado. Ele só quer provocar e tu caíste na perfeição… A Soul Society não pode perder um taichou agora Toushirou, e eu não posso perder-te a ti. Por isso não faças loucuras. – Karin tapou os olhos com a franja, não queria pensar nisso. Mas estava complicado. Arfafa só de imaginar perdê-lo por causa daquele crápula sádico. Tinha de manter a calma. Suspirou e parou de correr, longe das lutas sangrentas.

Ela tinha razão. Ele deixou que os sentimentos interferissem na batalha e ele estava em clara desvantagem por isso. E ver a Karin assim só piorou o seu estado interior. Ele tinha medo das consequências desta luta, e claramente ela também. Tinha medo de esta ser a última vez que se viam. Sentiu um arrepio na espinha, não podia suportar isso de novo. Mas tinha consciência que a vida deles não era garantida, nem a dele nem a dela.

Por primeira vez na vida decidiu ser egoísta. Não queria saber mais da luta. Se eles perdessem, então que perdessem juntos. Queria passar os seus últimos momentos com ela. Mesmo que fosse lutando. Ele dá-lhe um leve beijo na testa e roça os seus lábios. Olhavam-se com medo do que viria a seguir. Mas acalmaram-se. Estariam juntos e isso era o mais importante. Mais confiantes voltaram para o campo de batalha que os aguardava.

Ichigo, Hirako, Uraha e Yourichi lutavam contra Aizen. Mas nada. Mesmo com os espadas a ajudá-los parecia que nada surgia efeito. O que fazer? Já não sabiam o que fazer. Usaram todas as suas armas e ele só tinha uns leves arranhões. Droga.

Orihime parou para analisar a situação. Deveria usá-lo? Estava na primeira fase da sua ressureição. Aizen olhou para ela como se a desafiasse. A arrancar não desviou o olhar. Tinha de o fazer por eles. Uma onda de energia cobriu todo o seu corpo e Ulquiorra olhou chocado para ela. Não gostava do rumo que as coisas estavam a tomar… Algo lhe dizia que isso não era bom.

– Nunca quis sequer falar deste poder… As consequências dele são drásticas. Não consigo controlar o meu poder na perfeição. E quando tens um grande poder mas não o sabes controlar, ele vira uma maldição. A tua própria arma vira—se contra ti. Se eu o usar na potência máxima posso destruir todo este mundo, ninguém escapa nem mesmo eu… Vou usar uma potência mais baixa e acabar contigo. Posso não ter tempo de escapar do meu próprio ataque mas tu também não terás. – Os olhos cinzentos fulminavam o shinigami. Uma seta e uma flecha rosa brilhavam nas suas mãos. E estava pronta para a lançar quando alguém agarra nos seus pulsos.

– Não farás isso onna, não o posso permitir. Em uma batalha onde se perde a pessoa amada, nunca há vitoria. – Ulquiorra olhava sério para ela, Orihime sentia os olhos marejaram. Se não o fizesse eles nunca poderiam vencer. Foi aí que percebeu. A mão de Ulquiorra que estava no seu punho, brilhava. Sorriu. Ele queria unir as reaitsus de ambos e ela não usar uma carga tão forte do seu poder.

O quarto espada permitiu que o seu poder fluísse pelo corpo, ficando assim na segunda fase da sua ressuicion. Aizen olhava estupefacto. Não conhecia esse poder de Ulquiorra e por breves momentos irritou-se. As coisas já não estavam a sair como planeadas. E ele atacou os dois arrancares.

Eles unem a força das suas transformações e vendo o ataque de Aizen. Orihime larga a seta, criando um escudo que alargou-se por todo o mundo celestial. Protegendo cada amigo seu, cada cidadão. Uma luz branca tomou conta do lugar, ninguém conseguia enxergar algo. E por breves segundos, não se ouvia nada, só silêncio.

Mas aí uma explosão forte chamou a atenção de todos. Orihime saiu da sua transformação, voltando ao normal. Ela fora repelida pelo seu próprio ataque, tinha perdido os sentidos e iria bater forte contra um edifício se não fosse Ulquiorra que a apanhou ainda no ar, a protegendo com o seu próprio corpo. Ela repousava em seu peito. Parecia estar bem. E isso tranquilizou o espada. Ele olhou em volta, como para se situar. Venceram. Ela conseguiu!

Abraçou a mulher que estava nos seus braços. Por fim, poderiam esquecer aquele pesadelo e viver suas vidas tranquilamente.

Os shinigamis gritavam de alegria. Corriam para celebrar a sua vitória inesperada. Apesar dos machucados, ignoravam a dor.

Nelleil sorria olhando para o céu. Paz. Como nunca tinha saboreado algo tão bom? Ela foi a correr abraçar Grimmjow que pela primeira vez não reclamou, não disse nada. Só deixou e abraçou de volta. Encaixando a sua testa no pescoço da mulher.

Ichigo olhava para a amiga adormecida e agradecia-lhe internamente. Graças a ela e ao moreno eles estavam bem. A sua esposa e filho, amigos, família, ninguém corria perigo.

Ele andou calmamente até eles e colocou uma das mãos no ombro do espada que olhou para ele sem perceber.

– Valeu, Ulquiorra. – Repetiu a mesma frase quando este o salvou. Sorriu e voltou para o círculo de amigos.

Ulquiorra nada dizia. Estava pasmo com tudo o que aconteceu em tão pouco tempo. Suspirou de alívio.

Por vezes a paz encontra-se onde nós menos esperamos. A paz que ele procurou como súbdito de Aizen era a ausência de lutas, eliminar os lixos para se viver em paz. Mas aquela mulher deu-lhe o que ele tanto procurava e ele nem teve consciência disso.




Capítulo 24- Pequeno Moranguinho

Soul Society

Após o episódio aterrador da invasão, todos lutaram para reconstruir o seu lar. Ajudavam-se mutuamente. E apesar de muitos terem perdido a sua casa e de outros terem ficado gravemente feridos, estavam com um sorriso no rosto. Tudo acabou bem. Com muitas perdas, certo. Mas todo o sangue derramado foi honrado. Não foi em vão. Eles venceram! E era assim que tinham de pensar a partir de agora.

Alguns meses passaram e Rukia a qualquer momento teria o bebé. Já estava com uma grande barriga, contudo ela não pensava em como tinha ficado gorda e sim em como o seu bebé deveria ser saudável pelo seu tamanho.

Ela acariciava levemente o ventro cantarolando uma canção. Não se lembrava da letra toda, só algumas partes. Era uma canção que a irmã cantava para ela quando era pequenina. Conseguia lembrar-se da melodia. E sentia-se tão bem ao fazer isso!

Não sabia o sexo do bebé. Não quis saber. Ela queria desvendar isso na hora e escolher o nome que lhe viesse à cabeça, sentido qual era o melhor nome para seu filho ou filha. Não queria uma coisa qualquer, queria que fosse especial, único. E queria que o nome condissesse com o seu bebé.

Ela não se preocupava com coisas fúteis como se seria parecido com ela ou com o Ichigo. Queria que ele fosse ele mesmo, e não uma cópia dos pais! Apesar de ter muita sorte em ter pais lindos de morrer. Como seria aquela criança? Dava algumas risadas ao pensar nisso.

Ela ausentara-se desde o sexto mês de gravidez do seu trabalho de tenente. Tinha de velar pela sua saúde. Ichigo quase a matou quando soube que ela ainda tratava de alguma papelada no segundo mês, quanto mais se continuasse a trabalhar até o nono mês. Ele era muito protector. Até demais! Bufava irritada com isso. Mas até achava uma certa piada. Ela sabia que tinha muita sorte com o marido que tinha, que não tinha nada de se queixar e sim agradecer. E agradecer muito mesmo. Ele era o marido e pai ideal.

Fechou os olhos ao sentir uma brisa fresca remexer seus cabelos e acariciar a sua cara. Tão bom. Gostava dessas sensações simples, mas tão prazerosas. As coisas mais belas são as mais simples. Curioso, não?

Levantou-se para ir comer qualquer coisa. Agora comia por dois! Mas mais parecia que comia por três, aquele bebé só sabia comer! Credo! Mas aí sentiu uma pontada no ventre. Abaixou-se com a mão no local, gemendo de dores. Sentiu algo, uma humidade quente pelas suas pernas. Abaixou o olhar e arregalou os olhos. As águas rebentaram! Ele vai nascer!

Começou a gritar, esperançada que alguém a ouvisse. Um serviçal entrou no aposento e viu a sua senhora abaixada no chão com dores. Mandou que avisassem o irmão, marido e os cunhados da Rukia, enquanto ele a levaria ao quarto esquadrão.

Ao chegar ao quarto esquadrão, a morena implorava aos céus que a dor parasse. Sentia que a sua coluna partia ao meio. E eram só as contracções ainda! Chorava pelas dores intensas. Como algo tão belo como o nascimento de um filho era tão doloroso? Lembrou-se que Ichigo queria ter dez filhos… Na altura achou engraçada e interessante a proposta do ruivo. Mas agora, é que nem pensar! Passar aquilo mais nove vezes? Nem sabia se aguentaria esta, quanto mais…. Iria era mandar o shinigami para um certo sítio. Fácil falar… Eles faziam-no juntos mas quem o punha cá fora era ela sozinha! Iria falar com o Capitão Kurotsuchi, de certeza que aquele cientista louco arranjaria forma de ser Kurosaki Ichigo a ter os próximos filhos!

A sua testa pingava suor, o seu cabelo húmido, o corpo suado… Sentia-se quente e muito. E não havia hora de aquela dor maldita parar! E sério, se aquelas médicas me voltam a mandar puxar com mais força, eu arranco-lhes a cabeça! Estranho, o seu humor andava meio sensível ou era impressão sua? Buff. Queria lá saber! Agora tinha era de fazer força para dar fim naquele parto.

– Capitão Kurosaki!!!

– Hum, nani? – Ichigo viu um homem correr na sua direcção, e pelas roupas diria ser um serviçal de uma família nobre. Tinham uniformes iguais aos da família Kuchiki. Espera… Kuchiki? Ai meu Deus! A Rukia! Como era baka! Será que lhe aconteceu algo? O ruivo já estava a ficar desesperado só de pensar nessa probalidade! Correu até ele, agarrando nos seus ombros com uma força excessiva, balançando-os repetitivamente.

– A Rukia está bem, não está!? Não me digam que ela passou mal! Pior, ela teve um aborto natural? Não, não… Homem não fique calado diga logo o que se passa! – O serviçal sentia-se tonto sendo balançado com tanta força. Ichigo logo reparou e pediu desculpa pelo seu comportamento, meio encavacado.

– Como eu estava a tentar dizer senhor, Rukia-san vai ter o bebé agora! Ela já está no quarto esquadrão com a capitã Unohana.

Ichigo piscou algumas vezes, abria e fechava a boca sem nada sair dela. Tentava encaixar a informação na sua cabeça. Vai nascer, e agora… Um sorriso bobo estava na cara do Kurosaki. O serviçal esperava que ele dissesse algo, que se mexesse e fosse a correr para o esquadrão mas nada. Continuava com o olhar perdido. Ele começou a ficar preocupado.

– Etto… Kurosaki-san… sente-se bem? – Como se acordasse para a vida, Ichigo desapareceu no shunpo, gritando apavorado para ver a sua esposa.

– RUKIAAAAAAAAAAAAAAAA! – O serviçal olhou para o capitão ruivo a ir embora com uma gota na cabeça.

– Taichooo não seja cruel! – Matsumoto tentava apelar o lado piedoso do capitão mais pequeno do Gotei mas não estava a funcionar.

– Não sais daqui sem acabar a papelada Matsumoto. E se tentares fugir outra vez, deito fora todas as tuas garrafas de saquê. – Enquanto falava, o capitão apontava para todos os esconderijos das garrafas, deixando uma tenente muito preocupada!

– TAICHO! Não faça isso comigo! – A ruiva peituda chorava como tentando fazer o albino culpado. Mas este parecia nem ouvi-la. Ela acabou por fazer biquinho ao reparar na sua indiferença.

Do nada a porta é arrombada e Hitsugaya ia repreender quem teria feito aquilo mas viu os seus cabelos negros todos bagunçados, a respiração acelerada, face extremamente corada pela correria e suor na testa. O que teria acontecido? Ele já ia perguntar à meninas de olhos ónix se não fosse por ela a puxar o seu braço, obrigando-o a levantar da sua secretária e a segui-la para fora do seu esquadrão.

– Depressa Toushirou! O bebé da Rukia vai nascer! – O rapaz permitiu-se arregalar os olhos de surpresa. Então era isso? Ele ia reclamar em como estava cheio de trabalho e que tinha de vigiar a sua tenente mas ela como lendo os seus pensamentos, falou primeiro- Nem vem que não tem Toushirou. Tu és o cunhado e como tal tens de estar lá! Se não arranjamos outro para o teu lugar. O que prefere T-A-I-C-H-O?– O albino mordeu os lábios fortemente tentando-se conter. Chantagem! Ela sabia como ele sentia ciúmes e não só se aproveitava disso como ainda o troçava soletrando o seu posto. Ele por um momento pensou em desafia-la mas logo arrependeu-se só de pensar nisso. Via o olhar de aviso dela. Ela teria mesmo coragem de fazer isso! E sabia como um terço dos shinigamis gostaria de ter SÓ uma conversa amigável com ela. Lembrava-se de algumas situações em que eles a olhavam sem discrição nenhuma, uma vez chegara mesmo a congelar a sala de treinamento do esquadrão. Suspirou derrotado. Fazer o quê? Quando não os consegues vencer, junta-te a eles.

Rukia estava quase no seu limite. Não aguentava mais. Ela uniu todas as suas forças, como num último esforço. Depois desabou, tinha chegado ao seu limite e aí ouviu. Choro de um bebé. Uma shinigami entregou-lhe um bebé e ela não aguentou a emoção. Lágrimas corriam livremente pela sua face. Era lindo! Um lindo menino! Sentia vontade de se bater quando pensava em desistir por causa das dores. Sofrera muito mas valera a pena. Aquele menino era mesmo seu filho? Era perfeito. Melhor do que podia imaginar. Agora compreendia. O parto é doloroso mas quando temos o nosso filho nos braços, esquecemos isso tudo. Como se tudo tivesse evaporado. Ela teria sofrido aquilo tudo por ele e mais se fosse necessário. Sorria sem se conter. A felicidade era enorme.

O menino tinha o mesmo cabelo rebelde e ruivo do pai. Mas a sua pele era ligeiramente mais clara, as suas bochechas muito mais redondinhas e rosadas, e os olhos… eram os seus. Ele fora buscar o melhor de cada um. Apesar de seus olhos e cabelo serem ligeiramente mais escuros, era lindo! Sorriu calmamente para ele, tinha o nome perfeito.

– Aiko (“Filho do Amor”), meu pequeno Aiko...

Com o seu filho ainda nos braços, a pequena shinigami desmaiou.

Todos estavam na sala de espera, aguardando por notícias. Ichigo não parava de andar de um lado para o outro. Só resmungava pela demora. Ninguém ousava dizer-lhe nada. Só pioria o seu estado e o deixaria mais stressado.

A capitão Unohana saiu com um dos seus costumeiros sorrisos. Quando Ichigo a viu quase a atropelou com tantas perguntas. Logo para resolver a situação, Karin deu um soco no irmão que caiu no chão.

– Como eles estão Capitã? – Kuchiki tentava manter-se imparcial mas por dentro sentia um formigueiro pela irmã e pelo sobrinho.

– Eles estão bem, não há nada com que se preocupar. Parabéns Kurosaki-san. Tem um filho lindo. – Suspiraram de alívio. Parecia que tinha saído um peso das costas.

– Posso vê-los? – Era nítida a necessidade de Ichigo e a capitão deu-lhe autorização, acenando levemente com a cabeça. O ruivo não esperou nem mais um segundo e invadiu a sala onde sua esposa e filho estariam.

Quando o substituto de shinigami adentrou na sala prendeu a respiração. Mesmo naquele estado, mesmo dormindo… Era linda. Via como ela repousava tranquilamente. Sabia o quanto ela estava cansada. Fez uma pequena festa no cabelo da sua esposa e olhou para o lado vendo o seu filho. Tinha que admitir que ele e a Rukia fizeram um belo trabalho. Aquela criança era linda! Ou ele a estava a ver com os olhos do coração e não enxergava direito? Não! Ele e a Rukia condiziam mesmo bem, será que se tivessem uma filha também seria linda assim? Deixaria isso para mais tarde.

Agachou-se e beijou de leve a bochecha corada de seu filho. Que sentimento era aquele que crescia no seu peito? Teve vontade de chorar mas não o fez. Queria ser um pai forte e não um pai chorão que nem o seu. Deu uma pequena risada ao pensar em como ele reagiria ao saber que era avô. De certeza que seria um vovô babão.

Olhou para o seu filho e como se ele lhe pudesse perceber começou a falar com ele.

– Sei que é a tua mãe que escolheria o nome, o acordo foi esse. Mas não sei porquê, acho que tu tens cara de Aiko. – Dito isso, bagunçou com a sua mão direita os cabelos do novo membro da família.



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Os Sentimentos de Ulquiorra
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